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Articulação do TCE-MT, ALMT, Governo e Gaepe-MT destrava obra em Poconé e impulsiona política de creches em MT
Concluído a partir de articulação liderada pelo Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), o Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Frei Joaquim Tébar Fernandes, em Poconé, recebeu, nesta quarta-feira (22), a visita institucional do presidente da Comissão Permanente de Educação e Cultura (Copec), Antonio Joaquim, do vice-presidente do TCE-MT, conselheiro Waldir Teis, do procurador-geral do Ministério Público de Contas (MPC), William Brito Júnior, autoridades locais e as demais instituições que compõem o Gabinete de Articulação para a Efetividade da Política da Educação em Mato Grosso (Gaepe-MT).
A visita tira do papel uma obra iniciada há mais de 10 anos e que tem capacidade para atender aproximadamente 200 crianças. “Quando o Tribunal de Contas atua para destravar obras e orientar os gestores, quem ganha é a população. Estamos falando de crianças que passam a ter acesso à educação e de famílias que conseguem reorganizar suas vidas. Esse é o verdadeiro papel do controle externo”, destacou o presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo.
Na ocasião, Antonio Joaquim defendeu que a ampliação de vagas em creches deve ser tratada como prioridade absoluta das políticas públicas. “Estamos há três anos trabalhando para diminuir a fila de creche no estado. Já conseguimos reduzir quase 40% desse déficit e vamos continuar até zerar. Depois disso, o desafio será manter essa fila zerada.”
A unidade é a primeira de uma série de mais de 40 creches com obras retomadas no estado a partir da articulação entre o TCE-MT, Assembleia Legislativa (ALMT), os parceiros do Gaepe-MT, junto ao Governo do Estado e prefeituras.

O presidente da Copec também ressaltou o impacto do trabalho para a educação na primeira infância, defendendo que o investimento nessa etapa deve ser tratado como estratégico. “A fase de zero a seis anos é mais importante do que obras como pontes ou viadutos. É nesse período que se forma a base do desenvolvimento da criança.”
Graças à articulação entre as instituições, o investimento em creches passou a integrar o orçamento estadual. São R$ 40 milhões por ano destinados à construção e ampliação de unidades, totalizando R$ 120 milhões ao longo de três anos.
“O TCE passou a atuar de forma mais próxima dos gestores, ajudando a orientar e melhorar a implementação das políticas públicas. Não deixamos de julgar contas, mas buscamos também contribuir para que os recursos sejam melhor aplicados e gerem resultados para a sociedade”, avaliou o conselheiro Waldir Teis.
Foi o que também apontou o deputado estadual Eduardo Botelho ao reforçar o repasse de mais R$ 800 mil, por meio de emenda impositiva, para aquisição de mobiliário. “Agora o prédio estará 100% pronto, com todos os móveis e estrutura adequada para atender essas crianças com qualidade”, reforçou.
Articulação destrava obras e garante execução

Além da mobilização pelos repasses, o TCE-MT também ajudou os municípios a superarem entraves burocráticos que impediam a conclusão das unidades. Um dos exemplos foi a emissão de recomendação que deu segurança jurídica para que prefeitos utilizem, de forma concomitante, recursos federais, estaduais e municipais nas obras.
Esse conjunto de medidas abriu caminho para que projetos como o de Poconé, concluído com investimento de aproximadamente R$ 1,5 milhão, saíssem do papel e fossem entregues à população.
O prefeito Jonas Moraes contou que a edificação começou a ser erguida em 2013, mas estava paralisada devido a uma série de entraves burocráticos. “Só temos a agradecer ao TCE e aos demais membros do Gaepe-MT, que estão fazendo com que a educação deixe de ser discurso e realmente transforme a vida do cidadão.”
Segundo a secretária-adjunta de Regime de Colaboração da Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT), Adriana Tomasoni, nesta primeira etapa foram retomadas obras em 15 municípios. “É a ampliação da visão do governo de que precisamos investir nos municípios. Então, cada um tem o seu projeto, e a gente entra fomentando isso.”
Diante dos resultados, o coordenador de articulação interdisciplinar do Instituto Articule, Willer Moravia, chamou a atenção para o pioneirismo do trabalho conjunto. “Mato Grosso é o primeiro a estruturar essa política a partir do diálogo entre instituições, com governança organizada e foco na ampliação de vagas na educação infantil.”
Por sua vez, o procurador-geral do Ministério Público de Contas (MPC), Willian Brito Jr., reforçou que a entrega representa o início de uma política pública estruturada. “É resultado de um esforço coletivo para fortalecer a política da primeira infância e avançar na meta de zerar a fila no estado.”
Nova unidade amplia atendimento e muda rotina de famílias

Em funcionamento desde 2025, o CMEI Frei Joaquim Tébar Fernandes deixou de operar em um espaço improvisado e passou a contar com estrutura adequada para atendimento em período integral, beneficiando famílias de bairros como Cohab Nova, Vila Aurora, Vila Operária e regiões próximas.
“Hoje temos um espaço adequado para nossas crianças e também para os profissionais. Isso faz diferença, porque garante melhores condições de trabalho e um atendimento com mais qualidade”, destacou a diretora do CMEI, Eliane Maria de Souza.
Para as famílias, o impacto é imediato. Taíse Dantas, mãe da aluna Eloá Aycha, de 5 anos, relatou que a proximidade da unidade facilitou a rotina e permitiu conciliar o cuidado com a filha e o trabalho de cozinheira. “A creche fica perto de casa e isso ajudou muito na minha rotina. Se não tivesse, seria muito complicado trabalhar”, disse.
Já Keilane Letícia Bruno Santos relatou que, sem a creche, teria que pagar alguém para cuidar dos filhos. “Isso pesaria bastante, porque hoje eu dependo do Bolsa Família”, disse.
Para o secretário municipal de Educação de Poconé, Jean Silva, a unidade garante a ampliação do atendimento e cria condições para avançar na oferta em período integral. Ele destacou ainda que esta é uma das oito creches em funcionamento no município e apontou os próximos passos com a chegada dos novos equipamentos.
“Não estamos atendendo na totalidade por causa do mobiliário, mas agora poderemos oferecer todas as vagas que a creche comporta. Também vamos avançar no atendimento em período integral. Ainda temos uma demanda reprimida e, à medida que ampliamos a oferta, mais famílias procuram o serviço”, concluiu.
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Diálogos Pantaneiros 2026 debate presença de microplásticos nas águas do Pantanal
Nos últimos anos, pesquisas têm mostrado que resíduos plásticos também estão presentes em ambientes aquáticos de água doce, como o Pantanal, que é uma das maiores planícies alagáveis do mundo. Para debater o tema no Mês da Água, o Diálogos Pantaneiros 2026 acontece neste sábado (21/2), em Poconé (MT), com o tema “Plástico: um estranho nas águas do Pantanal”.
O encontro entre pesquisadores, educadores, estudantes e comunidade é realizado anualmente pelo Polo Socioambiental Sesc Pantanal, iniciativa do Sistema CNC-Sesc-Senac. Com entrada gratuita, o evento será realizado das 7h às 13h, no Complexo Educacional Sesc Pantanal.
A proposta do evento é aproximar ciência e sociedade, apresentando diferentes estudos que ajudam a compreender como os resíduos plásticos chegam aos rios, quais impactos podem gerar nos ecossistemas e as soluções disponíveis diante deste cenário.
Segundo a gerente-geral do Sesc Pantanal, Cristina Cuiabália, o objetivo do Diálogos Pantaneiros é criar espaços de troca de conhecimento sobre os desafios ambientais do território.
“O Diálogos Pantaneiros foi pensado como um espaço de encontro entre diferentes saberes. Quando pesquisadores, educadores, estudantes e comunidades conversam sobre temas como a água, ampliamos a compreensão sobre o funcionamento dos ecossistemas e refletimos juntos sobre caminhos possíveis para cuidar cada vez melhor do Pantanal”, afirma.
As vagas são limitadas e as inscrições podem ser feitas pelo link https://www.sympla.com.br/evento/dialogos-pantaneiros-2026-plastico-um-estranho-nas-aguas-do-pantanal/3341675.
Resultados das pesquisas sobre microplástico
Entre os convidados está o pesquisador Pierre Girard, do Instituto de Biociências da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que apresentará resultados de estudos realizados no Rio Cuiabá e no Rio Paraguai. As pesquisas identificaram partículas plásticas tanto na água quanto nos sedimentos das praias formadas durante o período de seca, indicando que esse tipo de resíduo também está presente nos rios que integram a planície pantaneira.
Outro tema da programação será a relação entre esses materiais e a qualidade da água. O professor Ibraim Fantin da Cruz, também da UFMT, apresentará dados recentes sobre a presença de microplásticos ao longo do Rio Cuiabá e análises relacionadas a substâncias derivadas do plástico encontradas na água. As pesquisas contribuem para compreender como esses resíduos circulam ao longo da bacia hidrográfica e quais fatores podem influenciar sua presença nos rios.
A programação também inclui a participação da bióloga da UFMT, Thais de Melo, que abordará o papel do zooplâncton, organismos microscópicos que ocupam posição central na cadeia alimentar aquática. Esses organismos filtram partículas presentes na água e, por isso, ajudam os pesquisadores a compreender o funcionamento dos ecossistemas aquáticos e possíveis alterações na qualidade da água.
Durante a apresentação, a pesquisadora mostrará como estudos realizados em uma lagoa urbana de Poconé revelaram uma diversidade de espécies maior do que o esperado para um ambiente pequeno e pouco observado. A partir desse tipo de investigação, o zooplâncton pode ajudar a indicar como diferentes partículas presentes na água, incluindo microplásticos, podem interferir nos processos ecológicos e na dinâmica da cadeia alimentar aquática.
O Diálogos Pantaneiros integra as iniciativas do Polo Socioambiental Sesc Pantanal voltadas à produção e disseminação de conhecimento sobre os biomas Pantanal e Cerrado. Criado há quase 30 anos pelo Sistema CNC-Sesc-Senac, o Polo contribui diretamente para o bem-estar do trabalhador do comércio e seus dependentes por meio da conservação da biodiversidade, pesquisa científica, educação ambiental, desenvolvimento comunitário e ecoturismo, com impactos positivos na proteção do patrimônio natural e no fortalecimento das comunidades que vivem nesses territórios.
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