cultura
Livro e documentário resgatam a história de Amália Curvo de Campos
A história de uma das figuras femininas mais influentes da formação social e política de Mato Grosso ganha espaço na literatura e no audiovisual. No dia 14 de julho, às 19h, o Casarão da Família Campos, atual Nuu Guarden, na tradicional rua 24 de Outubro, em Cuiabá, sediará o lançamento do livro e do documentário “Mulheres nos Bastidores da Política: Amália Curvo de Campos”. A cerimônia, coordenada pelo jornalista Fernando Baracat, contará com homenagens dos filhos e familiares da matriarca.
De autoria de João Carlos Vicente Ferreira e Maria Rita Ferreira Uemura, a obra literária foi publicada pela Editora Memória Brasileira em 160 páginas. O documentário, com 20 minutos de duração, teve direção do produtor Luiz Marchetti e foi guiado pelo roteiro do livro. Ambos os projetos foram executados com apoio de emenda parlamentar do deputado Doutor João.
Nascida em 1925 na Fazenda Jacundá, em Nossa Senhora do Livramento, Amália começou sua trajetória no ambiente rural e, ainda na infância, teve rápida alfabetização. Mudou-se para Cuiabá, onde concluiu a formação técnica em enfermagem na década de 1940. Em uma época em que o espaço público era predominantemente masculino, ela transformou o cuidado com os enfermos e a saúde materno-infantil em uma missão de vida.
Após casar-se em 1944 com Júlio Domingos de Campos, o “Seo” Fiote, Amália estabeleceu-se em Várzea Grande. No balcão do comércio da família, a atacadista “A Futurista”, conciliava o atendimento aos clientes com o socorro aos doentes da localidade. A obra detalha como sua sensibilidade prática e capacidade de articulação foram decisivas para incentivar a entrada do marido na política partidária e para consolidar o diretório do PSD na região.
Como primeira-dama de Várzea Grande nos anos 1950, Amália institucionalizou suas ações assistenciais e de saúde pública. Sua atuação foi decisiva na fundação da Sociedade de Proteção à Maternidade e à Infância e na construção do primeiro posto de saúde moderno do município, carinhosamente chamado pela população de “O Postão”, marco ainda presente na memória urbana local.
As obras também revelam a intimidade do lar em que Amália criou dez filhos com disciplina e afeto. Sem nunca ter disputado um cargo eletivo, ela exerceu o que os autores definem como uma “arquitetura do poder invisível”, moldando os fundamentos de lideranças que alcançaram o topo da cena política. Amália teve o feito raro na história republicana brasileira de ser mãe de dois governadores de Mato Grosso — Júlio José de Campos e Jayme Veríssimo de Campos —, além do prefeito de Jangada, Benedito Paulo de Campos, e da vereadora Márcia Campos.
Rico em relatos orais, fotografias históricas e consultas a acervos documentais, o material é descrito como um tributo às lideranças silenciosas que sustentam grandes transformações sociais longe dos palanques. Para o diretor Luiz Marchetti, o documentário representou uma oportunidade de complementar a narrativa visual do livro na construção do personagem e de sua importância para a história política e social de Mato Grosso.
Serviço
O quê: Lançamento do livro e documentário “Mulheres nos Bastidores da Política: Amália Curvo de Campos” (autores: João Carlos Vicente Ferreira e Maria Rita Ferreira Uemura; direção do documentário: Luiz Marchetti) Quando: 14 de julho de 2026, às 19h Onde: Casarão da Família Campos, atual Nuu Guarden, Rua 24 de Outubro, Cuiabá — região Centro-Norte
cultura
Fotógrafo mato-grossense representa o Pantanal em mostra dos biomas brasileiros na China
José Medeiros integra exposição realizada em Pequim no Ano Cultural Brasil-China 2026 representando o Pantanal.
O fotógrafo e documentarista José Medeiros representa o Pantanal na mostra fotográfica dedicada aos seis biomas brasileiros apresentada em Pequim, na China, como parte da programação do Festival Brasil – Turismo, Arte e Cultura, realizado no âmbito do Ano Cultural Brasil-China 2026. Suas fotografias constituem a apresentação visual do Pantanal dentro de um conjunto que reúne trabalhos de seis fotógrafos, cada um associado a um dos biomas do país.
A exposição apresenta Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal por meio da fotografia e de outras experiências expositivas, com ênfase nas relações entre paisagens, modos de vida, manifestações culturais e territórios. A proposta curatorial parte da conexão entre os biomas brasileiros e utiliza o fenômeno dos chamados “rios voadores” como fio condutor do percurso.
Além de José Medeiros, que apresenta o Pantanal, participam João Marcos Rosa, com a Amazônia; André Pessoa, com a Caatinga; Zig Koch, com a Mata Atlântica; André Dib, com o Cerrado; e Tadeu Vilani, com o Pampa. A seleção reúne fotógrafos com trajetórias vinculadas à documentação de paisagens, biodiversidade, comunidades e transformações territoriais em diferentes regiões brasileiras.
No caso do Pantanal, a escolha de Medeiros está relacionada a uma trajetória de mais de três décadas de documentação da região. Seu trabalho acompanha tanto as paisagens submetidas aos ciclos de cheia e vazante quanto os modos de vida das populações pantaneiras e as transformações ambientais e sociais ocorridas no território.
A participação insere a fotografia produzida em Mato Grosso em uma ação de apresentação internacional da diversidade ambiental e cultural brasileira. A mostra integra uma programação que apresenta ao público chinês os seis biomas do país e associa fotografia, cultura, biodiversidade e experiências imersivas. Segundo a Embratur, o Festival Brasil ocorre em Pequim entre 2 e 6 de setembro de 2026 e integra a agenda do Ano Cultural Brasil-China.
Para José Medeiros, a presença de seu trabalho na exposição também leva ao exterior uma produção documental construída a partir do próprio território. Em sua obra sobre o Pantanal, a paisagem aparece relacionada às pessoas que vivem na planície, às formas de trabalho, aos ciclos das águas, à cultura e às mudanças que atravessam a região ao longo do tempo.
Sobre José Medeiros
Fotógrafo e documentarista mato-grossense, José Medeiros desenvolve há mais de três décadas uma obra dedicada ao Pantanal. Sua produção reúne fotografia, audiovisual e projetos documentais voltados às paisagens, às comunidades e às transformações sociais e ambientais da região. Na exposição realizada em Pequim, seu trabalho integra a representação brasileira do Pantanal entre os seis biomas apresentados ao público chinês.
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