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Índios Isolados em Mato Grosso

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Claude Levi-Strauss

Índios bororo

O Estado de Mato Grosso tem se caracterizado nas últimas décadas por um desenvolvimento violento e caótico em detrimento de seu ecossistema e de seus habitantes primeiros. Dezenas de povos indígenas constantemente violentados, outros exterminados por uma postura pseudo-desenvolvimentista, mas que na realidade não consegue sequer suprir as necessidades básicas de seus munícipios, senão a ganância de seus governantes.
Não obstante este famigerado desenvolvimento, muitos povos e grupos indígenas, remanescentes daqueles exterminados, conseguiram resistir ao trágico confronto com as frentes colonizadoras. Alguns ainda mantêm-se isolados do contato com os vários segmentos nacionais. A estes denominamos índios isolados.
Entende-se por índios isolados os povos ou grupos indígenas que não mantém contato direto com nenhum segmento da sociedade brasileira. Vulgarmente denominados índios arredios. Esta alcunha por si expressa a ótica pejorativa a que estão sujeitos estes grupos, constantemente lesados em seus direitos e em sua identidade enquanto culturas autóctones.
Estes grupos, autônomos ante a organização sócio-econômica e política da sociedade nacional, mantém um proposital distanciamento da população envolvente, por um processo de fuga constante diante da presença avassaladora do colonizador. Disto depreenderam a necessidade de um afastamento singular, sem aliados substanciais, na tentativa de se preservarem das balas e bacilos do homem branco. Em outros momentos este intenso nomadismo forçado se dá por uma conjugação de fatores que também podem incluir o acirramento de relações bélicas com povos indígenas vizinhos, de índole mais aguerida e numericamente mais forte.
Hoje se constata através de fontes diversas, a existência atual de mais de meia centena de grupos indígenas isolados em território nacional, sendo que no Estado de Mato Grosso, existem, pelo menos oito grupos indígenas ainda sem contato. A dificuldade em efetuar um levantamento preciso de dados referentes a estes é inerente às circunstâncias que os envolvem, considerando-se os constantes deslocamentos e esconderijos sob o manto protetor da floresta, onde pretensamente acreditam-se salvaguardados da destruição civilizatória.
Muitos desses grupos são remanescentes de povos indígenas que há muito desapareceram dos registros históricos, sendo dados como extintos. Outros são frações de povos que ainda hoje resistem ao avanço, predatório e desordenado, do grande capital sobre as últimas áreas virgens da Amazônia, e que se separaram em função de cisões internas ou dispersões inesperadas causadas pelas constantes fugas e guerras.
Urge, portanto, uma ação conjugada dos órgãos competentes para salvaguardar a integridade física e cultural destes grupos, pois, mesmo diante da especificidade da questão e latência dos conflitos aqui expressados de forma genérica, fica patente a urgência desta ação diante das contingências especiais que os envolvem. Numericamente frágeis, indefesos em seu sistema imunológico diante das doenças infecto-contagiosas, e distante de compreender a realidade que os cerca, sobre eles paira uma constante e inexorável ameaça de extinção a cada eventualidade de contato.
Casos como o massacre dos isolados Nambikwára do Rio Omerê (RO), em 1985, exterminados a mando do proprietário da Fazenda Ivipitan, face a ação tardia e complacente da FUNAI, caracteriza a fragilidade destes grupos e os desmandos políticos que concluíam por seu extermínio.
Habitantes de territórios ambicionados pelo grande capital, ou vítimas de invasões contínuas das levas de incautos sem-terra, empurrados pelo grande latifúndio para as regiões mais inóspitas, estes grupos indígenas sobrevivem hoje em situações críticas, a cada dia agravadas pelo recrudescimento contínuo das tensões e conflitos fundiários que se alastram pelas últimas áreas verdes do Estado. Verdes sim, mas não tão desabitadas como querem fazer crer os grandes projetos colonizadores e empreendimentos exploradores, que reincidentemente tem vilipendiado as terras indígenas no Estado de Mato Grosso. – Texto extraído do livro Dossiê Índios em Mato Grosso – páginas 170, 171, 172 – OPAN – CIMI/MT, João C. Lobato e Rosa C. Cartagenes.

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Tecnologia e Civilizações antigas

Drone varrerá Amazônia em busca de civilizações antigas

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Cientistas britânicos vão usar um drone para fazer varreduras na Amazônia brasileira e procurar vestígios de civilizações antigas.

O avião não-tripulado que será enviado para a região é equipado com um laser que analisa e procura por áreas onde podem ter existido construções há milhares de anos.

O objetivo do projeto é determinar qual era o tamanho destas comunidades milenares e até que ponto elas alteraram a paisagem local.

Os pesquisadores anunciaram a iniciativa durante a reunião anual da Associação Americana para o Progresso da Ciência (AAAS, na sigla em inglês), na cidade de San Jose, na Califórnia.

O projeto, uma parceria entre agências e instituições do Brasil e Europa, já conseguiu uma verba de US$ 1,9 milhão (cerca de R$ 5,3 milhões) do Conselho Europeu de Pesquisa.

Dependendo dos dados obtidos, eles também podem ser usados para a elaboração de políticas de uso sustentável da floresta.

Mas a questão mais importante é tentar compreender a escala e as atividades das populações que viveram na Amazônia no final do período antes da chegada dos europeus à América, ou seja, os últimos 3 mil anos antes de 1490.

Padrões no solo

 

A equipe internacional vai tentar encontrar na Amazônia os chamados geoglifos, que são desenhos geométricos grandes feitos no chão.

Mais de 450 destes geoglifos, em vários formatos geométricos, foram encontrados em locais onde ocorreu desmatamento.

Mas até hoje ninguém sabe exatamente o que estes círculos, quadrados e linhas representam – há indícios de que fossem centros cerimoniais.

No entanto, o que se sabe é que eles são provas de um comportamento coletivo.

“É um debate acalorado agora na arqueologia do Novo Mundo”, afirmou José Iriarte, da Universidade de Exeter, na Grã-Bretanha.

“Enquanto alguns pesquisadores acreditam que a Amazônia foi habitada por pequenos grupos de caçadores-coletores ou então por pequenos grupos de cultivavam apenas para a subsistência, que tiveram um impacto mínimo no meio ambiente, e que a floresta que vemos hoje foi intocada por milhares de anos, há cada vez mais provas mostrando que este pode não ser o caso.”

“Estas provas sugerem que a Amazônia pode ter sido habitada por sociedades grandes, numerosas, complexas e hierárquicas que tiveram um grande impacto no meio ambiente; o que nos chamamos de ‘hipótese do parque cultural'”, disse o cientista à BBC.

Drone e satélite

O projeto de Iriarte prevê o sobrevoo do drone por algumas áreas da floresta que servirão de amostra.

O laser acoplado ao drone vai procurar geoglifos estão escondidos em regiões ainda não desmatadas.

Parte da luz deste laser, chamado de “lidar” (“light-activated radar”, ou radar ativado pela luz, em tradução livre) consegue ultrapassar a barreira das folhas das árvores.

Serão feitas várias inspeções e, se a existência dos geoglifos for confirmada, os cientistas vão tentar determinar mudanças específicas que foram deixadas no solo e na vegetação pelos antigos habitantes.

Estas “impressões digitais” poderão ser buscadas por imagens de satélites, possibilitando uma busca em uma área muito maior da Amazônia, maior do que com o pequeno drone.

E, a partir deste projeto será possível avaliar como a Amazônia pode ser gerenciada de forma sustentável. Segundo Iriarte, não é possível especular quais seriam as mudanças futuras aceitáveis na Amazônia se não existir uma compreensão completa de como a floresta foi alterada no passado.

“Queremos ver qual é a pegada humana na floresta e então formar uma política (de uso), pois pode ser o caso de que a biodiversidade que queremos preservar seja o resultado de uma manipulação no passado desta floresta”, explicou.

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