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Mato Grosso

Gado das Missões Jesuítas criou um rebanho isolado no Pantanal por mais de um século

A tese defendida por estudiosos é que o numeroso rebanho bovino encontrado na região do Pantanal veio sozinho após ataques e aprisionamento de indígenas nas missões jesuítas no sul do Brasil.

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Foto: Aegro

Por João Arruda | Cáceres 

O gado trazido da Europa por colonizadores e, principalmente, por padres jesuítas, era empregado nas missões criadas no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Mas, com ataques de bandeirantes em busca de indígenas para o trabalho escravo, esse gado ficou errante, subindo pelas margens dos rios da Prata e do Paraguai, até se acomodar na região conhecida como Descalvados.

As missões jesuíticas fundaram o que se denominam “Reduções ou Aldeamentos”, com urbanização onde introduziram a catequese, o cultivo da pecuária, cereais e, principalmente, a erva-mate. Isso ocorreu entre o início do século XVII (1603), sendo os Sete Povos das Missões o mais conhecido, que trabalhava com os indígenas Guaranis.

Com as incursões violentas dos bandeirantes, o gado ficou sem pastoreio e subiu do Sul até o Pantanal, onde se procriou sem qualquer controle. A região, rica em pastagens naturais e com abundância de água, propiciou o aumento impressionante dos animais.

Quando as Entradas e Bandeiras, no início do século XVIII, descobriram minas de ouro em Cuiabá e nas minas de São Vicente, Santa Elina e Serra da Borda, em Vila Bela da Santíssima Trindade, é que esse outro tesouro foi descoberto isolado no meio do percurso entre Cuiabá e Vila, onde fica Cáceres.

Há registros de que somente a Descalvados contabilizava 300 mil reses quando os belgas adquiriram a propriedade junto ao Império Brasileiro em 1882.

Até então, a Fazenda pertencia ao major João Carlos Pereira Leste e, levada a leilão, foi arrematada por uma companhia belga, criada em Antuérpia, em janeiro de 1891. O jornal “A Razão” da época citou que, como não havia bebidas para brindar a aquisição, os cacerenses festejaram com água a compra.

Os belgas edificaram o conjunto arquitetônico, empregando técnicas trazidas da Europa, como o uso de óleo de baleia nos alicerces, tanto que todas as edificações suportam as águas durante a cheia do Pantanal (entre dezembro e início de maio) anualmente.

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Para dar retorno ao investimento, os europeus trouxeram máquinas e modernos equipamentos da época do início da Revolução Industrial. Atualmente, esses estão acomodados no setor fabril, tomados pela ferrugem, mas ainda é possível ler a origem em algumas, como uma máquina com a inscrição “Liège – Belgique” e outra “Saint Anne”, do mesmo país.

Das mãos dos belgas, a Fazenda foi adquirida pelo norte-americano Percival Farquhar, que já tocava grandes empreendimentos no Brasil, como a Ferrovia Madeira-Mamoré.

Farquhar trouxe o contador escocês Murdo Mackenzie para a administração, enquanto o xerife John Gordon Ramsay foi contratado para gerenciar o setor bovino. Com eles vieram dois irlandeses de sobrenomes Hill e MacLeod. Desses três estrangeiros, os descendentes permanecem em Cáceres. Os descendentes das famílias Hill e Ramsay tornaram-se numerosos, e os patriarcas de ambos estão sepultados no cemitério da Descalvados.

A produção em larga escala destinada à exportação seguia em navios movidos a vapor de Cáceres até a cidade uruguaia de Nueva Palmira. De lá, a carga era transferida para navios que cruzavam o Oceano Atlântico, seguindo até a cidade portuária de Antuérpia, na Bélgica, onde era comercializada com alto valor de mercado.

A industrialização da carne dividia-se da seguinte forma: as mantas eram salgadas e embaladas como charque, enquanto a carcaça era processada com vegetais e sal numa caldeira, sendo posteriormente enlatada, própria para exportação.

Descalvados fornecia também para o mercado interno; os carregamentos que saíam de Cáceres seguiam até Corumbá, e de lá eram transportados por via férrea até o eixo Rio-São Paulo.

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Já na ocupação dos estados do Acre e de Rondônia, aeronaves do modelo Búfalo transportavam o charque da fazenda Descalvados até esses estados.

Atualmente, a Fazenda pertence a um empresário de Cuiabá, que preferiu o anonimato. Ele informou que a Fazenda passa por reformas, previstas para serem concluídas em dezembro deste ano, e que após isso, abrirá acesso ao site do Portal Mato Grosso.

CHARQUEADA BARRANCO VERMELHO

Na esteira do boom econômico da fazenda Descalvados, cerca de 70 quilômetros rio Paraguai acima, foi implantada a Charqueada Barranco Vermelho. Com um vistoso parque industrial, hoje em ruínas, lá também eram processadas toneladas de carnes bovinas destinadas à exportação.

Atualmente, a empresária Gilza Fontes, proprietária, trabalha com uma pousada para turistas nacionais e estrangeiros. O lugar é concorrido por concentrar vários poços profundos, sendo o local preferido dos cardumes de jaús, pintados, cacharas e surubins, enquanto exemplares do esportivo dourado nadam mais próximos à superfície em numerosos cardumes.

A produção de gado bovino em Cáceres é a maior de Mato Grosso, com cerca de 1,5 milhão de cabeças, o que a torna a quarta maior do país.

RECANTO DO DOURADO

Entre as pousadas localizadas entre Cáceres e a Fazenda Descalvados, o destaque fica por conta do Recanto do Dourado, situado na margem da Baía do Alegre, uma extensão do Rio Padre Inácio que desemboca no Rio Paraguai.

A estrutura, desde o píer até as edificações em alvenaria, foi moldada numa área de vegetação nativa onde, além da variedade de animais já ambientados com humanos, o Recanto localiza-se num dos pontos mais piscosos do Pantanal.

A pousada é administrada pelo guia de pesca Adenísio Nani Souza, que desde a infância atende pelo apelido de “Monark”.

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Ager isenta taxas para o transporte de animais domésticos

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A Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Estado de Mato Grosso (Ager-MT) publicou, na segunda-feira (13.4), a Resolução Normativa nº 001/2026, que atualiza a regulamentação do embarque e do transporte de animais domésticos e de cães-guia no Sistema de Transporte Coletivo Rodoviário Intermunicipal de Passageiros.

A nova norma trouxe um avanço importante ao regulamentar a isenção de custos adicionais no transporte de animais domésticos. A partir da nova resolução, o valor da passagem não poderá incluir as taxas de embarque nem valores de pedágio. Ainda assim, permanece a cobrança de 50% do valor do bilhete de viagem.

Para os cães-guia continua valendo o previsto na resolução anterior, que já proibia a cobrança de valor, tarifa ou acréscimos vinculados, direta ou indiretamente, ao ingresso ou presença do animal no transporte, conforme o decreto federal n° 5.904/2026, que regulamentou a lei federal n° 11.126/2005.

A atualização também corrigiu a redação anterior e detalhou a definição de cão-guia, que passa a ser descrito como “animal castrado, isento de agressividade, de qualquer sexo, de porte adequado, treinado com o fim exclusivo de guiar pessoas com deficiência visual”, conforme trecho do documento.

Segundo o diretor regulador de Transporte Rodovias da Ager, José Ricardo Elias, a medida beneficia diretamente os usuários e reforça o direito à acessibilidade.

“Essa resolução representa um avanço regulatório decisivo. Ela isenta taxas para animais domésticos, assegura o transporte gratuito de cães-guia e eleva a acessibilidade no intermunicipal, em plena sintonia com a legislação federal e as demandas da população mato-grossense”, afirmou.

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A atualização foi aprovada pela Diretoria Executiva Colegiada da Ager, durante a 5ª Reunião Ordinária Deliberativa, ocorrida no dia 19 em março. As novas regras já estão valendo para todas as viagens intermunicipais realizadas no Estado de Mato Grosso.

Viagem com pets

O transporte de animais domésticos e cães-guia é permitido no serviço de transporte intermunicipal de característica rodoviária, urbana e semiurbana e no de fretamento, em todas as suas modalidades.

Todavia, os responsáveis pelos pets devem se atentar às regras estabelecidas pela Ager para que a viagem ocorra com segurança e tranquilidade para ambos os passageiros.

Conforme a resolução, animais domésticos são caracterizados por apresentarem dependência de seus tutores, podendo inclusive apresentar aparência diferente da espécie silvestre da qual se originou, tais como gato, cachorro, coelho, hamster, galinha, porco da índia, codorna-chinesa, perdiz-chucar, canário-belga, periquito-australiano, abelha-europeia, pombo-doméstico, entre outros, que tenham peso até oito quilogramas.

Para o embarque e transporte são recomendados:

1 – O animal doméstico deve estar em companhia do seu proprietário ou responsável, abrigado em contêiner com as dimensões máximas de (41 x 36 x 33) cm.

2 – O proprietário deverá apresentar a documentação obrigatória do pet, como atestado médico veterinário assinado por profissional registrado no Conselho de Medicina Veterinária, expedido até 15 dias antes da viagem, contendo a declaração de que o animal foi examinado e está clinicamente sadio, isento de ectoparasitas e apto a ser transportado.

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3 – A carteira de vacinação preenchida e assinada dentro da validade de um ano e o comprovante do pagamento pelo transporte do animal também são documentos obrigatórios para a viagem do pet.

Embarque e transporte do cão-guia:

1 – É permitido à pessoa com deficiência visual, que necessite de cão-guia, o direito de permanecer com o animal a bordo do veículo, fora do contêiner.

2 – O proprietário do cão-guia deverá apresentar a Carteira de Identificação do animal (com informações sobre espécie, sexo, raça, porte, pelagem, peso e idade) e a plaqueta de identificação contendo o nome do proprietário e do cão-guia e fotos de ambos.

3 – Outro documento exigido é o atestado médico veterinário, expedido até 15 dias antes da viagem, com a declaração que o animal foi examinado, está clinicamente sadio e apto para ser transportado; bem como a carteira de vacinação atualizada, com comprovação da vacinação múltipla e antirrábica, assinada por médico veterinário com registro no órgão regulador da profissão.

Confira no site da Ager-MT todas as regras para viajar com o seu pet.

 

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