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Mato Grosso em Alerta: Bombeiros combatem dezenas de incêndios florestais no estado

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Foto: José Medeiros | Arquivo

O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) mantém uma intensa mobilização para combater os múltiplos focos de incêndios florestais que assolam diversas regiões do estado. Nas últimas 24 horas, as equipes conseguiram extinguir dois grandes incêndios e controlar outros seis, enquanto 31 frentes de fogo permanecem ativas e sob intervenção direta dos bombeiros e de forças aliadas.

Os incêndios extintos foram registrados nos municípios de Dom Aquino e Tesouro, demonstrando a eficácia da resposta rápida das equipes. Já os focos controlados, ou seja, contidos dentro de um perímetro seguro e sem risco iminente de propagação, estão localizados em Itiquira, Cláudia, Nova Maringá, Cáceres, Vila Bela da Santíssima Trindade e Pontes e Lacerda.

Batalha contínua em frentes estratégicas

Apesar dos avanços, o cenário ainda é desafiador. Em Vila Bela da Santíssima Trindade, seis focos de incêndio exigem atenção contínua. Em Barra do Garças, o combate se concentra em duas áreas críticas: a Serra do Roncador e o Parque Estadual da Serra Azul. Nestes locais, a complexidade da operação demanda uma robusta estrutura, incluindo o uso estratégico de aeronaves, helicópteros, maquinários pesados, caminhões-pipa e a atuação conjunta de bombeiros militares, brigadistas, militares do Exército e voluntários.

Na Serra do Roncador, três aeronaves têm sido cruciais para o controle das chamas, com as frentes leste, sul e oeste já sob controle, enquanto as equipes trabalham para erradicar os focos remanescentes. No Parque Estadual Serra Azul, a situação também é grave, com duas aeronaves já somando 42 horas de voo e despejando impressionantes 351 mil litros de água diretamente sobre as áreas afetadas. Um helicóptero auxilia na infiltração de equipes em terrenos de difícil acesso.

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Outros municípios como Dom Aquino, Juína e Chapada dos Guimarães também enfrentam dois focos ativos cada. Registros de incêndios em andamento são monitorados e combatidos em Guarantã do Norte, Marcelândia, Peixoto de Azevedo, Novo Mundo, Tangará da Serra, Alta Floresta, Cáceres, São Félix do Araguaia, Tesouro, Colniza, Sinop, Nova Ubiratã, Rosário Oeste, Novo Santo Antônio, Paranatinga, Acorizal e Cláudia, onde as equipes mantêm o esforço para conter as chamas.

Apoio integrado e monitoramento constante

As operações contam com o suporte essencial do Grupo de Aviação Bombeiro Militar (GAvBM), da Defesa Civil do Estado, do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) e da Polícia Militar, garantindo uma resposta ágil e coordenada.

Paralelamente ao combate, o CBMMT realiza o monitoramento de 107 focos de calor ativos em todo o estado. Destes, 84 são classificados como incêndios florestais, enquanto 23 correspondem a queimadas irregulares.

Fogo em Terras Indígenas e Operação Infravermelho

A situação nas terras indígenas também é preocupante, com 17 eventos de fogo registrados. Quatro focos foram detectados na Terra Indígena Marechal Rondon (Paranatinga); três na Terra Indígena Zoró (Rondolândia); e dois em cada uma das Terras Indígenas Sangradouro/Volta Grande (Poxoréu) e Parque Indígena do Xingu (Gaúcha do Norte e Nova Ubiratã). Outras áreas como Sararé, Roosevelt, Parabubure, Areões, Nambikwara e São Domingos também apresentam focos. O combate nessas áreas é de responsabilidade de órgãos federais, e o CBMMT aguarda acionamento.

Os 23 focos de calor decorrentes de uso irregular do fogo são alvo da “Operação Infravermelho”. A partir da Sala de Situação Central, no Batalhão de Emergências Ambientais (BEA) em Cuiabá, imagens de satélite e outras tecnologias são empregadas para identificar e fiscalizar áreas com risco de incêndio ou onde o fogo foi iniciado ilegalmente, visando a prevenção e a responsabilização dos infratores.

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Balanço e Alerta à População

Desde o início do período proibitivo do uso do fogo, o Corpo de Bombeiros já extinguiu diretamente 201 focos ativos, englobando incêndios florestais e queimadas irregulares em diversos municípios. A extensão geográfica do problema é vasta, afetando praticamente todas as regiões do estado.

Conforme dados do Programa BDQueimadas do INPE, Mato Grosso registrou 340 focos de calor nas últimas 24 horas, sendo 179 no Cerrado, 141 na Amazônia e 20 no Pantanal, o que reforça a dimensão do desafio. É importante ressaltar que um foco de calor isolado não é necessariamente um incêndio florestal, mas a concentração de diversos focos na mesma área indica a presença de um incêndio.

O CBMMT reitera o alerta à população sobre a proibição do uso do fogo para limpeza e manejo de áreas rurais. No Pantanal, a proibição vai de 1º de junho a 31 de dezembro. Nas regiões da Amazônia e do Cerrado, o período proibitivo teve início em 1º de julho e se estende até 30 de novembro. Em áreas urbanas, o uso do fogo é proibido durante todo o ano.

Em caso de qualquer indício de incêndio florestal, a população deve denunciar imediatamente pelos números 193 (Corpo de Bombeiros) ou 190 (Polícia Militar), contribuindo para a proteção da vida, das propriedades e do meio ambiente.

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CPT lança relatório e expõe avanço dos conflitos no campo em Mato Grosso

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A Comissão Pastoral da Terra de Mato Grosso (CPT-MT) lança nesta terça-feira (19), em Cuiabá, o relatório “Conflitos no Campo Brasil 2025”, publicação que traça um retrato da questão agrária no estado e no país. O evento será realizado às 19h, no auditório da Faculdade de Administração e Ciências Contábeis da Universidade Federal de Mato Grosso, e ocorre em meio a dados que mostram crescimento das tensões no meio rural mato-grossense.

Levantamento do Centro de Documentação Dom Tomás Balduino, da própria CPT, aponta que Mato Grosso registrou 63 conflitos no campo ao longo do último ano, envolvendo quase 54 mil pessoas. A maior parte das ocorrências está ligada às disputas por terra, com 53 casos e impacto direto sobre 11.841 famílias. Entre os grupos mais atingidos aparecem assentados, posseiros e comunidades quilombolas.

Outro dado que chama atenção no relatório é o volume de registros de pistolagem. Foram contabilizadas 200 ocorrências relacionadas a ameaças, intimidações e presença de grupos armados em áreas de conflito. Também houve avanço expressivo nas ameaças de despejo judicial, que chegaram a 4.701 casos, alta superior a 300% na comparação com o ano anterior. Nesse recorte, a CPT considera as situações em que famílias vivem sob risco iminente de remoção por decisão da Justiça.

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A região Norte do estado concentra a maior parte dos municípios com registros de conflitos, somando 26 cidades. O número representa aumento de 36,8% em relação a 2024. No total, Mato Grosso fechou o ano com 48 municípios envolvidos em conflitos no campo, crescimento de 14,3% no comparativo anual.

O relatório também destaca o cenário do trabalho escravo contemporâneo. Em 2025, Mato Grosso liderou o país em número de pessoas resgatadas em condições análogas à escravidão. Foram duas ocorrências registradas, que resultaram na libertação de 606 trabalhadores submetidos a condições degradantes, jornadas exaustivas e restrição de direitos básicos.

O caso mais grave ocorreu em Porto Alegre do Norte, onde 586 pessoas foram resgatadas durante a construção de uma usina de etanol. A outra ocorrência foi registrada em Nova Maringá, com o resgate de 20 trabalhadores que atuavam no corte e empilhamento de madeira na Fazenda Eliane Raquel e Quinhão.

As disputas por água também seguiram em alta em Mato Grosso. Segundo a CPT, foram oito ocorrências em 2025, atingindo diretamente 1.491 famílias. Os conflitos envolvem, principalmente, acesso e uso de recursos hídricos em áreas pressionadas pela expansão agrícola, barramentos, contaminação e restrições impostas a comunidades tradicionais e pequenos produtores.

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No cenário nacional, o relatório mostra redução de 28% nos registros gerais de conflitos no campo, que passaram de 2.207 em 2024 para 1.593 em 2025. Apesar da queda no total de ocorrências, a violência contra povos e comunidades tradicionais permaneceu intensa. O número de assassinatos no campo dobrou no período, saindo de 13 para 26 vítimas. Também houve crescimento dos casos de trabalho escravo rural e do número de trabalhadores resgatados.

Com a divulgação do relatório em Cuiabá, a CPT volta a colocar em evidência a pressão vivida por comunidades do campo, ao mesmo tempo em que reforça o alerta para a persistência da violência agrária em Mato Grosso, estado que segue entre os principais focos de tensão fundiária e exploração laboral no país.

Veja AQUI o relatório

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