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Projeto auxilia famílias na produção e venda de alimentos orgânicos em Poconé
Equipe do Instituto Somos do Minério foi à campo na última sexta-feira (06.05), conhecer projeto de extensão da UFMT, junto à pequenos agricultores do Assentamento Agroana Girau, em Poconé (MT)
O consumo de alimentos orgânicos está se tornando cada vez mais popular devido aos benefícios para a saúde e para o meio ambiente. Não só isso, o sistema de agricultura orgânica promove uma produção social e economicamente sustentável, pois recorre ao uso de adubo orgânico e sistemas de rotação de culturas, técnicas indispensáveis para o sucesso da produção sem defensivos agrícolas.

Em Mato Grosso, a técnica da produção orgânica de alimentos vem ganhando força por parte de pequenos agricultores moradores do Assentamento Agroana Girau, na zona rural do munícipio de Poconé (104 km de Cuiabá), região do Pantanal mato-grossense.
Apoiados pelo projeto de extensão da Faculdade de Economia, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que presta auxílio através de vários departamentos, como de nutrição, agronomia e engenharia florestal, famílias integrantes da Associação Núcleo São João produzem hortaliças, frutas e legumes de forma original, sem uso de defensivos agrícolas.
Depois de todo processo de produção, os moradores montam cestas com mais de 10 itens desses alimentos, que são vendidos aos consumidores da capital, Cuiabá. A iniciativa pretende aumentar a produtividade e o alcance dos consumidores a esse tipo de produto.

O projeto recebeu a visita da equipe do Instituto Somos do Minério, entidade sem fins lucrativos, que apoia e incentiva as boas práticas socioambientais, na última sexta-feira (06.05).
Coordenador do projeto de extensão, o prof. dr. Alexandro Rodrigues Ribeiro, da Faculdade de Economia, explica que a ação surgiu da necessidade de oferecer um meio para que os pequenos agricultores pudessem se autossustentar e garantir a sobrevivência de suas famílias e da comunidade onde estão inseridos, utilizando técnicas originárias, de preservação do solo, através do sistema agroflorestal (SAF).
“No sistema agroflorestal existe um equilíbrio, com múltiplas culturas no mesmo ambiente, ou seja, várias espécies interligadas, que com o tempo, formam uma floresta. A produção nesse caso é natural, sem a utilização de defensivos agrícolas, porque tudo é no seu tempo”, ressalta.
Segundo o prof. Alexandro, nesse modelo, os agricultores têm um pouco mais de trabalho do que no modelo convencional, porém, não precisam contratar mão-de-obra, eles mesmos realizam as atividades, sendo que a rentabilidade é um pouco maior e o benefício ambiental, gigantesco.
Para o presidente do Instituto Somos do Minério, Roberto Cavalcanti, o projeto é louvável, pois contribui com a sustentabilidade no âmbito da agricultura familiar, promove a rentabilidade aos moradores e exerce forte papel na preservação e conservação ambiental.
“Nós estamos juntos com a universidade, dispostos a também ajudar a comunidade, retribuindo aquilo que eles oferecem a nós. Esse é o pensamento do Instituto Somos do Minério, juntos, de mãos dadas, vamos auxiliar para que esse projeto prospere cada vez mais”, destacou o presidente da entidade.
Agricultura orgânica
Alface, couve, hortelã, abacaxi, dentre outras variedades de hortaliças, legumes e frutas, convivem juntas em parte da plantação de cerca de 28 hectares da pequena agricultora Josenil Vasconcelos Estral, moradora da região Barrosa, integrante da Associação Núcleo São João, no Assentamento Agroana Girau.
Sem adição de defensivos agrícolas, Nil, como é conhecida, diz sentir orgulho da produção orgânica, muito mais saudável para o consumo e para o meio ambiente. Ela também afirma que sem a iniciativa da UFMT, seria inviável manter a produção orgânica, muito menos expandir o produto para comercialização na capital.
“Somos os únicos desse lado da Agroana que trabalham com a produção orgânica, do outro lado, é no modo convencional. Para nós, esse projeto da UFMT é um diferencial, é o nosso braço, sem eles não conseguiríamos expandir o nosso produto. Além disso, o consumo orgânico é um estilo de vida saudável, o consumidor sabe o que está consumindo”, conta a agricultora.
Josenil também é uma das responsáveis pela montagem das cestas orgânicas, fazendo a lista com os produtos que irão compor o recipiente. Todos os agricultores associados, membros do projeto participam da composição das cestas com os alimentos selecionados de suas plantações.
Na última remessa vendida aos consumidores, 11 itens fizeram parte da cesta, composta por mandioca, batata-doce, limão, mamão, feijão catado, alface, couve, rúcula, cebolinha, quiabo e abobrinha, ao custo de R$ 47.
A visita da equipe do Instituto Somos do Minério à Associação Núcleo São João contou com as presenças do presidente, Roberto Cavalcanti, da vice-presidente Andressa Carvalho, do responsável pela relação institucional da entidade, Rogério Manoel, além da equipe de comunicação.
Outras ações e projetos do Instituto Somos do Minério estão disponíveis no site: www.somosdominerio.com.br

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Articulação do TCE-MT, ALMT, Governo e Gaepe-MT destrava obra em Poconé e impulsiona política de creches em MT
Concluído a partir de articulação liderada pelo Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), o Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Frei Joaquim Tébar Fernandes, em Poconé, recebeu, nesta quarta-feira (22), a visita institucional do presidente da Comissão Permanente de Educação e Cultura (Copec), Antonio Joaquim, do vice-presidente do TCE-MT, conselheiro Waldir Teis, do procurador-geral do Ministério Público de Contas (MPC), William Brito Júnior, autoridades locais e as demais instituições que compõem o Gabinete de Articulação para a Efetividade da Política da Educação em Mato Grosso (Gaepe-MT).
A visita tira do papel uma obra iniciada há mais de 10 anos e que tem capacidade para atender aproximadamente 200 crianças. “Quando o Tribunal de Contas atua para destravar obras e orientar os gestores, quem ganha é a população. Estamos falando de crianças que passam a ter acesso à educação e de famílias que conseguem reorganizar suas vidas. Esse é o verdadeiro papel do controle externo”, destacou o presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo.
Na ocasião, Antonio Joaquim defendeu que a ampliação de vagas em creches deve ser tratada como prioridade absoluta das políticas públicas. “Estamos há três anos trabalhando para diminuir a fila de creche no estado. Já conseguimos reduzir quase 40% desse déficit e vamos continuar até zerar. Depois disso, o desafio será manter essa fila zerada.”
A unidade é a primeira de uma série de mais de 40 creches com obras retomadas no estado a partir da articulação entre o TCE-MT, Assembleia Legislativa (ALMT), os parceiros do Gaepe-MT, junto ao Governo do Estado e prefeituras.

O presidente da Copec também ressaltou o impacto do trabalho para a educação na primeira infância, defendendo que o investimento nessa etapa deve ser tratado como estratégico. “A fase de zero a seis anos é mais importante do que obras como pontes ou viadutos. É nesse período que se forma a base do desenvolvimento da criança.”
Graças à articulação entre as instituições, o investimento em creches passou a integrar o orçamento estadual. São R$ 40 milhões por ano destinados à construção e ampliação de unidades, totalizando R$ 120 milhões ao longo de três anos.
“O TCE passou a atuar de forma mais próxima dos gestores, ajudando a orientar e melhorar a implementação das políticas públicas. Não deixamos de julgar contas, mas buscamos também contribuir para que os recursos sejam melhor aplicados e gerem resultados para a sociedade”, avaliou o conselheiro Waldir Teis.
Foi o que também apontou o deputado estadual Eduardo Botelho ao reforçar o repasse de mais R$ 800 mil, por meio de emenda impositiva, para aquisição de mobiliário. “Agora o prédio estará 100% pronto, com todos os móveis e estrutura adequada para atender essas crianças com qualidade”, reforçou.
Articulação destrava obras e garante execução

Além da mobilização pelos repasses, o TCE-MT também ajudou os municípios a superarem entraves burocráticos que impediam a conclusão das unidades. Um dos exemplos foi a emissão de recomendação que deu segurança jurídica para que prefeitos utilizem, de forma concomitante, recursos federais, estaduais e municipais nas obras.
Esse conjunto de medidas abriu caminho para que projetos como o de Poconé, concluído com investimento de aproximadamente R$ 1,5 milhão, saíssem do papel e fossem entregues à população.
O prefeito Jonas Moraes contou que a edificação começou a ser erguida em 2013, mas estava paralisada devido a uma série de entraves burocráticos. “Só temos a agradecer ao TCE e aos demais membros do Gaepe-MT, que estão fazendo com que a educação deixe de ser discurso e realmente transforme a vida do cidadão.”
Segundo a secretária-adjunta de Regime de Colaboração da Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT), Adriana Tomasoni, nesta primeira etapa foram retomadas obras em 15 municípios. “É a ampliação da visão do governo de que precisamos investir nos municípios. Então, cada um tem o seu projeto, e a gente entra fomentando isso.”
Diante dos resultados, o coordenador de articulação interdisciplinar do Instituto Articule, Willer Moravia, chamou a atenção para o pioneirismo do trabalho conjunto. “Mato Grosso é o primeiro a estruturar essa política a partir do diálogo entre instituições, com governança organizada e foco na ampliação de vagas na educação infantil.”
Por sua vez, o procurador-geral do Ministério Público de Contas (MPC), Willian Brito Jr., reforçou que a entrega representa o início de uma política pública estruturada. “É resultado de um esforço coletivo para fortalecer a política da primeira infância e avançar na meta de zerar a fila no estado.”
Nova unidade amplia atendimento e muda rotina de famílias

Em funcionamento desde 2025, o CMEI Frei Joaquim Tébar Fernandes deixou de operar em um espaço improvisado e passou a contar com estrutura adequada para atendimento em período integral, beneficiando famílias de bairros como Cohab Nova, Vila Aurora, Vila Operária e regiões próximas.
“Hoje temos um espaço adequado para nossas crianças e também para os profissionais. Isso faz diferença, porque garante melhores condições de trabalho e um atendimento com mais qualidade”, destacou a diretora do CMEI, Eliane Maria de Souza.
Para as famílias, o impacto é imediato. Taíse Dantas, mãe da aluna Eloá Aycha, de 5 anos, relatou que a proximidade da unidade facilitou a rotina e permitiu conciliar o cuidado com a filha e o trabalho de cozinheira. “A creche fica perto de casa e isso ajudou muito na minha rotina. Se não tivesse, seria muito complicado trabalhar”, disse.
Já Keilane Letícia Bruno Santos relatou que, sem a creche, teria que pagar alguém para cuidar dos filhos. “Isso pesaria bastante, porque hoje eu dependo do Bolsa Família”, disse.
Para o secretário municipal de Educação de Poconé, Jean Silva, a unidade garante a ampliação do atendimento e cria condições para avançar na oferta em período integral. Ele destacou ainda que esta é uma das oito creches em funcionamento no município e apontou os próximos passos com a chegada dos novos equipamentos.
“Não estamos atendendo na totalidade por causa do mobiliário, mas agora poderemos oferecer todas as vagas que a creche comporta. Também vamos avançar no atendimento em período integral. Ainda temos uma demanda reprimida e, à medida que ampliamos a oferta, mais famílias procuram o serviço”, concluiu.
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