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Comissão coordenada por Maluf é destaque no maior congresso de saúde coletiva do mundo
O protagonismo do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) na construção de soluções para a gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) ganhou projeção nacional durante o XXXIX Congresso do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), realizado em Porto Alegre (RS) nesta semana. Considerado o maior evento de saúde coletiva do mundo, o congresso reuniu cerca de 14 mil participantes.
Durante o evento, foi firmada parceria entre o Ministério da Saúde, o Instituto Rui Barbosa (IRB), a Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon) e o Tribunal de Contas do Espírito Santo (TCE-ES) para nacionalizar o uso do Painel de Monitoramento dos Planos Municipais de Saúde. A assinatura ocorreu na sétima reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), presidida pelo ministro da Saúde em exercício, Adriano Massuda.
A iniciativa integra as ações da Comissão Intersetorial em Saúde (CIS) do IRB, presidida pelo conselheiro Sebastião Helvécio e coordenada pelo conselheiro do TCE-MT, Guilherme Antonio Maluf — que preside a Comissão Permanente de Saúde, Previdência e Assistência Social (Copspas) do órgão. Sob coordenação de Maluf, a CIS vem consolidando uma agenda nacional de cooperação, voltada à atuação preventiva do controle externo e ao aprimoramento da gestão do SUS.
Entre os principais resultados desse trabalho está o Painel de Monitoramento dos Planos Municipais de Saúde, ferramenta desenvolvida pelo TCE-ES e incorporada nacionalmente pela CIS. Com a formalização da parceria, a plataforma passa a ser utilizada pelo próprio Ministério da Saúde e fica disponível para gestores de mais de 5 mil municípios acompanharem metas e tomarem decisões baseadas em evidências.
Representando Maluf, a secretária-executiva da Copspas, Flávia Bortot Scardini, apresentou no encontro a experiência do TCE-MT na capacitação de conselheiros municipais de saúde, iniciativa realizada após a disponibilização nacional do painel. A formação mostrou, na prática, como utilizar a ferramenta para acompanhar o planejamento, as metas e os indicadores locais.

“O conselheiro municipal saiu da formação sabendo consultar o plano do próprio município e acompanhar as metas pactuadas. A proposta é que essa experiência possa ser aproveitada por outros Tribunais de Contas”, afirmou Flávia.
Realizada pela Copspas em junho, em Cuiabá, a capacitação reuniu mais de 300 conselheiros municipais de saúde, gestores e representantes de órgãos de controle. O conteúdo, dividido em oito módulos teóricos e atividades práticas, abordou a trajetória e os pilares legais do SUS, o funcionamento das redes de atenção, o papel dos conselhos municipais e as estratégias de planejamento regionalizado.
“Tivemos três dias de formação, mas esse trabalho precisa ter continuidade nos municípios, no Estado, no Tribunal de Contas e no Ministério Público. O compromisso de todos é o mesmo: servir à sociedade e à população que representamos”, declarou Maluf na ocasião.
Ao longo do congresso, também foram debatidos os impactos das emendas parlamentares sobre o planejamento e a execução das políticas públicas de saúde.
No painel “Emendas Parlamentares e os Tribunais de Contas”, mediado pela assessora técnica em Economia da Saúde Blenda Pereira, o conselheiro Sebastião Helvécio apresentou as tratativas dos Tribunais de Contas a partir da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na ADPF 854/DF, de relatoria do ministro Flávio Dino, e lançou o conceito de “Parlamentarização da Saúde”.
Na sequência, o auditor do Tribunal de Contas da União (TCU), Alexandre Giraux, representando a Aud-Saúde, apresentou os trabalhos de rastreabilidade e fluxo financeiro das emendas parlamentares. Encerrando o painel, o servidor Lucas Caetano, do TCE-ES, demonstrou ao vivo a utilização do Painel de Monitoramento dos Planos Municipais de Saúde.
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Conselheiro Alisson Alencar apresenta estudo inédito e alerta para os riscos dos deepfakes em fórum Internacional
O conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) Alisson Alencar defendeu a proteção jurídica da autenticidade das informações diante do avanço dos deepfakes e da clonagem de voz. A proposta integra estudo inédito apresentado por ele nesta quinta-feira (16/07), durante o 12º Summer School “Democracia e Desenvolvimento”, realizado em Siena, na Itália.
Presidente da Comissão Permanente de Transformação Digital e Disrupção (CPT2D) do TCE-MT, Alisson ministrou a palestra “A voz sintética e a verdade fabricada: deepfakes, clonagem de voz e a tutela da autenticidade informacional no Direito brasileiro”, no painel “Poder Judiciário e Inteligência Artificial”.
“O avanço da inteligência artificial exige que o Direito evolua na mesma velocidade. Não se trata de impedir a inovação, mas de estabelecer mecanismos que garantam a autenticidade das informações e protejam os direitos fundamentais das pessoas”, disse ele, ao destacar que o uso da IA na criação de conteúdos audiovisuais falsos representa uma nova fronteira para o Direito.
Seu estudo reuniu casos internacionais de fraudes corporativas, manipulação eleitoral e uso não autorizado de vozes sintetizadas, demonstrando como a tecnologia passou a possibilitar a fabricação de conteúdos altamente convincentes, com potencial para gerar prejuízos econômicos, sociais e institucionais.
Nesse contexto, o conselheiro destacou que, embora o ordenamento jurídico brasileiro disponha de instrumentos de proteção — como a Constituição Federal, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o Código Civil e a legislação eleitoral —, essas normas ainda atuam de forma fragmentada diante da complexidade das novas tecnologias.
“Hoje já existem mecanismos legais aplicáveis, mas eles são dispersos e, muitas vezes, atuam apenas após a ocorrência do dano. Precisamos consolidar uma proteção voltada à autenticidade informacional como um bem jurídico próprio, capaz de fortalecer a confiança da sociedade no ambiente digital”, pontuou.
Regulação no Brasil e no exterior
Alencar também abordou experiências regulatórias adotadas pela União Europeia, pelos Estados Unidos e pela China, além das discussões em andamento no Brasil sobre o Marco Legal da Inteligência Artificial.
A partir dessas experiências, defendeu propostas como a identificação obrigatória de conteúdos produzidos por IA, maior transparência no uso de dados vocais e faciais, mecanismos de rastreabilidade da origem dos conteúdos e aperfeiçoamento da responsabilização civil em casos de uso indevido da tecnologia.
O conselheiro destacou que o desafio consiste em preservar a confiança social sem inviabilizar a inovação, “O reconhecimento da autenticidade informacional como um bem jurídico autônomo é fundamental para orientar a interpretação das normas e fundamentar um marco mais coerente diante dos desafios impostos pela inteligência artificial”, pontuou.
Sobre o evento
O 12º Summer School “Democracia e Desenvolvimento” é promovido pela Università degli Studi di Siena, Escola de Direito FADISP/UNIALFA e reúne juristas, pesquisadores e autoridades para debater temas contemporâneos relacionados ao Direito, à democracia e às transformações sociais impulsionadas pelas novas tecnologias. A palestra do conselheiro integrou o II Fórum Internacional de Direito, realizado dentro da programação do evento.
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