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Climatério: como as mudanças dessa fase podem impactar os relacionamentos

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Por Fernando Cruz

O climatério é uma fase natural da vida da mulher, mas ainda cercada por desinformação e preconceitos. Marcado pela transição do período reprodutivo para o não reprodutivo, ele pode começar por volta dos 40 anos e se estender até depois da menopausa, provocando uma série de alterações físicas, hormonais e emocionais que influenciam diretamente a qualidade de vida e, muitas vezes, os relacionamentos afetivos.

Embora cada mulher vivencie essa etapa de maneira diferente, é comum que ocorram oscilações hormonais capazes de desencadear sintomas como ondas de calor, alterações no sono, irritabilidade, ansiedade, diminuição da libido, ressecamento vaginal e mudanças de humor. Quando esses sinais não são compreendidos, podem gerar conflitos entre o casal.

É importante destacar que muitas mulheres passam anos acreditando que estão apenas mais estressadas ou cansadas, sem perceber que esses sintomas fazem parte do climatério. Da mesma forma, seus parceiros frequentemente interpretam essas mudanças como falta de interesse, distanciamento emocional ou problemas no relacionamento, quando, na verdade, existe uma causa fisiológica por trás dessas transformações.

A sexualidade costuma ser um dos aspectos mais afetados. A redução dos níveis de estrogênio pode causar desconforto durante a relação sexual, além da diminuição do desejo em algumas mulheres. Isso não significa perda definitiva da vida sexual, mas sim a necessidade de compreender que o corpo está passando por adaptações. Com orientação médica adequada, existem tratamentos eficazes para aliviar esses sintomas e devolver conforto e prazer à vida íntima.

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Outro fator que merece atenção é o impacto emocional. Alterações hormonais podem aumentar a sensibilidade, favorecer quadros de ansiedade e, em alguns casos, contribuir para sintomas depressivos. Somam-se a isso outros desafios comuns dessa etapa da vida, como filhos saindo de casa, maior responsabilidade profissional, envelhecimento dos pais e preocupações com a própria saúde. Todo esse conjunto pode aumentar a sobrecarga emocional.

Quando não existe diálogo, esses fatores favorecem interpretações equivocadas. Pequenos conflitos podem se tornar frequentes, e a dificuldade em compreender o que está acontecendo leva muitos casais ao afastamento. Por isso, a comunicação aberta é uma das principais ferramentas para atravessar esse período de forma saudável.

É fundamental que o parceiro participe desse processo. Entender que o climatério não representa o fim da feminilidade, da sexualidade ou da capacidade de viver uma relação afetiva plena faz toda a diferença. Apoio, empatia e disposição para conversar fortalecem o vínculo e ajudam o casal a enfrentar juntos as mudanças.

Outro ponto importante é que o climatério não deve ser encarado como uma doença. Trata-se de uma fase fisiológica, que pode ser vivida com qualidade quando há acompanhamento médico e adoção de hábitos saudáveis. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, sono de qualidade, controle do estresse e acompanhamento ginecológico contribuem significativamente para reduzir os sintomas.

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Em alguns casos, a terapia hormonal pode ser indicada, sempre após avaliação individualizada. Também existem alternativas não hormonais e tratamentos específicos para sintomas como ressecamento vaginal, perda de libido e alterações do humor. O mais importante é que a mulher não normalize o sofrimento nem aceite que essa etapa seja vivida com prejuízo para sua saúde ou seus relacionamentos.

O climatério representa uma nova fase da vida, e não o seu encerramento. Com informação de qualidade, acolhimento e tratamento adequado, é possível preservar o bem-estar físico, emocional e afetivo. Quanto mais cedo a mulher reconhece os sinais e busca orientação, maiores são as chances de atravessar essa transição com equilíbrio, autoestima e qualidade de vida.

Mais do que tratar sintomas, é preciso falar sobre o climatério de forma aberta. Quando o tema deixa de ser um tabu, mulheres e seus parceiros passam a compreender que muitas dificuldades vividas nesse período têm explicação, solução e, principalmente, não precisam ser enfrentadas sozinhos.

Dr. Fernando Cruz é ginecologista na La Vieh, em Cuiabá-MT.
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Eleições 2026: a disputa não será apenas por votos, mas pela atenção

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Por Rômulo Rampini

As eleições de 2026 não vão impactar apenas o cenário político brasileiro. Elas também devem provocar uma mudança importante no custo da publicidade digital e exigirão planejamento dos empresários que dependem da geração de demanda para vender.

Quando se fala em eleição, a maioria dos empresários pensa imediatamente em política. Eu penso em atenção. E essa diferença muda completamente a forma como devemos enxergar os próximos meses.

As eleições de 2026 não serão apenas uma disputa entre candidatos. Elas também representarão uma disputa intensa pela atenção das pessoas, e isso afeta diretamente qualquer empresa que investe em publicidade digital. Não importa se você vende imóveis, equipamentos, serviços, veículos ou produtos de varejo. Se anuncia no Google, no Facebook ou no Instagram, participa do mesmo leilão de mídia das campanhas eleitorais.

Esse é o ponto que muitos empresários ainda não perceberam. Candidatos não competem com sua empresa pelo mesmo cliente. Competem pelo mesmo espaço de atenção. Como as campanhas eleitorais trabalham com grandes orçamentos, prazos extremamente curtos e a necessidade de alcançar milhões de eleitores rapidamente, elas elevam naturalmente a concorrência dentro das plataformas de anúncios. O resultado é simples: a publicidade fica mais cara para todos.

Não se trata de uma previsão ou de uma opinião. É exatamente o que aconteceu em eleições anteriores. Em 2022, um levantamento divulgado pela CNN Brasil, com base em dados públicos do Tribunal Superior Eleitoral, mostrou que o custo por mil impressões (CPM) no Facebook saltou de R$ 5,03 para R$ 96,71 em apenas quinze dias após o início oficial da campanha eleitoral, uma alta superior a 1.800%. Em 2018 e nas eleições municipais de 2020, o comportamento foi semelhante. A história mostra que esse movimento não é exceção, mas um padrão.

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Existe ainda um fator adicional. Desde janeiro deste ano, a Meta passou a repassar diretamente aos anunciantes tributos que antes eram absorvidos pela plataforma, aumentando em aproximadamente 12,15% o custo efetivo das campanhas. Ou seja, a mídia digital já começou 2026 mais cara. Quando a publicidade eleitoral entrar em peso no leilão, esse aumento estrutural tende a se somar à pressão natural provocada pela disputa por atenção.

Outro ponto que merece reflexão é a polarização. Não pretendo discutir esquerda, direita ou qualquer posicionamento ideológico. O alerta é outro. Em anos eleitorais, os consumidores ficam mais sensíveis e passionais. Antes de transformar a marca em um instrumento de posicionamento político, vale refletir sobre o impacto comercial dessa decisão. Empresas existem para construir relacionamentos duradouros com clientes de diferentes perfis. Em muitos mercados, preservar esse diálogo continua sendo uma decisão estratégica.

Também não podemos esquecer do conteúdo orgânico. Durante uma eleição, boa parte da atenção das pessoas migra para notícias, debates e acontecimentos políticos. Isso significa que as marcas passam a disputar um espaço muito mais concorrido, mesmo quando não estão investindo em mídia paga. Produzir conteúdo relevante deixa de ser uma vantagem e passa a ser uma necessidade.

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Na minha visão, o maior erro será esperar outubro para agir. Quando o empresário perceber que os custos aumentaram, a oportunidade de planejamento já terá passado. As melhores decisões são tomadas antes que o mercado inteiro esteja reagindo ao mesmo problema.

Aqui na agência, esse trabalho já começou. Tenho orientado meus clientes a anteciparem campanhas, revisarem seus calendários comerciais, fortalecerem suas bases de relacionamento e diminuírem a dependência exclusiva da mídia paga. Estamos ampliando estratégias de CRM, automação, WhatsApp, e-mail marketing e remarketing para que cada empresa tenha ativos próprios de comunicação e sofra menos com as oscilações do leilão das plataformas.

Se eu pudesse deixar apenas um conselho ao empresário, seria este: prepare-se agora. Revise seu orçamento de marketing, fortaleça sua base de clientes, invista em relacionamento e distribua seus investimentos com inteligência. Quem deixar para reagir quando a eleição já estiver dominando o mercado pagará mais caro pela mesma atenção. Quem se antecipar chegará ao período mais competitivo do ano com uma estratégia pronta e muito mais previsibilidade para continuar crescendo.

Rômulo Rampini é estrategista de marketing, consultor credenciado pelo Sebrae-MT e diretor da agência 3TRÊS.

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