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O tempo se encarrega de jactanciosos
Por Claiton Cavalcante
Com a posse dos atuais prefeitos tenho percebido uma enxurrada de reclamações desses para com aqueles que deixaram o posto onde a maioria das reclamações se fundamentam no atributo da comparação. Comparar não é uma tarefa simples, pois a verdadeira comparação só é válida quando se analisa grandezas semelhantes.
Muitas pessoas afirmam, com grande convicção, que determinadas figuras do esporte, da política ou de qualquer outra área são as melhores. No automobilismo, Ayrton Senna é frequentemente endeusado como o maior piloto que já existiu. No futebol, Pelé e Maradona são considerados por muitos os melhores jogadores da história. Na política, Getúlio Vargas e Brizola são lembrados por terem sido líderes sempre a frente de seu tempo.
O grande problema ao tentar estabelecer um “melhor de todos os tempos” é que cada atleta, político ou profissional reinou em momentos diferentes, sob condições distintas e realidades incompatíveis para uma comparação justa.
Um princípio fundamental na estatística é comparar grandezas semelhantes, pois garante que estamos fazendo análises válidas e significativas. Isso envolve comparar, por exemplo, a taxa de crescimento usando a mesma unidade de tempo ou medir ações governamentais empregando as mesmas técnicas, condições e poder econômico. Essas práticas asseguram que as conclusões tiradas sejam precisas e relevantes. Caso contrário é só falácia.
No automobilismo, Ayrton Senna seria realmente superior a nomes como Michael Schumacher, Lewis Hamilton ou Niki Lauda? Senna brilhou em uma época em que a tecnologia dos carros era menos avançada eletronicamente e a pilotagem exigia habilidades diferentes das atuais. Schumacher dominou uma fase em que a estratégia e a capacidade de se adaptar às novas regras eram fundamentais. Hamilton, por sua vez, provou ser um craque da constância em uma época dominada pela alta tecnologia e telemetria avançada.
Se colocássemos Senna com os outros três gigantes, com a mesma idade, condições e em carros idênticos, quem sairia vencedor? A resposta é incerta, pois cada um foi o melhor dentro de seu tempo e contexto.
O mesmo raciocínio vale para o futebol. Pelé jogou em uma época em que os sistemas defensivos eram mais ingênuos, a preparação física era menos intensa e os campos tinham condições precárias. Maradona brilhou em um período de grande rivalidade e enfrentou marcadores extremamente agressivos. Cristiano Ronaldo é expoente de uma época na qual a ciência do esporte avançou consideravelmente, elevando a performance física e técnica a patamares, até então nunca visto, basta assistir o “Robozão”, aos quarenta anos, jogando em altíssimo nível.
Se todos jogassem juntos, sob as mesmas condições, inclusive de idade, quem seria o melhor? Mais uma vez, é impossível responder com certeza.
Agora na política, que foi onde começamos lá no primeiro parágrafo do texto. Essa tendência também se repete. Assim como no esporte, cada governante enfrenta desafios específicos de sua época.
Prefeitos, governadores e presidentes frequentemente se autoproclamam melhores que seus antecessores, sem considerar que cada um governou sob cenários econômicos, sociais e tecnológicos distintos. Um governante pode ter enfrentado uma crise econômica severa, enquanto outro administrou em tempos de crescimento. Basta lembrar da era de bonança do primeiro governo Lula e a grave crise da pandemia enfrentada pelo governo Bolsonaro.
Além disso, as ferramentas de gestão, o acesso à informação e as expectativas da população mudam ao longo do tempo, tornando as comparações superficiais e, muitas vezes, imprecisas, pois comparações realizadas apenas no calor das emoções, são apenas achismo infundado.
Aliás, o ditado diz que se casou com a viúva, assume o filho. Portanto, é melhor trabalhar mais para corrigir as imperfeições e comparar menos. E para os que anoitecem e amanhecem comparando, o alemão Nietzsche falou sobre a inutilidade e os perigos das comparações, alertando que a constante comparação com os outros pode nos afastar de nosso verdadeiro potencial e autoconhecimento.
Portanto, a busca pelo “melhor de todos os tempos” é boboca porque ignora que a grandeza de um indivíduo está ligada ao contexto em que ele viveu e atuou. O razoável é reconhecer os méritos de cada um dentro de seu tempo e circunstâncias, sem tentar estabelecer um ranking entre ambos que, no fim das contas, é sempre subjetivo, dado que quem compara, na maioria das vezes, desconhece princípios estatísticos.
Enfim, o bom vale a pena ser lembrado. A recíproca não é verdadeira, em que pese, Ruy Barbosa afirmar que lucram com a desordem os governos desacreditados.
Claiton Cavalcante é membro do Instituto dos Contadores do Brasil e da Academia Mato-Grossense de Ciências Contábeis.
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Futuro Mineral
Por Pamela Alegria
Mato Grosso é, por natureza, uma potência. Se consolidamos nossa força global através do agronegócio, o subsolo mato-grossense agora clama por um protagonismo equivalente. Como advogada especializada em Direito Minerário e entusiasta do setor — caminho este que me levou a idealizar a Expominério —, acompanho com entusiasmo e senso de urgência a tramitação do Projeto de Lei nº 1952/2025 na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT).
A proposta, de autoria do deputado estadual Max Russi, não é apenas uma formalidade burocrática; é o alicerce da Política Estadual de Geologia, Mineração e Transformação Mineral. Mais do que isso, o projeto institui o Sistema e o Conselho Estadual de Recursos Minerais, ferramentas que prometem tirar Mato Grosso de uma posição de “expectativa” para a de “referência mundial” em gestão e governança mineral.
O potencial geológico de Mato Grosso é vasto e diversificado, abrangendo desde o ouro e o diamante até minerais críticos para a transição energética e fertilizantes essenciais para o próprio agro. No entanto, o crescimento desse setor sempre esbarrou na fragmentação de dados e na ausência de uma política de Estado perene. E essa proposta preenche uma lacuna ao criar o Conselho Estadual de Recursos Minerais. Para o setor produtivo, um órgão colegiado permite que o diálogo entre o poder público, a iniciativa privada e a sociedade civil seja técnico e transparente. Do ponto de vista jurídico, isso se traduz na tão sonhada segurança jurídica, essencial para atrair investimentos de longo prazo. Para o cidadão, significa fiscalização rigorosa e sustentabilidade real.
Um dos pontos mais louváveis da proposta é o foco na “Transformação Mineral”. Historicamente, o Brasil — e Mato Grosso não foge à regra — exporta minério bruto e importa tecnologia e produtos manufaturados. A nova política estadual incentiva o adensamento da cadeia produtiva dentro do nosso território. Queremos que o valor agregado fique aqui. Queremos indústrias que processem nossos minerais, gerando empregos qualificados, arrecadação de impostos e desenvolvimento tecnológico local.
A mineração moderna, que defendemos na Expominério, é aquela que caminha lado a lado com a sustentabilidade e a inovação tecnológica. O projeto de lei entende que a mineração não termina na boca da mina; ela começa ali um ciclo de prosperidade para o Estado. Por isso, a criação de um Sistema Estadual de Geologia permitirá um mapeamento detalhado do nosso solo. Conhecimento é poder: saber exatamente o que temos e onde temos permite um planejamento urbano, logístico e ambiental muito mais eficaz, evitando conflitos de uso do solo e otimizando a infraestrutura necessária para o escoamento da produção.
Estamos diante de uma oportunidade histórica. A aprovação deste PL sinaliza que Mato Grosso está pronto para ser o novo gigante da mineração sustentável no Brasil. É um convite para que mineradoras de todos os portes vejam o estado como um ambiente seguro, moderno e desburocratizado. Como operadora do Direito e defensora do setor, entendo que a mineração é a “indústria das indústrias”. Tudo o que nos cerca — da tecnologia no campo à construção civil — depende dela. Este projeto é o passaporte para que Mato Grosso diversifique sua matriz econômica com responsabilidade e inteligência.
Ao votarem favoravelmente a esta legislação, os parlamentares da ALMT não estarão apenas aprovando um texto legal, mas garantindo que a riqueza do nosso subsolo se transforme em bem-estar social, infraestrutura e orgulho para todos os mato-grossenses. O futuro é mineral, e Mato Grosso finalmente está assumindo as rédeas desse destino.
Pamela Alegria é advogada especialista em Direito Minerário e uma das idealizadora da Expominério
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