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Saúde

Neurocirurgião defende Profimed como “OAB da Medicina” para garantir qualidade e segurança

Projeto já aprovado no Senado prevê a aplicação de um exame ao final do curso de Medicina

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Neurocirurgião Giovani Mendes

O neurocirurgião Giovani Mendes defendeu a necessidade do Exame Nacional de Proficiência em Medicina (Profimed) como uma ferramenta eficaz para comprovar a qualidade profissional dos médicos recém-formados no Brasil. Em entrevista ao podcast “Café com o Presidente”, da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, o médico, que é referência em neurocirurgia no Brasil, destaca a importância da medida como instrumento de garantia à segurança da população.

Segundo ele, atualmente não há um mecanismo eficaz que avalie, de forma padronizada, a qualidade dos médicos formados em instituições brasileiras. A prova tem sido popularmente chamada de “OAB da Medicina”.

“Para quem faz medicina fora do Brasil, é preciso fazer o Revalida, porque nós não temos nenhuma gestão sobre a qualidade das escolas de Medicina fora do país. Então, quando esse médico tem a intenção de exercer sua profissão no Brasil, ele tem que fazer o Revalida. Já para os médicos egressos das escolas de Medicina no Brasil, nós não temos nenhum mecanismo eficiente de avaliação da qualidade desse ensino”, explica o Dr. Giovani.

A criação do Profimed já foi aprovada na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado Federal, em fevereiro de 2026. O projeto de lei (PL 2294/2024), de autoria do senador Marcos Pontes, prevê a aplicação de um exame ao final do curso de Medicina como forma de avaliar a qualidade da formação dos profissionais que ingressam no mercado de trabalho.

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“Hoje, o médico recém-formado obtém o registro no Conselho Regional de Medicina e já está apto a exercer a profissão, sem passar por uma avaliação nacional de competência. Isso cria uma lacuna importante no controle de qualidade da formação”, afirma o neurocirurgião.

A proposta gerou debates sobre qual instituição seria responsável pela aplicação da prova. Enquanto o governo defende que a atribuição seja do Ministério da Educação (MEC), o Conselho Federal de Medicina sustenta que a função deve caber à própria entidade de classe.

Para o Dr. Giovani Mendes, a divisão de responsabilidades é clara: o MEC deve continuar responsável pela avaliação das instituições de ensino e da formação acadêmica, enquanto o Conselho deve regulamentar o exercício profissional. “É o mesmo modelo adotado no Direito, em que o MEC avalia os cursos e a OAB aplica o exame que habilita o profissional a advogar”, defende.

Além da discussão sobre a prova nacional, o especialista ressaltou o papel das sociedades médicas na qualificação profissional, com destaque para a atuação da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia. Segundo ele, a entidade tem investido fortemente na padronização da formação e na fiscalização dos programas de residência médica.

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Para o neurocirurgião, tanto a criação da prova nacional quanto as ações das entidades médicas caminham na mesma direção: assegurar que os profissionais estejam devidamente preparados para atender a população. “A qualidade da formação médica precisa ser constantemente avaliada. Isso não é apenas uma questão corporativa, mas de segurança e cuidado com o paciente”, concluiu.

Após aprovação no Senado, o PL seguiu para avaliação e aprovação na Câmara dos Deputados.

Profimed

O PL 2294/24 prevê que os recém-formados em Medicina realizarão o Profimed a partir do primeiro semestre após o término do curso. Quem não for aprovado poderá atuar de forma exclusiva em atividades técnico-científicas, sem contato com pacientes, mediante autorização do Conselho Regional de Medicina (pela Inscrição de Egresso em Medicina). Ficarão dispensados médicos já registrados e estudantes que começarem o curso enquanto o projeto não virar lei.

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Saúde

Tribunal de Contas aponta necessidade de ampliar acesso a medicamento contra hanseníase

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O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) apontou a necessidade de ampliação da rede de distribuição de talidomida, medicamento controlado usado no tratamento de reações graves da hanseníase, na Baixada Cuiabana. Inspeção realizada no Hospital Universitário Júlio Müller, na última semana, constatou que o fornecimento funciona regularmente, mas segue concentrado apenas na unidade localizada em Cuiabá.

Conselheiro Guilherme Antonio Maluf | Foto: Thiago Bergamasco

Conduzida pela Comissão Permanente de Saúde, Previdência e Assistência Social (Copspas), presidida pelo conselheiro Guilherme Antonio Maluf, em conjunto com a 4ª Secretaria de Controle Externo, a fiscalização teve origem em denúncia recebida pela Ouvidoria Geral do TCE-MT.

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Moisés da Silva e Rosemeire de Oliveira conduziram a inspeção.

O relato apontava risco de interrupção no fornecimento do medicamento que exige rigoroso controle sanitário e é usado também no tratamento de doenças como o mieloma múltiplo, um tipo de câncer na medula óssea. “Estamos tratando de um medicamento estratégico para usuários que dependem de atendimento regular, seguro e ininterrupto”, explica Maluf.

Mesmo não tendo sido verificadas falhas na oferta do remédio, o trabalho reforçou um problema na organização da política pública estadual, marcado pela centralização do atendimento sem estrutura adequada. Esse quadro já havia sido apontado pelo conselheiro em abril, quando ele determinou a realização da inspeção.

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De acordo com a equipe técnica, atualmente Mato Grosso conta com 42 unidades habilitadas para a entrega da talidomida, divididas entre 16 regiões de saúde. No caso do HUJM, o serviço abrange os 11 municípios da Baixada, o que amplia a demanda sobre a unidade e reforça a necessidade de descentralização do atendimento.

Durante a inspeção, conduzida pelo auditor público externo Moisés Lima da Silva, da 4ª Secex, e pela assessora técnica Rosemeire de Oliveira, da Copspas, também foi identificado como ponto de atenção a falta de farmacêutico responsável após o retorno do profissional ao órgão de origem, a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT).

Diante dos resultados, Maluf reforça o papel do TCE-MT na garantia de acesso à saúde. “Nossa atuação é preventiva e orientada à continuidade de serviços públicos essenciais. Com isso, o objetivo é assegurar que riscos sejam identificados a tempo e que a gestão pública adote as providências necessárias para proteger a população”, concluiu.

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