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JUSTIÇA

Fachin nomeia Rabaneda para laboratório que mira erros judiciais

Estrutura do Conselho Nacional de Justiça vai atuar na prevenção de falhas do sistema penal, com foco na qualificação de provas e na proteção de direitos fundamentais

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Conselheiro do CNJ, Ulisses Rabaneda

O presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Edson Fachin, nomeou o conselheiro Ulisses Rabanedapara a presidência do Laboratório Justiça Criminal, Reparação e Não Repetição, marcando um avanço no enfrentamento dos erros judiciais no país. Instituído pela Resolução nº 659/2025, o grupo técnico foi criado com a proposta de modernizar o sistema penal brasileiro, atuando na prevenção de falhas estruturais que resultam em violações de direitos e condenações injustas.

A estrutura funcionará como um centro de inteligência, responsável por formular diretrizes nacionais, qualificar a produção de provas e analisar casos emblemáticos julgados pelo Supremo Tribunal Federal, pelo Superior Tribunal de Justiça e por organismos internacionais de direitos humanos.

A iniciativa foi destacada pelo ministro do STJ, Sebastião Reis Júnior, como uma mudança de paradigma ao tratar o erro judicial como um problema estrutural. Em artigo, ele cita casos emblemáticos que evidenciam falhas graves no sistema, como o Caso Evandro, no qual o tribunal reconheceu condenações baseadas em confissões obtidas sob tortura e sem provas válidas produzidas sob o contraditório.

Outro exemplo mencionado é o caso da 113 Sul (Marlon), em que houve a anulação de uma condenação mantida por anos com base quase exclusiva em elementos colhidos na fase de investigação, sem respaldo suficiente na prova judicial. Para o ministro, episódios como esses demonstram o custo humano dos erros judiciais e a necessidade de mecanismos permanentes de prevenção.

À frente do laboratório, Rabaneda afirma que a prioridade será transformar falhas em aprendizado institucional. “Nosso objetivo é estruturar diretrizes que fortaleçam a produção de provas, protejam direitos fundamentais e reduzam o risco de condenações injustas”, disse.

Ele também destaca o caráter colaborativo da proposta, que prevê a participação de magistrados, especialistas e da sociedade civil na construção de soluções aplicáveis a todo o sistema de justiça.

Outro eixo da iniciativa é a reparação de danos causados por erros judiciais, com medidas que vão além da indenização financeira e incluem reconhecimento institucional e ações para evitar a repetição das falhas.

“Com atuação técnica e integrada, o laboratório deve consolidar uma política judiciária voltada à prevenção de erros e ao fortalecimento da confiança da sociedade na Justiça”, finaliza Rabaneda.

A proposta do laboratório também inclui a realização de oficinas, capacitações e estudos de caso, com o apoio da Rede de Inovação do Judiciário, buscando maior eficiência e padronização das práticas processuais.

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JUSTIÇA

CNJ estuda ações para evitar que egressos do sistema prisional cheguem às ruas

Sob a coordenação do conselheiro Ulisses Rabaneda, grupo de trabalho busca soluções estruturadas para reduzir vulnerabilidades após o cumprimento da pena

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Conselheiro do CNJ, Ulisses Rabaneda

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) instituiu um Grupo de Trabalho (GT) com o objetivo de estudar e propor soluções para evitar que pessoas egressas do sistema prisional acabem em situação de rua. Coordenado pelo conselheiro Ulisses Rabaneda, o GT tem como foco a elaboração de diretrizes normativas e o desenvolvimento de programas voltados à reinserção social desse público.

Segundo Rabaneda, a iniciativa busca estruturar respostas permanentes no âmbito do Judiciário, capazes de reduzir vulnerabilidades sociais no período posterior ao cumprimento da pena.

“O principal objetivo do Grupo de Trabalho é estudar e propor soluções estruturadas para identificar o risco de pessoas egressas do sistema criminal entrarem em situação de rua, além de apresentar propostas normativas e programas voltados à prevenção dessa condição e à promoção de uma saída qualificada para esse público”, afirmou o conselheiro.

A portaria que instituiu o GT não define critérios fechados para a identificação do risco de vulnerabilidade social. A proposta é permitir a construção de parâmetros fundamentados em dados, estudos e nas realidades específicas de cada estado.

“Os critérios de identificação do risco serão construídos de forma empírica e interinstitucional, considerando dados do sistema de justiça, políticas públicas existentes e a experiência de profissionais que atuam diretamente na execução penal e no atendimento à população em situação de vulnerabilidade”, explicou Rabaneda.

Entre as medidas previstas estão a padronização de fluxos operacionais nos tribunais, com orientações claras sobre a identificação de situações de risco, o encaminhamento para redes de proteção e a articulação com políticas públicas. A iniciativa pretende reduzir desigualdades regionais e qualificar a atuação do Judiciário em todo o país.

Rabaneda destaca que a integração com outros órgãos é um dos pilares do trabalho. “A articulação com o Poder Executivo, a sociedade civil, instituições acadêmicas e demais atores do sistema de justiça permite ao Judiciário atuar como indutor de políticas públicas, alinhando suas decisões às ações sociais já existentes, sem extrapolar suas competências constitucionais”, ressaltou.

O Grupo de Trabalho também poderá atuar de forma articulada com o Plano Pena Justa e outras políticas nacionais, promovendo sinergia entre iniciativas e evitando sobreposições. A composição do GT inclui magistrados, membros do Ministério Público, Defensorias Públicas, especialistas e representantes da sociedade civil, entre eles o Movimento Nacional da População de Rua.

Para o coordenador, os desafios são complexos e exigem respostas estruturais. “A ausência de fluxos institucionais claros no pós-cumprimento da pena, a fragmentação entre o sistema de justiça e as políticas sociais e a dificuldade de identificação precoce de situações de risco estão entre os principais obstáculos. O Grupo de Trabalho foi criado justamente para enfrentar essas questões de forma técnica, integrada e sustentável”, concluiu.

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