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Golpe do falso advogado desafia a confiança na Justiça

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Por Valéria Lima

O avanço dos golpes virtuais tem exposto novas vulnerabilidades em setores antes considerados mais protegidos. Entre eles, a advocacia. O chamado “golpe do falso advogado” tem se espalhado por todo o país e já ocupa o terceiro lugar no ranking de estelionatos em Mato Grosso, segundo dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT).

O esquema consiste em criminosos que se passam por advogados ou servidores do Judiciário, utilizam indevidamente nomes e marcas de escritórios e convencem vítimas a realizar transferências via PIX, sob o pretexto de pagamento de custas processuais ou taxas inexistentes. As abordagens ocorrem principalmente por aplicativos de mensagens, com o uso de logotipos falsos, documentos forjados e linguagem jurídica convincente.

Em nível nacional, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) estima que cerca de 17,5 mil pessoas já foram vítimas desse tipo de golpe, número acumulado até 2025. A gravidade do problema levou a entidade a lançar a plataforma ConfirmADV, que em apenas três semanas recebeu quase 10 mil solicitações de verificação de identidade de advogados, reflexo da preocupação crescente com a segurança digital e a integridade das relações jurídicas.

Em Mato Grosso, a OAB-MT e a Polícia Civil se reuniram com o Tribunal de Justiça (TJMT) para discutir ajustes no sistema eletrônico PJe, com o objetivo de reforçar a autenticação de usuários e reduzir as brechas exploradas por criminosos. As medidas buscam proteger tanto os cidadãos quanto os profissionais da advocacia, fortalecendo a confiança no sistema de Justiça e ampliando a prevenção contra fraudes.

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Os efeitos desse tipo de golpe vão muito além das perdas financeiras. Eles atingem diretamente a credibilidade da advocacia e abalam a confiança nas instituições, pilares que sustentam o Estado Democrático de Direito. Escritórios sérios, como o Valéria Lima Advocacia, têm enfrentado o uso indevido de seus nomes por falsários. Diante disso, o escritório adotou medidas jurídicas e preventivas, comunicou as autoridades e reforçou seus canais oficiais de atendimento, em uma postura de transparência, ética e orientação pública.

Como parte das medidas de segurança, o escritório também tem reforçado, junto aos clientes e à sociedade, a importância de verificar sempre a origem de qualquer contato jurídico. É fundamental desconfiar de mensagens que solicitem pagamentos ou dados pessoais, não realizar transferências via PIX sem confirmação direta e registrar boletim de ocorrência em caso de suspeita de fraude. A atenção preventiva e a informação correta são as melhores formas de proteção.

Casos como esse evidenciam que a segurança jurídica também depende da educação digital. Confirmar sempre a inscrição do advogado na OAB, verificar se o contato parte de canais oficiais e nunca compartilhar dados pessoais com desconhecidos são práticas simples que podem evitar grandes prejuízos.

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A advocacia tem papel essencial não apenas na defesa técnica dos direitos, mas também na educação e conscientização jurídica da sociedade. Em tempos de desinformação e criminalidade digital, informar é proteger. Cada orientação correta reduz o espaço para a fraude, fortalece a confiança entre advogado e cliente e reafirma o papel social da profissão.

Mais do que um desafio criminal, o golpe do falso advogado exige um esforço coletivo e institucional. A ética e a transparência continuam sendo as maiores garantias de justiça, mas precisam ser acompanhadas por ações firmes contra o crime digital. O fortalecimento das leis sobre estelionato e falsidade ideológica virtual, aliado à criação de mecanismos nacionais de verificação jurídica segura, pode reduzir o espaço para fraudes e proteger a sociedade.

A advocacia tem papel central nesse movimento: ser voz ativa na defesa de uma legislação moderna e na promoção de uma cultura de confiança e prevenção. Porque a informação, compartilhada com responsabilidade, é e sempre será a primeira forma de justiça.

Valéria Lima é advogada especialista em Direito Previdenciário, Regime Geral (iniciativa privada) e Próprio (servidores públicos), MBA em Gestão de Pessoas e membro do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP).

 

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Tenho endometriose e quero engravidar: quais são minhas opções?

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Por Giovana Fortunato

Por muito tempo, receber o diagnóstico de endometriose era quase sinônimo de ouvir que engravidar seria muito difícil ou até impossível. Felizmente, essa realidade mudou. Hoje, graças aos avanços da medicina, a grande maioria das mulheres com endometriose pode realizar o sonho da maternidade, desde que receba um diagnóstico adequado e um tratamento individualizado.

A primeira informação que toda mulher precisa saber é que ter endometriose não significa, necessariamente, ser infértil. Embora a doença possa reduzir a fertilidade em alguns casos, muitas pacientes engravidam naturalmente, especialmente quando o diagnóstico é feito precocemente e a doença está sob controle.

A endometriose é uma condição inflamatória crônica caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio fora do útero, atingindo ovários, trompas, intestino, bexiga e outras estruturas da pelve. Além das conhecidas dores intensas durante a menstruação, ela pode provocar alterações no funcionamento dos órgãos reprodutivos, dificultando o encontro entre o óvulo e o espermatozóide ou prejudicando a implantação do embrião.

Estima-se que entre 30% e 50% das mulheres com endometriose apresentem alguma dificuldade para engravidar. Isso não significa que todas precisarão recorrer à reprodução assistida. A estratégia depende de uma série de fatores, como idade da paciente, tempo de infertilidade, reserva ovariana, localização e gravidade da doença, além da qualidade do sêmen do parceiro, quando houver.

Em mulheres jovens, com doença leve e trompas preservadas, muitas vezes é possível acompanhar a tentativa de gestação espontânea por um período determinado. Em outras situações, medicamentos para indução da ovulação associados à inseminação intrauterina podem aumentar as chances de gravidez.

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Quando a endometriose é mais avançada ou existem comprometimentos importantes das trompas e dos ovários, a fertilização in vitro (FIV) costuma oferecer os melhores resultados. Nessa técnica, a fecundação acontece em laboratório e o embrião é transferido posteriormente para o útero, contornando parte dos obstáculos causados pela doença.

Outro ponto importante é a cirurgia. Muitas mulheres acreditam que retirar todos os focos de endometriose seja sempre o primeiro passo para engravidar. No entanto, essa decisão precisa ser cuidadosamente avaliada. Em alguns casos, a cirurgia realmente melhora as chances de gestação e reduz os sintomas. Em outros, especialmente quando há comprometimento da reserva ovariana, operar pode diminuir ainda mais a quantidade de óvulos disponíveis. Por isso, cada caso deve ser discutido individualmente, considerando riscos e benefícios.

Também é importante compreender que a idade exerce um papel fundamental. A fertilidade feminina diminui naturalmente com o passar dos anos, principalmente após os 35 anos. Quando essa redução natural se soma à endometriose, o tempo passa a ser um fator ainda mais relevante. Adiar a investigação ou insistir por muitos anos em tentativas sem acompanhamento pode diminuir as possibilidades de sucesso.

Por esse motivo, mulheres com diagnóstico de endometriose que desejam ser mães não devem esperar muito tempo para procurar orientação especializada. Um planejamento reprodutivo permite definir a melhor estratégia para cada fase da vida, inclusive discutindo alternativas como o congelamento de óvulos quando houver indicação.

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Vale destacar que o tratamento da endometriose vai muito além do controle da dor. O objetivo é preservar a qualidade de vida, proteger a fertilidade e oferecer segurança para que a mulher possa tomar decisões conscientes sobre seu futuro reprodutivo.

Mais do que uma doença ginecológica, a endometriose pode impactar projetos de vida, relações familiares, saúde emocional e autoestima. Por isso, o atendimento deve ser acolhedor e multidisciplinar, envolvendo ginecologista, especialista em reprodução humana, nutricionista, fisioterapeuta pélvica e psicólogo sempre que necessário.

A boa notícia é que hoje dispomos de recursos diagnósticos mais precisos, tratamentos modernos e técnicas de reprodução assistida com excelentes taxas de sucesso. O mais importante é não perder tempo convivendo com sintomas considerados “normais” ou adiando a busca por ajuda.

Se você tem endometriose e deseja engravidar, saiba que existem caminhos. O primeiro deles é procurar um ginecologista com experiência no tratamento da doença e no planejamento reprodutivo. Com informação, acompanhamento especializado e uma estratégia personalizada, a maternidade pode deixar de ser uma preocupação distante para se tornar um projeto possível e bem planejado.

Dra. Giovana Fortunato é ginecologista e obstetra, especialista em endometriose e infertilidade e professora da UFMT.
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