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Com maior taxa do país, Mato Grosso ganha reforço no combate à hanseníase a partir de Brasnorte
Formação inédita entre 28 de julho e 1º de agosto em Brasnorte visa enfrentar o quadro hiperendêmico, com atenção especial às populações indígenas
Mato Grosso é o estado com a maior taxa de detecção de hanseníase no Brasil. Em 2023, foram registrados 129,65 novos casos por 100 mil habitantes, conforme relatório epidemiológico do Ministério da Saúde, posicionando o estado no nível de alerta máximo, hiperendêmico .
É nesse contexto que a Prefeitura de Brasnorte, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, promove entre 28 de julho e 1º de agosto de 2025, com apoio do Governo do Esstado por meio da ESP‑MT, uma capacitação inédita para diagnóstico e manejo clínico da hanseníase. O curso será ministrado pelo dermatologista Dr. Cláudio Salgado, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Hansenologia, e conta com a colaboração da UFPA, da FADESP e da Sociedade Brasileira de Hansenologia.
A ação envolverá cerca de 50 profissionais da saúde, entre médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, bioquímicos, farmacêuticos e servidores da vigilância sanitária, com foco na identificação precoce da hanseníase e na multiplicação do conhecimento entre agentes comunitários e técnicos de enfermagem. O objetivo é interromper a cadeia de transmissão e reduzir o estigma social associado à doença.
“A hanseníase é uma doença marcada por silêncio, estigma e desigualdade. Para mim, pessoalmente, realizar essa capacitação em Brasnorte é uma das maiores realizações como gestor público. Nossa região inclui territórios indígenas de diversas etnias, e sabemos que essas populações estão entre as mais vulneráveis. Essa formação não é só técnica é um ato social profundo, de reconhecimento e cuidado”, afirma o secretário municipal de Saúde, Weriky Victor.
A capacitação fortalecerá a rede local e regional, com a participação de profissionais de municípios vizinhos como Aripuanã, Juruena, Cotriguaçu, Alto Paraguai e Campo Novo do Parecis. O evento tambem atende a região do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) – Cuiabá Polo Brasnorte que abrenge as etnias Myky, Manoki e Enawenê-Nawê.
Dados do Seminário “Mato Grosso Livre da Hanseníase”, promovido pelo TCE‑MT em novembro de 2024, revelam que 62% dos 127 municípios com casos novos em 2023 estão em situação hiperendêmica, com concentração principalmente na região noroeste do estado .
Esse cenário exige atenção urgente, pois a hanseníase, embora curável, perpetua exclusão social e limita oportunidades, afetando de forma desproporcional populações indígenas, rurais e economicamente vulneráveis. Doenças negligenciadas como essa têm forte impacto no desenvolvimento infantil, na inserção social e no bem‑estar emocional dos pacientes .
“Falar de hanseníase é falar de desigualdade. Investir em formação técnica na ponta seja em aldeias, zona rural ou centros urbanos é garantir dignidade e quebrar ciclos de invisibilidade”, acrescenta o secretário, reforçando que o curso é também uma estratégia de reparação social.
As atividades ocorrerão no Plenário Wanderley José Bertê, na Câmara Municipal de Brasnorte cedido pelos vereadores para garantir espaço adequado a conteúdos teórico-práticos e dinâmicas de grupo. Cada participante receberá certificação oficial da ESP‑MT, agregando valor institucional e profissional à ação.
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Projeto de jiu-jitsu fortalece protagonismo e identidade cultural de estudantes indígenas
A Escola Estadual Indígena Tapurá Irantxe, localizada no município de Brasnorte, tem promovido a integração entre educação, esporte e valorização cultural por meio do Projeto Tamukan. A iniciativa utiliza o jiu-jitsu como ferramenta de formação para estudantes, profissionais da educação e membros da comunidade do povo Manoki.
Desenvolvido no ambiente escolar, o projeto busca incentivar hábitos saudáveis, fortalecer a saúde física e mental, promover a defesa pessoal e contribuir para a prevenção da violência. A iniciativa também reforça a valorização da identidade cultural indígena, ampliando as oportunidades de desenvolvimento para crianças e jovens da comunidade.
Reconhecida como a primeira equipe indígena de jiu-jitsu de Mato Grosso, o Projeto Tamukan tem se consolidado como um espaço de aprendizagem, disciplina e fortalecimento do protagonismo juvenil. As atividades são realizadas sob orientação técnica do professor Felipe Tamuxi e contam com o apoio da gestão escolar.
De acordo com o diretor da unidade, Edivaldo Mampuche, o projeto nasceu da necessidade de oferecer aos jovens uma oportunidade de crescimento na própria comunidade. Ele destaca que, desde o início, a escola busca unir esporte, educação e cultura, fortalecendo valores como disciplina, responsabilidade e respeito, sem perder a conexão com as tradições do povo Manoki.
“Nosso objetivo, ao implantar o projeto, foi oferecer aos estudantes uma oportunidade de prática esportiva na comunidade, evitando deslocamentos e garantindo mais segurança para eles. Ao mesmo tempo, buscamos construir uma iniciativa que fortalecesse a disciplina, o compromisso com os estudos e a participação dos jovens nas atividades culturais e comunitárias”, disse.
Ainda segundo ele, “o jiu-jitsu tem se mostrado uma importante ferramenta de formação, contribuindo para o fortalecimento da identidade do povo Manoki e para o desenvolvimento dos estudantes”, completou o diretor.
Os resultados obtidos pelos atletas em competições esportivas refletem o trabalho desenvolvido ao longo do ano. Na etapa Norte do Campeonato Mato-grossense de Jiu-jitsu 2026, realizada na última semana, entre os dias 30 e 31 de maio, em Sorriso, a equipe conquistou sete medalhas: uma de ouro, uma de prata e cinco de bronze.
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