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POLÍTICA NACIONAL

Senadores questionam como BC negou e depois aprovou venda do Master a Vorcaro

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Em audiência nesta terça-feira (19) na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), senadores questionaram o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, sobre mudanças de postura da autoridade monetária, ao longo das últimas gestões, em relação ao Banco Master.

Senadores lembraram que a aquisição do então Banco Máxima (rebatizado Master) por Daniel Vorcaro chegou a ser barrada durante o mandato de Ilan Goldfajn na presidência do BC, mas acabou aprovada na gestão de Roberto Campos Neto, período em que teria havido flexibilização regulatória. Medidas mais rigorosas contra o Master só teriam ocorrido na gestão de Gabriel Galípolo, apesar de a estrutura de governança e os principais controladores da instituição permanecerem semelhantes ao longo das três gestões.

A governança não mudou, é o mesmo sistema. Então, o doutor Ilan proíbe, depois se autoriza e se mantém por quatro anos, e Vossa Excelência em pouco tempo, quando se senta na posição de poder liquidar, liquida o banco. Alguma coisa estranha aconteceu nesse período — recapitulou o senador Jaques Wagner (PT-BA), referindo-se às três últimas gestões do BC.

Citando informações constantes no processo analisado pelo Banco Central, Galípolo explicou que a negativa inicial à aquisição do então Banco Máxima por Daniel Vorcaro ocorreu por dúvidas relacionadas à origem dos recursos utilizados na operação. De acordo com ele, na gestão de Campos Neto teriam sido apresentados novos recursos financeiros.

— Eu não estava lá. A informação que eu tenho, a partir do processo, é que a discussão original era sobre a origem de recursos, o veto que teve na primeira. Com o Roberto [Campos Neto], parece que lhe apresentam outros recursos. E aí, nesses outros recursos que foram apresentados, a origem teve parecer favorável da área técnica [do BC] — afirmou Galípolo.

Sobre a atuação da sua gestão, Galípolo informou que em janeiro de 2025 o BC começou a achar “pouco usual” que um banco com dificuldade de liquidez começasse a formar e vender uma carteira de investimentos. A partir daquele momento, foi constituído um grupo específico, dentro da Diretoria de Fiscalização, para analisar as carteiras e iniciou-se a sindicância. 

“Crise sistêmica”

O presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), lembrou que em abril de 2025 o BC enviou um ofício ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) solicitando assistência financeira de R$ 11 bilhões para evitar a quebra da instituição.

— O senhor há pouco lembrou que a quebra do Master não causaria crise sistêmica, porque era um banco de terceira divisão. E por que esse ofício do Banco Central na sua gestão? O FGC acabou liberando R$ 5,7 bilhões. Pode explicar a razão desse pedido do Banco Central ao FGC? — perguntou Renan.

Em resposta, Galípolo afirmou que uma eventual liquidação do banco obrigaria o FGC a arcar integralmente com os depósitos garantidos pela instituição. Segundo ele, o fundo optou por antecipar pagamentos enquanto o Banco Central avaliava alternativas de venda parcial ou total do banco.

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— O que o FGC fez, inteligentemente? Falou: olha, enquanto você está analisando a possibilidade de encontrar venda parcial ou total do banco, eu vou honrando os FGCs que estão vencendo e vou pagando — explicou Galípolo.

Encontro com Lula

Senadores da oposição questionaram o presidente do BC sobre uma reunião com Daniel Vorcaro realizada fora da agenda do presidente Lula, em dezembro passado, no Palácio do Planalto.

Galípolo confirmou que o encontro ocorreu e que ele, à época indicado para suceder Roberto Campos Neto na presidência do BC, estava presente. Sobre o que foi tratado, informou que Vorcaro relatou um cenário de perseguição por parte de outros bancos maiores quando o presidente respondeu que o assunto seria tratado de forma técnica.

— A fala do presidente foi bastante objetiva em dizer: “Esse é um tema tratado por dentro do Banco Central, não aqui. Você tem que tratar isso no Banco Central. O Gabriel vai ser o próximo presidente, tenho certeza de que ele é técnico e vai dar um tratamento técnico” — relatou.

O senador Eduardo Braga (MDB-AM) questionou Galípolo sobre os mecanismos de governança, reputação e fiscalização adotados pelo Banco Central no acompanhamento da transição do antigo Banco Máxima para o Banco Master. Segundo Braga, é necessário avaliar se houve falhas nos controles internos da autoridade monetária para prevenir crimes financeiros e lavagem de dinheiro.

Galípolo afirmou que o Banco Master recebera avaliações positivas de agências de risco, auditorias de grandes empresas e pareceres jurídicos favoráveis. Segundo ele, foi justamente a atuação da governança do Banco Central que permitiu identificar irregularidades e encaminhar o caso aos órgãos de investigação.

PEC da autonomia

O presidente do BC voltou a defender a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 65/2023), que amplia a autonomia financeira e administrativa da instituição. Afirmou que a autoridade monetária enfrenta dificuldades para competir com a estrutura tecnológica e operacional do sistema financeiro privado.

— Se a gente ficar cobrando mais e não der recurso, fica impossível ampliar a supervisão e a fiscalização — afirmou.

Em relação à PEC, Galípolo recebeu apoio dos senadores Alessandro Vieira (MDB-SE) e Plínio Valério (PSDB-AM), este último, relator da matéria no Senado. Eles afirmaram que os problemas revelados pelo caso Banco Master apontam a existência de uma organização criminosa que teria se infiltrado em diferentes esferas do poder público.

Para Alessandro, concentrar as discussões apenas no Banco Central pode dificultar a compreensão da dimensão do problema.

— Se esta Casa não perceber isso e focar apenas no Banco Central, não vamos contribuir para a solução — declarou.

O senador Esperidião Amin (PP-SC) defendeu o fortalecimento institucional do Banco Central e afirmou que o avanço de fundos financeiros exige maior capacidade de fiscalização do sistema financeiro. Segundo ele, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) enfrenta limitações operacionais e de pessoal para acompanhar a expansão desses instrumentos.

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— Os fundos estão sendo criados hoje às centenas. É impossível a CVM cuidar disso com a estrutura atual. Nós queremos um Banco Central forte e fortalecido, porque isso é emissão de moeda, isso é muito grave — declarou.

Por sua vez, o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) disse não acreditar que, por si só, a PEC da autonomia resolva problemas como o do Banco Master. Para ele, é preciso apontar os mecanismos que possibilitaram que ex-diretores atuassem como advogados de Daniel Vorcaro dentro da instituição.

Simplesmente tornar o Banco Central independente não resolverá, como não resolveu situações gravíssimas — avaliou. 

Eduardo Braga manifestou preocupação com a falta de recursos para a fiscalização.

— Não adianta resolver exclusivamente a questão orçamentária do Banco Central. É mais complexo do que isso. É preciso resolver o problema do Banco Central, o problema do Coaf [Conselho de Controle de Atividades Financeiras] e o problema da CVM. Nós temos que dotar o sistema de fiscalização, comando e controle do sistema financeiro brasileiro de recursos necessários para que essa governança funcione com eficiência — afirmou.

BRB

Senadores também questionaram se o Banco Central teria atuado para viabilizar a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). De acordo com as investigações, mesmo sem efetivar a compra planejada de 58% das ações do Master, o BRB adquiriu carteiras de “créditos podres” do banco de Vorcaro por R$ 12 bilhões.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou ter pedido à Procuradoria do Banco Central e à Polícia Federal o compartilhamento de informações das investigações relacionadas ao BRB.

— O BRB não é uma questão local. O Distrito Federal não é uma unidade qualquer. O BRB diz respeito a todos nós, inclusive agora com uma história de que querem usar o nosso fundo constitucional, olha que loucura, para dar garantias ao BRB — disse Damares, citando relatos na imprensa.

Sobre o compartilhamento de informações das investigações, o procurador-geral do Banco Central, Cristiano Cozer, afirmou que o Banco Central é obrigado por lei a preservar os sigilos bancário, fiscal e empresarial. O presidente do BC sugeriu ainda que os senadores consultem o relatório produzido pela AudBancos no Tribunal de Contas da União (TCU), durante auditoria conduzida pelo órgão sobre a atuação do Banco Central no caso.

Exoneração do presidente

Questionado sobre sua suposta falta de reação a uma iniciativa do Congresso para delegar ao Legislativo o poder de exonerar o presidente do BC, Galípolo disse que é importante, para a credibilidade do Banco Central, que ele “não seja arrastado para esse tipo de debate”.

— O Banco Central não tem que pegar a televisão, gravar um Instagram, um TikTok fazendo isso. O Banco Central não é palanque. O Banco Central toma a decisão correta, independente de quem está jogando pedra e fazendo barulho.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Revisão da lista de espécies invasoras ameaça agronegócio, alertam debatedores

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Parlamentares e pesquisadores alertaram, nesta quarta-feira (20), para os impactos da revisão da lista nacional de espécies exóticas invasoras, elaborada pelo Ministério do Meio Ambiente. Eles participaram de reunião conjunta das comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; e de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados.

Segundo eles, o documento ameaça a produção de alimentos e o agronegócio porque classifica como invasoras espécies que são a base da economia nacional — como tilápia, eucalipto e braquiária —, sujeitando essas cadeias à perda de licenciamento e até à proibição de cultivo.

Durante a reunião, parlamentares defenderam a aprovação do Projeto de Lei 5900/25, que está pronto para a pauta do plenário. A proposta retira a exclusividade do Meio Ambiente sobre o tema e obriga uma manifestação prévia e vinculante de pastas como Agricultura e Pesca na elaboração dessas normas.

Renato Araújo / Câmara dos Deputados
Seminário: Mapa do Caminho – Biocombustíveis a rota mais curta. Dep. Pedro Lupion (REPUBLICANOS-PR)
Pedro Lupion criticou decisões que ignoram cadeias produtivas importantes no país

O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e autor do texto, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), criticou o fato de as decisões ambientais ignorarem a sobrevivência das cadeias produtivas.

“Se está na lista de exótica invasora e não se pode proliferar, quer dizer que não pode produzir tilápia. É brincar com a realidade do país, com a nossa balança comercial e com a geração de empregos”, disse.

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Na mesma linha, o deputado Cobalchini (MDB-SC), autor do requerimento para o debate, argumentou que a revisão da lista ignora os prejuízos financeiros ao país. Segundo ele, a Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio), órgão ligado ao Ministério do Meio Ambiente que elabora a lista, tem baixa representatividade do setor privado. Para o parlamentar, as proibições não podem analisar apenas o viés ecológico.

“A avaliação integrada dos impactos socioeconômicos, regulatórios e jurídicos é essencial para decisões regulatórias proporcionais e tecnicamente fundamentadas, sobretudo para espécies que são a base de cadeias produtivas que abastecem a sociedade e têm relevância socioeconômica para o Brasil”, pontuou Cobalchini.

A assessora técnica da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Jaine Ariele Cubas, também reclamou do desequilíbrio na Conabio.

“O setor privado só tem duas cadeiras, que são a CNI e a CNA, enquanto ONGs e movimentos sociais têm 38% de assento. Então, a gente acha que tem um descompasso, a gente precisa trazer mais pessoas para esse debate, porque são espécies que têm impacto socioeconômico e precisam de mais estudos”, disse.

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Controle e barreiras naturais
O possível impacto da medida nas cadeias produtivas foi detalhado pelo chefe da Embrapa Pesca e Aquicultura, Roberto Flores. Ele alertou para os riscos de rotular peixes comerciais como invasores, de forma generalizada.

“O enquadramento amplo de espécies aquícolas de importância econômica sem a devida delimitação territorial, gradação de risco, diferenciação entre sistemas de cultivo e comprovação específica de impactos, pode produzir efeitos regulatórios relevantes sobre cadeias produtivas já submetidas a instrumentos próprios de controle”, explicou o pesquisador.

O pesquisador do Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (Ipef), Paulo Henrique Miller, relatou experimentos que comprovam que pragas nativas — como as formigas saúvas e quem-quens — funcionam como uma barreira ecológica natural contra o avanço indesejado do eucalipto, uma das espécies na lista.

“Quando eu exponho o solo e coloco a semente, ela germina. Só que, após alguns dias, esse material desaparece. Por algum motivo, não só o eucalipto, mas outras espécies atraem a preferência da formiga. Então, esses materiais acabam sendo os preferidos e simplesmente somem ao longo do tempo”, detalhou o engenheiro florestal.

Reportagem – Emanuelle Brasil
Edição – Geórgia Moraes

Fonte: Câmara dos Deputados

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