Cuiabá
Encontros abrem espaço para mulheres neurodivergentes se encontrarem sem “máscaras”
Oficinas Desmascaradas têm vagas limitadas e são voltadas a mulheres e pessoas trans neurodivergentes adultas; atividades começam em 17 de outubro
Há situações em que conversar, encarar alguém nos olhos ou permanecer em um ambiente barulhento pode exigir mais esforço do que parece. Para mulheres e pessoas trans neurodivergentes adultas, as Oficinas Desmascaradas propõem quatro encontros presenciais em Cuiabá para falar dessas vivências sem a pressão de se explicar o tempo todo.
A programação começa em 17 de outubro e continua nos dias 24 e 31 de outubro e 7 de novembro, no Ateliê Paty Wolff. As vagas são limitadas. A proposta é reunir pessoas neurodivergentes para atividades práticas e artísticas sobre corpo, sensorialidade, mascaramento social, direitos e recomeços.
Mascaramento social é o nome dado s estratégias usadas para esconder características ou comportamentos e tentar se adaptar às expectativas de outras pessoas. A sensorialidade envolve a forma como cada pessoa percebe estímulos como sons, luzes, cheiros e texturas.
“O Desmascaradas nasce do desejo de criar espaços de convivência onde não seja preciso sustentar uma máscara social para existir”, afirma Amanda.
Amanda Nery é psicóloga clínica, registrada no CRP 18/03746, e mestre em Antropologia Social pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Ela atua com mulheres e pessoas trans neurodivergentes em atendimentos presenciais e online.
Serviço
Atividade: Oficinas Desmascaradas
Público: mulheres e pessoas trans neurodivergentes adultas
Datas: 17, 24 e 31 de outubro e 7 de novembro
Horários: 14h e 16h30
Local: Ateliê Paty Wolff, em Cuiabá
Vagas: limitadas
Inscrições: https://psiamandanery.my.canva.site/desmascaradas
Cuiabá
Maysa cobra publicização da Jornada do Autista e ampliação da rede de atendimento em Cuiabá
A Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Pessoa com Deficiência da Câmara Municipal de Cuiabá, presidida pela vereadora Maysa Leão (Republicanos) e integrada pelo vereador Demilson Nogueira, recebeu representantes da Secretaria Municipal de Saúde para discutir a publicização do fluxograma da Jornada do Autista na Capital. A parlamentar cobrou que as famílias tenham acesso claro às informações sobre os serviços disponíveis, portas de entrada e caminhos que devem percorrer dentro da rede pública.
Durante a reunião, Maysa destacou que a cobrança não é direcionada aos profissionais que atuam diretamente no atendimento, mas à gestão, diante da necessidade de ampliar a capacidade da rede e facilitar o acesso das famílias. “Eu estou no tempo das crianças que me procuraram há quatro anos. É muito fácil afixar um cartaz com telefones e fluxo, é muito fácil colocar uma aba no site. O difícil é essa mãe ficar perambulando de ônibus por aí, com uma criança desregulada, sem dinheiro, sem rede de apoio e, muitas vezes, sem conseguir emprego”, afirmou.
A secretária de Saúde de Cuiabá, Deisi Bocalon, reconheceu que a rede ainda precisa avançar e informou que a pasta trabalha na capacitação dos profissionais e na ampliação das estratégias de atendimento. Segundo ela, o município enfrenta dificuldades para contratar especialistas devido à diferença entre os valores praticados pelo mercado e pelo SUS, mas já busca novas alternativas de contratação e estuda medidas para reduzir filas também nas áreas de saúde mental e reabilitação.
A secretária-adjunta da Saúde, Najla Müller, reforçou a necessidade de ampliar a reabilitação voltada às pessoas com autismo e outras neurodivergências e destacou o papel da atenção básica. Já a Coordenadora de Reabilitação, Raphaela de Paula, explicou que a unidade atualmente consegue absorver cerca de 50 crianças e confirmou que existem encaminhamentos para solucionar limitações estruturais e ampliar a capacidade de atendimento. O município também utiliza a unidade do Pascoal Ramos como apoio, embora ainda enfrente dificuldade para fixar profissionais na região.
Para Maysa, as medidas anunciadas pela Secretaria reforçam a importância de manter a cobrança e transformar os planejamentos em ações concretas. A vereadora também defendeu a integração dos sistemas de saúde, a descentralização dos serviços e a ampliação da estrutura do CER. “Quando eu digo que o CER não atende, não é que o CER não atende bem. Ele não atende a demanda. Precisamos de mais profissionais, mais unidades, descentralizar o atendimento e ter um prontuário unificado. Em 2026, não é possível que uma família ainda tenha que começar tudo do zero a cada serviço que procura. A gente precisa fazer essa rede conversar e funcionar de verdade para as famílias”, finalizou Maysa.
Ouvidoria – Famílias que precisam de informações ou orientações relacionadas aos serviços de saúde podem entrar em contato com a Ouvidoria da Saúde de Cuiabá pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones 3318-6011, 3318-6015, 3318-6013 e 3318-6020
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