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Abertura do Mercado da Energia
Da Assessoria
Thiago Alves Bernardes / José Rodrigues da Rocha Júnior
Como ocorre todos os anos, mais um reajuste tarifário da energia elétrica se aproxima e a expectativa é de: qual será a decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL, principalmente para o atual cenário do Corona Vírus.
Todos os anos, no dia 8 de abril, as tarifas de energia elétrica dos consumidores em Mato Grosso são alteradas pelos processos de reajustes e revisões tarifárias. Em situações excepcionais, podem ocorrer alterações em datas diferentes.
Recentemente as alterações tarifárias aumentaram o custo da energia elétrica, o que hoje é considerado elevado. O histórico recentes das atualizações ocorridas nas tarifas dos consumidores de Mato Grosso são os seguintes: (2016 = +8,60%) (2017 = -2,10%) (2018 = +11,53%) e (2019 = +11,29%).
Com a simples soma, percebe-se que a tarifa aumentou cerca de 30% nos últimos 4 anos. Vale destacar que os índices representam os efeitos médios de cada processo tarifário. Cada classe de consumo (residencial, rural, comercial, dentre outros) possui um efeito próprio.
É inegável que o custo da energia elétrica tem pesado no bolso dos consumidores. Desta forma, um olhar mais profundo sobre a composição deste custo é necessário. Atualmente o valor da conta paga pelo consumidor é composta de 10,70% de Encargos Setoriais, 29,00% de Tributos, 24,90% de Distribuição, 4,10% de Transmissão, 31,30% de Geração da Energia
Quase 40% da conta de energia elétrica são tributos e encargos setoriais, ou seja, são acessórios e não interferem diretamente no processo para consumo de energia elétrica, que depende efetivamente dos serviços de geração, transmissão e distribuição.
Entretanto, no cenário econômico que o país passa, não é crível imaginar que o Governo irá abrir mão de uma arrecadação tão importante e efetiva, como são os tributos e encargos setoriais sobre a energia elétrica.
Porém, é importante ressaltar que o custo mais elevado em toda essa cadeia é o da compra da energia. Nesse sentido, surge a ideia de abertura do mercado. A livre concorrência para aquisição de energia elétrica, por meio de algumas iniciativas.
Atualmente, grande parte dos consumidores não tem liberdade para escolherem de quem comprar energia elétrica. São obrigados a adquirir a energia das distribuidoras que possuem contrato com a Aneel.
Segundo estudo da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia Elétrica – ABRACEEL, a economia gerada pelo mercado livre de energia em 2019 foi de 34%. Ou seja, o mercado livre de energia representa, de fato, uma redução na conta de energia elétrica. Logo, isso precisa ser expandido para chegar ao consumidor residencial, rural, comercial, dentre outros.
No final de 2019, o Governo Federal, por meio da Portaria 465/2019 do Ministério de Minas e Energia – MME, aprovou novas etapas para a abertura do mercado de energia. Porém, está prevista uma redução gradual da carga necessária para participação do mercado livre de energia elétrica. De modo que em 2023 os consumidores com carga acima de 500 kW poderão fazer parte do mercado livre sem restrição alguma.
Essa Portaria ainda estabelece que a ANEEL e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE, deverão fazer estudos para possibilitar a abertura do mercado para consumidores com carga menor que 500 kW a partir de 2024.
De forma paralela à abertura estipulada pelo MME, existe um Projeto de Lei do Senado – PLS n° 232/2016 que, em resumo, prevê que em um prazo de 42 meses após a sanção da lei, todos os consumidores, independentemente da carga ou da tensão utilizada, poderão optar pelo mercado livre. O PLS apresenta um cenário mais favorável aos consumidores de energia elétrica, pois teriam o acesso ao mercado livre de energia num espaço de tempo menor do que o previsto na portaria da MME.
O projeto trata do novo marco regulatório do setor elétrico e prevê, ainda, a redução de subsídios arcados pelos consumidores de energia elétrica. O PLS está em trâmite no Senado Federal e, assim que os senadores aprovarem o texto final, deverá ser encaminhado para a Câmara dos Deputados.
A abertura do mercado livre de energia trará, sem dúvidas, benefícios econômicos relevantes aos consumidores, com reduções significativas em suas despesas com energia elétrica. Algo semelhante a abertura do mercado da telefonia está prestes a ocorrer. Como contrapartida, exigirá um conhecimento melhor dos consumidores sobre esse mercado.
Atualmente, muitos consumidores desconhecem a composição da tarifa, seus direitos e deveres. Com a abertura do mercado livre de energia, os consumidores serão forçados a se inteirar melhor para conseguirem, de fato, a tão almejada redução na sua conta de energia elétrica.
*Thiago Alves Bernardes é Engenheiro Eletricista e Advogado, Coordenador Regulador de Energia da Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Estado de Mato Grosso – AGER/MT
*José Rodrigues Rocha Junior é Advogado, Pós Graduado em Direito Constitucional, Administrativo e Tributário, Diretor Regulador de Ouvidoria da Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Estado de Mato Grosso – AGER/MT
artigos
O dever da Religião
Por Paiva Netto
Declarei ao ilustre jornalista italiano radicado no Brasil Paulo Rappoccio Parisi (1921-2016), na entrevista concedida a ele em 10 de outubro de 1981, que é dever da Religião proclamar a existência do Espírito imortal e efetivar os resultados práticos desse indispensável conhecimento na reforma do planeta.
Eis o pragmatismo que, por força da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo, o Brasil oferece à humanidade, pois tais noções amadurecerão a consciência dos povos para a realidade espiritual de que ninguém consegue permanentemente escapar. Não se pode eternamente impedir a manifestação daquilo que nasce com o ser humano,
mesmo quando ateu: o sentido de Religiosidade que se expressa das mais variadas formas. Para além do debatido determinismo histórico, trata-se, acima de tudo, do Determinismo Divino, de que nos falava Alziro Zarur. Antes que fatalmente a Ciência conclua, em laboratório, sobre a perenidade da vida, cumpre à Religião não só abordar com maior objetividade a existência do Espírito após a morte, mas concomitantemente pesquisar o Mundo ainda Invisível.
Parceria Céu e Terra
Ora, a morte não deve ser motivo de assombro nem ser tratada com desdém ou negligência. Diante da eternidade da vida, é essencial extrair seus preciosos aprendizados, que ajudaram a moldar os destinos da humanidade, contribuindo para sua continuação até aqui. Esse intercâmbio entre Terra e Céu, Céu e Terra, quando estabelecido com as forças do Bem, nos dá confiança na vida. Contar com a cooperação bendita daqueles que nos antecederam na jornada espiritual, sabendo que estão mais vivos do que nunca, incentivando-nos a boas ações, no cumprimento de nossas tarefas prometidas antes de aqui renascer, é parceria infalível.
Há décadas, preconizo que o ser humano não é somente sexo, estômago e intelecto, isto é, um saco de sangue, ossos, músculos e nervos, apenas jungido às limitadoras perspectivas do plano material. Reduzi-lo a isso é promover a cultura do fedor. A morte não é o fim; a vida é perpétua. E o Espírito é suprema realidade.
José de Paiva Netto é jornalista, radialista e escritor – [email protected] — www.boavontade.com
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