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FarmHouse: a conexão com o campo na CasaCor MT

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Por Gabriela Tonhá

Existe uma distância invisível, mas profunda, que muitas vezes separa o asfalto da terra batida. Não se trata de uma distância geográfica, medida em quilômetros de estradas, mas de uma distância do olhar. Quem vive no pulsar acelerado das grandes cidades costuma enxergar o agro através de números, safras, estatísticas ou polêmicas distantes. Mas para quem cresceu sentindo o cheiro da terra molhada após a chuva, o campo é outra coisa: ele é, antes de tudo, feito de pessoas.

Testemunhei, desde os meus primeiros anos, o que significa trabalhar com paixão, honrar a palavra em um aperto de mãos e construir amizades que atravessam gerações. Aprendi que tratar cada cliente como parte da nossa própria história não é uma estratégia de negócios, mas uma missão de vida. Foi nesse cenário, cercada por estrada de terra, pelo som vivo dos leilões e pela simplicidade generosa de quem lida com o chão, que compreendi que o agro tem alma. Ele pulsa na fé, na coragem e no propósito de famílias inteiras.

Sempre carreguei comigo a máxima de que ninguém ama aquilo que não conhece. Como exigir que o habitante da cidade admire a beleza do campo se ele só tem acesso ao produto final na prateleira do supermercado? É desse desejo profundo de reaproximação, de abrir as cortinas da nossa realidade, que nasceu a FarmHouse. Quando surgiu a oportunidade de criarmos um espaço na CasaCor, sabíamos que não queríamos apenas entregar um ambiente bonito, milimetricamente decorado para arrancar elogios frios. Queríamos construir uma experiência que tocasse o coração.

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Cruzar a porta da FarmHouse é um convite irrecusável para desacelerar. Em um mundo que corre sem direção, ali propomos uma pausa para respirar fundo e reencontrar a paz. Cada textura e elemento foram escolhidos para narrar essa ancestralidade: a madeira que evoca o calor da casa de fazenda, a pedra que simboliza nossa força e permanência, as fibras naturais que guardam o orgulho da simplicidade. Do couro ao ferro, passando pelos aromas e pela iluminação suave, tudo ali convida à permanência.

O espaço FarmHouse representa aquela casa que todos guardamos na memória afetiva ou no desejo mais sincero, um lugar onde sempre há um café passado na hora, uma mesa generosa pronta para receber, uma conversa sem pressa e o som de crianças correndo. É a materialização dos valores que o agro nos ensina diariamente, É o respeito, a gratidão e a conexão verdadeira. Queremos que o visitante urbano saia dali com uma sensação que talvez não saiba traduzir em palavras, mas que traga o eco de que as relações humanas ainda são o nosso maior patrimônio.

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Levar esse pedaço de nós para a CasaCor tem um simbolismo que transborda a arquitetura. Como segunda geração da Estância Bahia, esse projeto é a nossa forma de honrar o legado gigante que recebemos dos nossos pais. É a prova viva de que a tradição e a inovação não apenas podem, mas devem caminhar juntas, de mãos dadas.

Ao abrirmos as portas deste espaço, estamos, na verdade, abrindo as portas da nossa própria casa e convidando a cidade para que venha nos conhecer. Venha ver quem somos, naquilo em que acreditamos e na fé que nos move. Se cada pessoa que passar por ali puder olhar para o campo com um pouco mais de carinho, respeito e empatia, sabendo que por trás do alimento existem famílias reais dedicando suas vidas para transformar o Brasil, nossa missão estará cumprida. Afinal, pontes duradouras não são feitas de concreto; são feitas de afeto. FarmHouse da CasaCor Mato Grosso é a força que conecta o agro e a cidade.

Gabriela Tonhá é diretora administrativa da Estância Bahia – EB Leilões, EB Fazendas e EB Agro.

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Um estado que produz tanto não pode falhar com sua juventude

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Por Irajá Lacerda

Mato Grosso é um estado jovem, forte e cheio de oportunidades. Somos referência nacional na produção de alimentos, atraímos investimentos e contribuímos de forma decisiva para o crescimento do Brasil. Mas nenhum indicador econômico pode nos deixar indiferentes diante de uma realidade preocupante: estamos perdendo nossos jovens para a violência.

O Atlas da Violência 2026 revela que Mato Grosso registrou 536 homicídios de jovens entre 15 e 29 anos em 2024, uma taxa de 57,2 mortes para cada 100 mil jovens, a sétima maior do país. Entre 2019 e 2024, o número de vítimas no estado cresceu 46,4%. No mesmo período, o Brasil registrou queda de 15,1% no número de homicídios de jovens. Enquanto o país avançava na redução dessas mortes, Mato Grosso caminhou na direção contrária.

Estamos falando de jovens que deveriam estar estudando, trabalhando, empreendendo e ajudando a construir o futuro do nosso estado. Enfrentar essa realidade exige mais do que reação. Exige prevenção, inteligência na segurança pública e políticas capazes de chegar antes que o crime chegue.

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A violência precisa ser enfrentada com força policial, investigação, inteligência, integração entre as forças de segurança e presença efetiva do estado. Por isso, é fundamental fortalecer a segurança pública e garantir condições para que ela atue com firmeza contra o crime. Ao mesmo tempo, é preciso ampliar as oportunidades para os jovens, com educação, apoio às famílias, esporte, qualificação profissional e acesso ao primeiro emprego.

Dados do IBGE mostram que 17,5% dos jovens brasileiros de 15 a 29 anos não estavam trabalhando, estudando ou se qualificando em 2025. Entre os jovens que abandonaram ou nunca frequentaram a escola e não concluíram o ensino médio, a necessidade de trabalhar foi o principal motivo.

Precisamos aproximar a educação da vida real e das oportunidades do mercado de trabalho. Mato Grosso deve ampliar a formação técnica e profissional, criar pontes entre escolas, institutos de ensino e empresas, fortalecer programas de primeiro emprego e garantir oportunidades também aos jovens do interior e das regiões de fronteira.

Uma política séria para a juventude precisa identificar os territórios onde a evasão escolar, o aliciamento pelo crime e a falta de oportunidades são mais graves. É justamente nesses lugares que o poder público precisa estar mais presente.

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Não existe solução simples para um problema tão complexo. Segurança pública, educação, emprego, esporte, cultura e fortalecimento das famílias precisam caminhar juntos. Uma coisa, porém, é certa: abandonar nossos jovens custa muito mais caro do que investir neles.

Proteger a juventude não é apenas uma pauta de segurança pública. É uma estratégia de desenvolvimento. O futuro de Mato Grosso não será medido apenas pelo quanto produzimos, mas também pelas oportunidades que conseguimos oferecer às novas gerações. Cuidar dos nossos jovens é cuidar da nossa gente e do futuro do nosso estado.

Irajá Lacerda é ex-secretário executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária e ex-presidente da Comissão de Direito Agrário da OAB-MT

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