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BRASIL E MUNDO

INSS paga R$ 100 milhões do seguro-defeso a mais de 21 mil pescadores

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O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) iniciou nesta terça-feira (25.08) o pagamento do segundo lote do seguro-desemprego destinado a pescadores artesanais. Os depósitos serão realizados até sábado (29) e contemplam benefícios referentes a períodos de defeso anteriores a 2026.

Ao todo, 21.362 pescadores terão direito aos pagamentos, que somam mais de R$ 100 milhões. Os valores serão liberados apenas para os beneficiários que tiveram o direito reconhecido pelo INSS.

A autorização para o pagamento foi estabelecida pela Lei nº 15.399, de 4 de maio de 2026, que trata das regras relacionadas ao seguro-defeso e à identificação dos pescadores artesanais beneficiários.

Como consultar o pagamento

Os pescadores que tiveram o benefício liberado podem acompanhar a emissão das parcelas e verificar as datas de pagamento por meio do aplicativo Carteira de Trabalho Digital.

Também é possível obter informações pela Central Alô Trabalho, pelo telefone 158.

Requerimentos ainda em análise

Quem ainda aguarda a análise do requerimento deve acompanhar a situação pelo aplicativo ou portal Meu INSS. Outra opção é entrar em contato com a Central 135.

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De acordo com o INSS, não é necessário apresentar um novo pedido. As solicitações pendentes continuarão sendo analisadas, e novos lotes de pagamento serão liberados conforme a conclusão dos processos.

O seguro-defeso é destinado aos pescadores artesanais que ficam impedidos de exercer a atividade durante o período de reprodução das espécies. Os pagamentos seguem a análise dos requisitos e o reconhecimento do direito pela autarquia.

Fonte: Instituto Nacional do Seguro Social.

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BRASIL E MUNDO

COP17 entra em semana decisiva com missão de destravar financiamento

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Por Rafael Cardoso | Agência Brasil 

A 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17) entrou na última e decisiva semana de negociações em Ulaanbaatar, capital da Mongólia. Os próximos quatro dias do encontro serão divididos em eixos temáticos específicos para tentar acelerar acordos.

Nesta segunda-feira (24), o foco principal são as finanças. Delegações estão mobilizadas para tentar captar mais recursos destinados à restauração dos solos e combate à seca. Os investimentos anunciados durante o dia, no entanto, mostram que os objetivos ainda estão muito longe de ser alcançados.

Os novos recursos somam US$ 1,3 bilhão, mas o déficit anual estimado pelos especialistas das Nações Unidas é de US$ 278 bilhões por ano.

A secretária executiva da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD, na sigla em inglês), Yasmine Fouad, fez um apelo para que setores público e privado se engajem no processo.

“Falamos de financiamento não para doar, mas para investir. Para mobilizar recursos que invistam nas pessoas, nas economias e na prevenção. Prevenção dos conflitos que vemos em muitas das nossas áreas de pastagem. Queremos levar a resolução para além das palavras no papel e implementá-la na vida das pessoas.”

Pastagens são prioridade

O maior anúncio econômico da COP17 envolve as pastagens, que ocupam mais da metade da superfície terrestre e são fundamentais para a subsistência de centenas de milhões de pessoas.

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A Rangelands Flagship Initiative, lançada em parceria pelo governo da Mongólia e a UNCCD, reúne carteira de 45 projetos e está avaliada em US$ 1,2 bilhão. Segundo os organizadores, trata-se da maior mobilização financeira da história da Convenção voltada especificamente para esses ecossistemas.

A iniciativa pretende conservar, gerir de forma sustentável e restaurar pastagens e ecossistemas de terras secas em todo o mundo. O tema é central para a Mongólia, onde a conservação das estepes está diretamente ligada à sobrevivência de comunidades que dependem da criação de animais.

O especialista em economia ambiental do Mecanismo Global da UNCCD Pablo Munõz disse que o déficit financeiro exige novas formas de atuação. Entre as alternativas discutidas estão o uso de recursos públicos que reduzam riscos para investidores privados, garantias, capital de primeira perda, seguros e novos modelos de negócios.

“Reconhecemos a importância das doações e do financiamento concessional [em condições mais favoráveis que as de mercado], mas a escala necessária exige pensar de forma diferente.”

Atualmente, o setor privado responde por apenas cerca de 6% do financiamento global destinado à restauração de terras. Para tentar ampliar essa participação, a UNCCD anunciou uma rede de centros nacionais chamada Business4Land, voltada à aproximação entre empresas, governos e investidores.

A especialista em sustentabilidade no Mecanismo Global da UNCCD Sarah Toumi afirmou que empresas começam a enxergar que também sentirão os impactos ambientais.

“Eles precisam mudar suas práticas para sobreviver do ponto de vista econômico, porque a seca e a degradação do solo representam um risco econômico, não apenas ambiental. Então, precisam pensar em como investir para o bem próprio.”

Segundo ela, setores como agricultura, moda e alimentos dependem diretamente da saúde do solo e da disponibilidade de água. A ideia é que empresas passem a medir seus impactos sobre a terra e incluam a recuperação ambiental em suas estratégias de negócio.

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Nova agenda para as secas

Outra aposta da COP17 é ampliar os recursos destinados à preparação para os períodos de seca. O Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês) anunciou a criação de um programa integrado para gestão de terras, com previsão inicial de US$ 140 milhões.

Da Amazônia à Europa, seca avança e movimenta debates na COP17. Rio seco no Semiárido Nordestino. Crédito: ASA / Divulgação
Seca avança e movimenta debates na COP17. Foto: ASA / Divulgação

A iniciativa pretende auxiliar países a abandonar uma lógica baseada na resposta a emergências e investir mais em prevenção, monitoramento e planejamento, explica Ulrich Appel, representante do GEF.

“Isso ajudará os países a ter um planejamento rodoviário nacional mais robusto, soluções baseadas na natureza e investimentos que fortaleçam a resiliência antes que a seca se torne um desastre”, disse Ulrich.

*O repórter viajou para a Mongólia a convite da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), após seleção entre jornalistas de diversos continentes.

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