BRASIL E MUNDO
Israel aprova lei que proíbe atividades da Unrwa, gerando preocupações internacionais
Em uma decisão controversa, o Knesset, o Parlamento de Israel, aprovou um projeto de lei que proíbe as operações da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (Unrwa) em todo o território israelense, incluindo Jerusalém Leste, área ocupada e anexada por Israel desde 1967. A votação resultou em 92 votos a favor e 10 contra, refletindo um apoio majoritário à medida.
As tensões entre Israel e a Unrwa não são novas, mas se intensificaram após o início do conflito em Gaza. O governo israelense acusa a agência de ter funcionários envolvidos no ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro, o que levou a um aumento nas críticas à Unrwa.
Durante a apresentação do projeto, o deputado Yuli Edelstein destacou a suposta conexão entre a Unrwa e o Hamas, afirmando que Israel não pode tolerar tal associação.
Reações Internacionais
A aprovação do projeto gerou reações significativas de aliados ocidentais de Israel. O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Matthew Miller, expressou preocupações profundas sobre a proposta e pediu para o governo israelense reconsiderar sua decisão.
No Reino Unido, o chefe da diplomacia, David Lammy, lamentou a decisão do Parlamento israelense, afirmando que as alegações contra os funcionários da Unrwa foram investigadas minuciosamente e não justificam o rompimento das relações.
Além disso, o Conselho de Segurança da ONU alertou Israel em 10 de outubro sobre a aprovação da lei, ecoando preocupações semelhantes expressas pelo secretário-geral da ONU, António Guterres.
O Conselho de Segurança da ONU está programado para se reunir na segunda-feira para discutir a situação no Oriente Médio, após um pedido do Irã. Em um esforço para aliviar as tensões, o presidente egípcio propôs uma trégua de dois dias na Faixa de Gaza, visando permitir a libertação de reféns detidos no território palestino.
A decisão do Knesset e as reações subsequentes destacam as complexas dinâmicas políticas e diplomáticas em jogo, enquanto a comunidade internacional continua a monitorar de perto os desdobramentos na região.
BRASIL E MUNDO
França e Canadá buscam aliança estratégica contra instabilidade global e pressões econômicas
Em um encontro realizado nesta sexta-feira, 12 de junho, em Paris, o presidente francês Emmanuel Macron e o primeiro-ministro canadense Mark Carney defenderam a união das democracias ocidentais frente a um cenário internacional marcado por fragmentação e disputas de poder. Em declaração conjunta, os líderes enfatizaram que a cooperação entre Europa e Canadá é vital para enfrentar desafios como coerção econômica, interferências externas e guerras de informação.
Durante o pronunciamento, Macron destacou que a ordem global atravessa um momento crítico, com o retorno de conflitos geopolíticos que desafiam regras estabelecidas. Sem citar nominalmente o presidente americano Donald Trump, o líder francês fez referências claras ao impacto das políticas protecionistas e unilaterais vindas de Washington, que têm gerado atritos com aliados tradicionais. Macron reforçou que França e Canadá compartilham valores fundamentais, como o respeito ao Estado de Direito, o combate às mudanças climáticas e a confiança na ciência.
O encontro ocorre às vésperas da cúpula do G7, agendada para os dias 15 a 17 de junho em Évian, na França. O evento deve reunir as principais economias do mundo em um ambiente de alta rivalidade entre as grandes potências. Nesse contexto, a aproximação franco-canadense visa acelerar parcerias em setores estratégicos, incluindo inteligência artificial, energia nuclear civil, minerais críticos e defesa.
Na área militar, Macron defendeu que a convergência política deve se transformar em cooperação industrial prática e sustentável. O movimento ganha peso após o recente encerramento de projetos conjuntos entre França e Alemanha para o desenvolvimento de caças. Pelo lado canadense, Mark Carney reafirmou a proximidade política com os parceiros europeus, em um momento em que Ottawa enfrenta tensões crescentes com os Estados Unidos, exacerbadas por declarações recentes de Trump que sugeriram, de forma provocativa, a anexação do país vizinho.
A iniciativa de Paris e Ottawa é vista por analistas como um esforço para diversificar alianças e fortalecer o multilateralismo. Ao buscar maior integração com a Europa, o Canadá tenta reduzir sua dependência diplomática e econômica em relação ao governo americano, enquanto a França busca consolidar um bloco democrático capaz de agir com autonomia e firmeza no tabuleiro global.
*Com Agências
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