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“Erro” do Banco Central foi de R$ 74 bilhões, entre outubro de 2021 e dezembro de 2022

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Por Edmundo Pacheco | Portal Mato Grosso

A semana começa ainda sob o impacto do “erro” encontrado na contabilidade cambial do Banco Central (BC), relativo ao último ano do governo de Jair Messias Bolsonaro. O anúncio foi feito na última quinta-feira (26.01) com um prosaico pedido de desculpas do chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha (veja aqui).

A princípio o “erro” foi calculado em cerca de 13 bilhões de dólares (ou pouco mais que o dobro do orçamento anual do Estado de Mato Grosso que é de R$ 30,815 bilhões) , mas agora já se sabe que o total chega a 14,5 bilhões de reais no mercado de câmbio contratado entre outubro de 2021 a dezembro de 2022. Em Reais, pelo cambio desta segunda-feira (30.11), temos R$ 74,03 bilhões e aí já dá quase 3 orçamentos de um dos Estados mais ricos do Brasil.

E aí você pode se perguntar “como o Banco Central comete um erro elefantal desses?” ou “qual impacto na economia?”.

O ERRO – Pra entender o que aconteceu basta olhar o cenário, em 2023 aconteceram duas coisas que afetaram a economia: uma campanha eleitoral lamacenta (pra dizer o mínimo) e caríssima, e a chamada “PEC do calote” – uma manobra capitaneada pelo ex-ministro da Economia, Paulo Guedes.

A proposta de Guedes era aprovar uma Emenda à Constituição (PEC) para não pagar dívidas da União decorrentes de decisões judiciais definitivas (chamadas de precatórios). A “PEC do calote” pretendia ampliar a possibilidade de parcelamento desses créditos que pessoas físicas e jurídicas têm a receber do governo federal.

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Esses dois acontecimentos (a incerteza de que Bolsonaro se reelegeria e a ameaça de calote) deixou os exportadores com medo de trazer os dólares para o Brasil e perder dinheiro, e, de outro lado, fez o importador, que tem que pagar em dólar, antecipar seus pagamentos (quem pode, pagou o mais cedo possível, porque era mais barato).

Resultado: os dólares literalmente “fugiram” do Brasil no último ano do governo Bolsonaro, exatamente num período em que o então presidente fazia uma tentativa desesperada de se reeleger e precisava mostrar robustez econômica.

O “erro” (ou solução) fez uma inversão de sinais: o BC informou ao mercado que o saldo negativo era positivo: a saída US$ 9,5 bilhões no país, em 2022, passou a ser “entrada de dólares”. E o positivo, que era de US$ 3,2 bilhões, virou negativo e assim o fluxo cambial ficou “lindo”.

Ou seja, um cenário oposto à realidade (pra não dizer mentiroso), com mais pessoas e empresas tirando recursos do país que colocando.

Mas segundo o BC, tudo não passou de uma inocente falha na apuração dos dados, que desconsiderou “algumas operações de importação”, na qual uma empresa ou pessoa brasileira envia dólares para fora para comprar um produto.

E isso já vinha acontecendo em 2021, mas parece que foi só a partir de outubro. Por conta disso, o impacto nas contas de fluxo foi menor –US$ 1,7 bilhão.

Resta saber se realmente o “erro” foi só durante o período eleitoral, ou se se tratou de uma prática contumaz de maquiar o fluxo cambial, fazendo parecer que o governo tinha a confiança e a credibilidade do mercado financeiro, quando não tinha.

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CREDIBILIDADE – Se por um lado a imagem do Governo Bolsonaro pode ser arranhada com essa notícia (?) de outro, os analistas consideram que o BC pode sair incólume.

Por exemplo, o economista Mauricio Weiss, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), analisando a situação, explicou que o erro do BC não chega a ter impacto real nos rumos da economia brasileira e na decisão de investidores que aplicam recursos aqui.

A mesma impressão tem o economista Andrew Storfer, diretor do Núcleo de Economia da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). “Não acho tão impactante [para a economia]. Claro que erros não são saudáveis, mas neste caso o erro representa no ano menos de 5% das operações”, disse. “O efeito prático não é relevante”, completou.

Márcio Pochmann, economista e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), também minimizou o assunto dizendo que o BC tem falhado constantemente no cumprimento de suas obrigações. “Esse erro é mais uma dessas falhas”, encerrou.

O BC, que se tornou autônomo em 2021, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), é legalmente responsável pelo controle da inflação no país. Em 2021 e em 2022, as metas de inflação estipuladas pelo Conselho Monetário Nacional (CNM) não foram cumpridas.

Em última análise, o “errinho de R$ 74 bi” do BC não chegou a arranhar a credibilidade da instituição, que tem autonomia, mas – como se vê – está sujeita às intempéries políticas.

 

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Vendas B2B no Brasil: pesquisa com mais de mil profissionais mostra desafios e tendências do setor

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Vender para outras empresas nunca foi simples, mas os números mostram que o problema não está na falta de esforço dos times comerciais. Está na forma como o trabalho é organizado no dia a dia. É isso que revela o Panorama do Uso de IA nas Vendas B2B no Brasil, levantamento feito pela Agendor em 2025 com 1.031 profissionais de vendas de empresas brasileiras.

A pesquisa ouviu vendedores, gestores e líderes comerciais de diferentes setores, incluindo negócios ligados ao agronegócio e à indústria, dois segmentos fortes em Mato Grosso, e traçou um retrato bem definido de onde o setor está travando e para onde está olhando.

Quem são os profissionais por trás das vendas B2B no Brasil

Antes de entrar nos números sobre desafios e ferramentas, vale entender quem respondeu à pesquisa. Quase metade dos profissionais (48,1%) tem mais de dez anos de carreira em vendas, e cargos de liderança, como sócios, fundadores, diretores e gerentes, somam 40,4% das respostas.

Ou seja, a maior parte de quem falou sobre os gargalos do setor não está apenas executando processos no dia a dia, mas também desenhando e cobrando esses processos de outras pessoas.

O recorte também mostra um mercado dominado por estruturas pequenas: 59% das equipes comerciais têm até cinco colaboradores, e o modelo misto, que combina vendedores internos e externos, é o mais comum, presente em 53,9% das empresas.

O setor de indústrias e fábricas é o mais representativo na amostra, com cerca de 20% dos respondentes, seguido por distribuidoras, revendas e empresas de tecnologia.

Esse perfil ajuda a explicar por que desafios como falta de tempo, geração de leads e processos pouco definidos aparecem com tanta força nos próximos dados: são equipes enxutas, geridas por quem também vende, tentando equilibrar execução e estratégia ao mesmo tempo.

Geração de leads ainda é o maior gargalo das vendas B2B

Quando perguntados sobre o que mais dificulta o trabalho comercial, 26,74% dos profissionais apontaram a geração de leads qualificados como o principal desafio. Em segundo lugar veio a dificuldade de converter oportunidades em vendas, citada por 23,15%. Completando o top 3, 17,74% mencionaram a falta de tempo para pensar de forma estratégica.

Os três dados juntos formam um retrato claro do funil comercial brasileiro hoje: poucas oportunidades entram, as que entram não avançam como deveriam, e quem deveria repensar o processo está ocupado demais resolvendo problemas do dia a dia para conseguir parar e planejar.

Por que o time vende menos mesmo trabalhando mais

Outro bloco de perguntas do estudo investigou o que mais cansa os profissionais de vendas B2B na rotina. O excesso de tarefas operacionais lidera essa lista, mencionado por 48,01% dos respondentes. A pressão por metas altas vem em seguida, com 42,29%, e o uso de várias ferramentas que não conversam entre si aparece com 37,34%.

Isso significa um vendedor que abre o WhatsApp para falar com o cliente, depois preenche uma planilha, depois entra em outro sistema para montar uma proposta e ainda tenta lembrar em qual conversa ficou pendente aquele retorno. O dia inteiro é gasto, mas boa parte desse tempo não chega a virar venda.

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Pressão por metas: quando a cobrança se torna um problema de saúde

Cobrar resultado faz parte de qualquer área comercial, mas a pesquisa mostra que essa pressão já passou de um certo limite para boa parte dos times brasileiros. Quase metade dos profissionais (47,4%) classifica o nível de pressão por metas na empresa como alto ou muito alto, enquanto 35,9% descrevem a cobrança como mediana.

O dado mais direto, porém, é outro: mais da metade dos respondentes (52,2%) afirma que a pressão por resultados já afetou negativamente sua saúde mental. Não é uma percepção isolada. Segundo o Ministério da Previdência Social, citado no próprio estudo, o Brasil registrou quase 473 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais no último levantamento disponível, e a área comercial está entre as mais expostas a esse tipo de desgaste.

A pesquisa também encontrou uma relação entre o tamanho da equipe e o nível de cansaço. Profissionais que atuam em empresas com mais de 100 colaboradores relatam o maior índice de cansaço crônico (51,7%) provavelmente puxado pela burocracia e pela complexidade típicas de operações maiores. Já nas equipes de 21 a 50 colaboradores, esse índice cai para 31,9%, a menor taxa entre todos os portes analisados.

CRM cresce, mas a planilha ainda não foi embora

Um dos pontos mais interessantes do levantamento é sobre a adoção de ferramentas de gestão comercial. Atualmente, 68,2% dos profissionais já usam algum sistema de CRM, e esse percentual sobe para 80,4% quando se somam as empresas que estão em processo de implementação.

O contraponto vem logo depois: 80,8% dos profissionais ainda recorrem a planilhas para apoiar o trabalho comercial, mesmo já tendo um CRM disponível. Isso mostra que contratar uma ferramenta é só o primeiro passo.

Se o sistema é difícil de usar ou não encaixa na rotina do time, a planilha continua sendo o caminho mais rápido, e as informações terminam divididas entre dois lugares diferentes, o que na prática reduz a confiabilidade dos dados comerciais.

Equipes pequenas são as que mais resistem ao CRM, e as que mais perdem com isso

Um dos cruzamentos mais interessantes do estudo mostra que o tamanho da equipe influencia diretamente a adoção de CRM. Entre empresas com seis a dez vendedores, a adoção chega a 81,6%, o maior índice entre todos os portes pesquisados. Já nas equipes menores, de um a cinco colaboradores, a adoção cai para 62,83%, e a taxa de quem nunca usou um CRM sobe para 18,59%, a maior do levantamento.

A ironia é que são justamente essas equipes pequenas as que mais precisariam de uma ferramenta de gestão. O estudo mostra que times sem CRM enfrentam quase o dobro da dificuldade com falta de visibilidade sobre o funil de vendas e com falta de processos definidos, na comparação com equipes que já usam a ferramenta.

Sem um funil organizado, cada vendedor de uma equipe pequena acaba carregando o processo na própria memória, o que torna a operação ainda mais vulnerável quando alguém sai do time ou tira férias.

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O papel esperado da inteligência artificial nas vendas B2B

A pesquisa também perguntou aos profissionais como eles veem o papel da inteligência artificial nos próximos dois anos. Para 52,38%, a IA vai principalmente automatizar tarefas operacionais e liberar tempo do time comercial. Outros 30,26% acreditam que a tecnologia vai contribuir para decisões mais estratégicas. Apenas 1,45% disseram não esperar nenhum impacto relevante.

Quando o estudo foi mais específico e perguntou em quais tarefas os profissionais gostariam de receber apoio da IA, dois pontos se destacaram: acompanhamentos e envio de e-mails, citado por 62,85%, e o registro de atividades no CRM, mencionado por 52,86%. Não é coincidência que sejam justamente as tarefas que mais consomem tempo sem gerar valor direto para o negócio.

Como a tecnologia pode mudar esse cenário

Os números do estudo mostram um problema estrutural, mas também apontam o caminho para resolvê-lo: processos mais claros, ferramentas que realmente conversam entre si e tecnologia que tira trabalho manual de cima do time sem adicionar mais complexidade na rotina.

Júlio Paulillo, cofundador e diretor de receita da Agendor, empresa responsável pelo levantamento, chama atenção justamente para esse ponto. Segundo ele, a adoção de inteligência artificial nas vendas já é um caminho sem volta, mas isso não significa que toda empresa esteja extraindo valor dela.

“É preciso saber para onde olhar, qual caminho seguir e como buscar uma melhoria contínua de forma a alcançar os resultados desejados, não apenas adotar uma nova ferramenta”, afirma. É uma leitura que conversa diretamente com o que a pesquisa mostra sobre CRM: ter o sistema não resolve nada se ele não vira parte da rotina do time.

Paulillo também aponta a liderança como a peça que decide se a tecnologia vai além do operacional. “Em empresas onde a liderança é mais aberta à tecnologia, a IA tende a ser mais integrada de forma estratégica”, afirma.

Essa mudança de cultura aparece em ferramentas como o próprio Agendor CRM, que reúne funis de vendas, automação de tarefas e lembretes, e integração com WhatsApp em um único sistema, evitando que informações continuem espalhadas entre planilhas, aplicativos e anotações soltas, sem depender da memória de cada vendedor.

No ecossistema Agendor, esse cuidado com a parte operacional aparece também na Ava, assistente de inteligência artificial que atua diretamente pelo WhatsApp. Ela atualiza contatos e negociações automaticamente, sugere o próximo passo de cada conversa e envia lembretes de follow-up, tarefas que, segundo a própria pesquisa, estão entre as que mais consomem tempo dos times comerciais no dia a dia.

Portanto, os dados do estudo sugerem que o setor já identificou onde estão os gargalos. O que falta, segundo o próprio levantamento, é dar o próximo passo: tratar tecnologia e inteligência artificial não como mais um item na lista de ferramentas, mas como parte da estratégia comercial.



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