TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT
Justiça condena dois réus por sequestro, abuso sexual e falsa comunicação de crime em Cuiabá
A Justiça de Mato Grosso condenou dois réus acusados de envolvimento em um caso de sequestro, cárcere privado, estupro de vulnerável e denunciação caluniosa em Cuiabá. A sentença foi proferida nesta quarta-feira (20) pela 14ª Vara Criminal da Capital, em ação penal movida pelo Ministério Público de Mato Grosso.
Na decisão, o juiz João Bosco Soares da Silva fixou pena de 18 anos, 1 mês e 15 dias de reclusão para M. A. R. e de 14 anos de reclusão para W. S. R., ambos em regime inicial fechado. O processo foi assinado pelo promotor de Justiça Rinaldo Ribeiro de Almeida Segundo, da 27ª Promotoria de Justiça Criminal de Cuiabá.
Segundo a sentença, M. A. R. foi condenado pelos três crimes atribuídos a ele. Pela prática de sequestro e cárcere privado, a pena ficou em 2 anos, 3 meses e 15 dias de reclusão. Já pelo estupro de vulnerável, com aumento de pena em razão da posição de autoridade exercida sobre a vítima, uma vez que ele era padrasto da adolescente, a condenação chegou a 13 anos e 9 meses de reclusão. Pelo crime de denunciação caluniosa, a pena foi fixada em 2 anos e 1 mês de reclusão, além de 10 dias-multa.
No mesmo processo, W. S. R. foi condenado por sequestro e cárcere privado e também por participação no crime de estupro de vulnerável, na modalidade de omissão imprópria. A pena aplicada foi de 2 anos de reclusão pelo primeiro crime e 12 anos pelo segundo.
A decisão judicial ressalta que os crimes ocorreram em concurso de pessoas e em um contexto de extrema vulnerabilidade da vítima, que tinha 13 anos na época dos fatos. Essas circunstâncias pesaram na dosimetria da pena e na definição do regime inicial fechado. O magistrado também determinou a manutenção da prisão preventiva dos dois condenados e negou o direito de recorrer em liberdade, citando a gravidade concreta das condutas.
Além da pena privativa de liberdade, a Justiça estabeleceu indenização mínima de R$ 40 mil por danos materiais e morais, valor que deverá ser pago solidariamente pelos dois réus.
A sentença ainda determinou a perda dos aparelhos celulares usados no planejamento e na execução dos crimes, com destinação dos bens à União. Após o cumprimento das penas, os condenados também deverão passar por monitoramento eletrônico durante dois anos.
De acordo com os autos, os crimes foram planejados previamente por M. A. R., que contratou W. S. R. para simular o sequestro da adolescente e colocá-la em situação de vulnerabilidade. A vítima foi abordada ao entrar em um veículo, teve a liberdade restringida e foi levada a um motel, onde permaneceu sem possibilidade de locomoção.
No local, conforme a sentença, M. A. R. praticou atos libidinosos contra a adolescente, enquanto W. S. R. acompanhou toda a ação sem impedir os abusos, apesar de ter condições de agir.
Após o crime, ainda segundo a decisão, M. A. R. registrou boletim de ocorrência com uma versão falsa dos fatos, na tentativa de encobrir o caso e atribuir a autoria do suposto sequestro a pessoas inexistentes.
TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT
Justiça reduz pena de condenado por matar mãe e três filhas
A Quarta Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso reduziu de 225 para 219 anos a pena de Gilberto Rodrigues dos Anjos, condenado pelos assassinatos de Cleci Calvi Cardoso, de 45 anos, e das filhas Miliane Calvi Cardoso, de 19, Manuela Calvi Cardoso, de 13, e Melissa Calvi Cardoso, de 10, mortos em Sorriso, em 2023. A revisão levou em consideração a atenuante da confissão espontânea.
A decisão provocou reação da família das vítimas. Em entrevista ao portal Gazeta Digital, Regivaldo Batista Cardoso, viúvo de Cleci e pai das três jovens, afirmou que a redução transmite uma mensagem preocupante diante da gravidade do caso. Para ele, a medida pode estimular criminosos a acreditarem que a simples confissão será suficiente para amenizar a punição. Regivaldo defendeu, inclusive, que a pena deveria ter sido ampliada como forma de desestimular crimes dessa natureza.
Ao comentar o impacto da decisão, ele disse que convive com uma dor permanente desde a perda da esposa e das filhas. Segundo Regivaldo, enquanto o condenado poderá deixar a prisão no futuro, ele seguirá pelo resto da vida com a ausência irreparável da família. Na avaliação dele, o sistema penal brasileiro falha ao não responder com mais rigor a crimes cometidos contra mulheres e crianças.
Regivaldo também afirmou ter ficado profundamente decepcionado com o desfecho no Tribunal de Justiça. Apesar da indignação, explicou que a família não pretende recorrer, já que a alteração na pena não modifica o limite máximo de cumprimento em regime fechado previsto pela legislação brasileira, hoje fixado em 40 anos. De acordo com ele, reabrir a discussão judicial significaria reviver o sofrimento sem produzir efeito prático no tempo de prisão.
Durante a entrevista, o viúvo voltou a defender mudanças na legislação penal e disse considerar necessária a adoção de punições mais severas para crimes dessa natureza. Para ele, autores de violência extrema contra mulheres e crianças não deveriam ter possibilidade de retorno ao convívio social.
Em outro momento, Regivaldo criticou o funcionamento do sistema prisional e afirmou acreditar que o Estado oferece mais proteção aos criminosos do que às pessoas que cumprem suas obrigações. A declaração reforçou o sentimento de revolta manifestado pela família diante da redução da condenação.
Os crimes ocorreram entre os dias 24 e 25 de novembro de 2023, em Sorriso. Gilberto Rodrigues dos Anjos, que trabalhava em uma obra ao lado da casa da família, confessou os assassinatos e também os estupros das vítimas. Ele segue preso em regime fechado.
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