cultura
1º Encontro de Ceramistas reúne tradição, ancestralidade e sustentabilidade em Cuiabá
O 1º Encontro de Ceramistas de Mato Grosso reuniu, entre os dias 28 e 30 de agosto, mestres da cerâmica tradicional, artistas populares, ceramistas indígenas, pesquisadores, estudantes e interessados na preservação dessa expressão cultural. Realizado em Cuiabá, o evento promoveu debates, apresentações culturais e oficinas voltadas à valorização da arte, da tradição, da identidade e da sustentabilidade.
A programação foi organizada pelo Ponto de Cultura Mãos de Barro e pelo Instituto Ecoss. Ao longo de três dias, o encontro destacou não apenas a cerâmica como produto artístico, mas também as histórias, os territórios, as técnicas e os conhecimentos transmitidos entre gerações.
A abertura ocorreu na sexta-feira (28), na sede do Instituto Ecoss, localizada na Rua Carandaí, nº 99, no Parque Geórgia. A cerimônia contou com a apresentação do Yamurikumã, da etnia Wauja, e com manifestações de siriri e cururu da Comunidade São Gonçalo Beira Rio.
Ainda na primeira noite, foi realizada a roda de conversa “Cerâmica de Mato Grosso: saberes, identidades e memórias”. O debate reuniu mestres ceramistas, representantes indígenas, artesãos, pesquisadores e integrantes da comunidade para discutir a permanência das tradições no estado, a transmissão dos conhecimentos às novas gerações, a participação das mulheres na produção e os desafios enfrentados por quem mantém o ofício.
Representantes das tradições indígenas Karajá, Wauja e Juruna participaram das discussões, ao lado de mestres ceramistas tradicionais, artesãos e pesquisadores ligados ao patrimônio cultural e à cultura popular.
No sábado (29), o encontro teve uma programação prática com duas oficinas realizadas na sede do Instituto Ecoss. Os participantes puderam aprender técnicas de Pintura Tradicional em Cerâmica, conduzida por Eugênia Vieira Costa, de Rosário Oeste, e de Cerâmica Tradicional Indígena Wauja, ministrada por mestres da etnia Wauja.
As atividades permitiram o contato direto com diferentes formas de produção e com os conhecimentos presentes no processo de criação das peças. Cada oficina disponibilizou 15 vagas.
O encerramento ocorreu no domingo (30), no Museu de História Natural de Mato Grosso, com a roda de conversa “Cerâmica, Economia Criativa e Sustentabilidade: caminhos para o fortalecimento da produção artesanal”.
O debate abordou temas relacionados à continuidade da produção cerâmica, como o reconhecimento da atividade como patrimônio cultural, a preservação de técnicas ancestrais, a comercialização das peças, a participação em feiras, o turismo cultural, a abertura de novos mercados e a organização coletiva dos ceramistas.
Também foram discutidas práticas voltadas ao uso responsável da argila e de outros recursos naturais, métodos mais eficientes de queima, redução dos impactos ambientais e estratégias para garantir a continuidade da atividade nas próximas gerações.
Como resultado das discussões, os participantes construíram coletivamente a Carta do Encontro de Ceramistas de Mato Grosso. O documento reúne sugestões, prioridades e compromissos para fortalecer a cerâmica tradicional no estado.
A iniciativa reforçou a importância da cerâmica como instrumento de preservação da memória, geração de renda e afirmação das identidades culturais de Mato Grosso.
cultura
Emanuelle Calgaro expõe série de desenhos inspirados no cotidiano das abelhas
Emanuelle Calgaro exibe uma série de desenhos inéditos no Museu de Arte e de Cultura Popular da Universidade Federal de Mato Grosso. Intitulada “Laboriosas”, a exposição entra em cartaz no dia 4 de setembro, às 20h, e segue aberta ao público pelos próximos meses. A entrada é gratuita, e o horário de visitação é de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h.
Desta vez, a artista, premiada nacional e internacionalmente, exibe uma série inspirada na impressionante rotina das abelhas. Emanuelle as insere em contextos inusitados, sempre atribuindo aos insetos um protagonismo intrigante e singular. Ao todo, a exposição “Laboriosas” conta com 52 novos desenhos, além de poemas e colagens.
“Desenho abelhas pousadas em diferentes contextos, livres na natureza, nas colmeias, sozinhas ou acompanhadas de seus pares. Rainhas, operárias. Aproximadas ou distantes do olhar de quem observa. Foco em detalhes da estrutura do corpo, nas cores, nos pelos, nas asas, nas antenas e nos pontos de luz dos olhos, acompanhados pela geometria da colmeia, que representa trabalho, casa, lar”, explica a artista.
Sobre o processo criativo, Calgaro explica que utiliza lápis de cor de mina macia e giz pastel seco sobre papel de alta gramatura. Ela também destaca sua forte conexão com a natureza, o simbolismo da vida silvestre e as metáforas relacionadas aos enfrentamentos de seu cotidiano, elementos que contribuíram para a elaboração do conceito da exposição.
“Mergulho na realidade das abelhas, que, durante todo o processo de produção dessa série, me ensinaram sobre a frequência do trabalho, a harmonia, a organização, a dedicação e a prosperidade, bem como sobre a produtividade — às vezes fazemos demais e, em outras, não o suficiente. Elas me ensinaram sobre a ética de trabalho, mas também sobre a importância de parar e sentir o perfume das flores, quando há um tempo para apreciar o néctar da vida e um tempo para o trabalho intenso, buscando o equilíbrio entre os dois”, destaca.
Por sua vez, Aline Figueiredo, aclamada crítica de arte e animadora cultural, destaca algumas das características mais marcantes da artista, escolhida como favorita do público no Prêmio Arte Anima Latina 2024.
“Os desenhos de Emanuelle se comunicam muito bem. Os traços e as combinações de cores constatam o talento inegável de Emanuelle Calgaro, mas seus desenhos vão além da técnica. Seu trabalho nos causa uma estranha sensação de que estamos vendo uma fração da natureza em pleno espaço expositivo, e isso é incrível”, afirma Aline Figueiredo.
Emanuelle reside em Cuiabá, onde encontra inspiração para suas criações na natureza abundante de Mato Grosso.
Serviço
Abertura da exposição “Laboriosas”, de Emanuelle Calgaro
Museu de Arte e de Cultura Popular da UFMT
Sexta-feira, 4 de setembro
Às 20h
Entrada franca
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