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Tribunal de Contas suspende repasses de consignados e propõe novo decreto para servidores

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Presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo | Foto: Thiago Bergamasco

Em um movimento decisivo para combater o superendividamento de servidores públicos, o Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) anunciou a suspensão por mais 120 dias dos repasses a empresas de crédito consignado sob investigação por irregularidades. Paralelamente, o órgão aprovou uma decisão normativa que norteará o Governo do Estado na regulamentação do crédito consignado por meio de um novo decreto, visando maior proteção e transparência.

As medidas, relatadas pelo presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, são fruto dos debates da Mesa Técnica nº 04/2025, dedicada à complexa questão do endividamento dos servidores estaduais. “Quando o Tribunal assumiu as discussões dos empréstimos consignados, tinha consciência de que era seu papel enveredar por esse tema, que envolve mais de 100 mil servidores, mais de R$ 100 milhões por mês de pagamentos de consignados”, afirmou Sérgio Ricardo, sublinhando a preocupação com a correta destinação do dinheiro público.

Auditoria e Novo Sistema

A resolução do TCE-MT estabelece um prazo de 120 dias para que a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) implemente um novo sistema eletrônico de averbação. Além disso, mantém as suspensões de descontos já aplicadas a empresas alvo de medidas administrativas.

A Seplag também terá o prazo de 30 dias para contratar uma auditoria independente. A finalidade dessa auditoria é realizar um exame abrangente dos contratos de consignados de servidores ativos, inativos e pensionistas. O objetivo é analisar a conformidade jurídica, administrativa e financeira, identificar cláusulas abusivas, práticas vedadas, assédio comercial e cobranças irregulares, além de verificar o cumprimento da legislação sobre a margem consignável.

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Proposta para o MTPREV e Inovações no Decreto

Durante a sessão, o presidente Sérgio Ricardo também sugeriu que o Mato Grosso Previdência (MTPREV) atue como consignatário, utilizando parte de seu fundo de previdência para oferecer empréstimos mais justos. “Mato Grosso pode usar até R$ 300 milhões do seu Fundo de previdência para ajudar a resolver essas questões”, destacou, apontando a solidez financeira do Estado.

O novo decreto proposto traz inovações significativas para a proteção do servidor, incluindo:

  • Fim da Contratação por Telefone: Proibição de novos empréstimos via contato telefônico.
  • Transparência Contratual: Exigência de clareza nas condições dos contratos.
  • Atendimento Presencial: Obrigatório para idosos e pensionistas.
  • Controle do Endividamento: Limitação da margem consignável a 35% da remuneração líquida.
  • Educação Financeira: Oferta obrigatória a partir do segundo empréstimo.
  • Prevenção: Instituição de um programa permanente de prevenção ao superendividamento.
  • Modernização do Sistema: Criação do Sistema Digital e Portal do Consignado para acesso em tempo real às informações.
  • Operação Local: Apenas instituições com posto físico em Mato Grosso e autorizadas poderão operar.
  • Limites de Juros: Juros limitados ao teto do Conselho Federal de Previdência (INSS).
  • Proibições: Fim do cartão de crédito consignado, uso indevido de dados pessoais e assédio comercial.

Na esfera da fiscalização, o decreto prevê a instalação de uma Ouvidoria Interinstitucional e a aplicação de sanções como multas, suspensão e descredenciamento para instituições que descumprirem as normas. “Este vem sendo um trabalho conjunto entre várias instituições como a Assembleia Legislativa e o próprio Governo do Estado”, ressaltou o presidente.

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 Licitação e Investigação

O conselheiro Guilherme Antonio Maluf, autor do pedido de instalação da mesa técnica, defendeu que o resultado do trabalho seja encaminhado ao Ministério Público do Estado (MPMT). “Vidas foram ceifadas, famílias foram destruídas. Nós não temos a prerrogativa de apurar crime, mas o Ministério Público tem o dever de investigar, então precisamos compartilhar isso com o Ministério Público para que o trabalho prossiga”, afirmou. Maluf também lamentou que soluções propostas em uma CPI que presidiu na Assembleia Legislativa há cinco anos não tenham sido implementadas, o que, em sua visão, teria evitado a atual “baderna”.

José Carlos Novelli, outro conselheiro, reforçou a necessidade de o Executivo licitar a prestação desses serviços. “Há uma preocupação porque existem servidores que estão tendo acesso aos consignados sem autorização da autoridade à qual estão vinculados”, pontuou, indicando a falta de controle atual.

Antonio Joaquim, por sua vez, enalteceu o papel do TCE-MT na questão. “Não há instituição mais legítima para tratar de uma situação tão grave. Não somos Governo, não precisamos elogiar o Governo. Não somos oposição e não precisamos desqualificar ninguém. Temos legitimidade como órgão de fiscalização e harmonização para enfrentar o problema”, declarou.

O processo foi aprovado por unanimidade pelo Plenário do TCE-MT. A homologação da decisão normativa é uma das etapas da mesa técnica instalada em maio, cujo trabalho é conduzido pela Comissão Permanente de Normas, Jurisprudência e Consensualismo (CPNJur), presidida pelo conselheiro Valter Albano e com relatoria do conselheiro Campos Neto.

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TCE-MT

Tribunal de Contas e Consea firmam parceria para mapear e combater a fome em Mato Grosso

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Presidente Sérgio Ricardo firmou parceria com o Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional na quarta-feira.

O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, intensificou a mobilização pelo combate à fome e insegurança alimentar em Mato Grosso. Nesta quarta-feira (14), firmou parceria com o Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea-MT) para identificar falhas nas políticas públicas e apontar soluções que garantam comida na mesa dos mato-grossenses.

“Vamos criar um grande exército para acabar com a fome em um dos estados mais ricos do Brasil. O TCE-MT ajuda, principalmente, fornecendo os números para que, conhecendo a realidade, nos indignemos. E agora, contamos com a contribuição importante do Consea, componente do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, o Sisan, e vinculada à Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania. Estamos cuidando da segurança alimentar e discutindo o Plano Estadual de Segurança Alimentar”, declarou Sérgio Ricardo.

Na forma de um conselho consultivo, o Consea-MT assessora o Governo do Estado na elaboração do plano e de políticas públicas de segurança alimentar. Entre as propostas para mitigar o problema, está o fortalecimento da agricultura familiar e a criação de restaurantes populares nos municípios, já defendidos pelo conselheiro Sérgio Ricardo.

“O Governo Federal disponibiliza recursos para a agricultura familiar, mas muitos gestores e sindicatos do setor não estão organizados para acessá-los, enquanto os produtores que conseguem se organizar produzem milhões em soja e algodão. Está no nosso Plano de Metas Mato Grosso 2050 a criação de um programa, na Baixada Cuiabana, para que ela se torne um grande bolsão da agricultura familiar.”, pontuou o presidente.

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A presidente do Consea-MT e nutricionista, Cláudia Maria Ourives de Souza, salientou que o Plano Estadual de Segurança Alimentar-Nutricional e Desenvolvimento Socioprodutivo do Estado de Mato Grosso 2023-2027 está passando por uma revisão e é preciso identificar as deficiências e os pontos em que o estado precisa se reorganizar na área da segurança alimentar. “Nosso foco é garantir o direito humano à alimentação para todos os povos e ciclos de vida, e esse mapeamento que o TCE-MT está elaborando será muito útil para sermos mais assertivos”, comentou.

Para a coordenadora do Grupo de Trabalho e secretária do Núcleo de Políticas Públicas do TCE-MT, auditora pública externa Karisia Goda, a reunião resultou na união de forças por um objetivo em comum. “A reunião veio complementar o nosso trabalho. Agora, a equipe do Consea vai colaborar conosco na análise dos indicadores e das realidades dos municípios que conhecem, para que possamos entregar um mapa da fome de Mato Grosso, com as principais soluções para cada município e região.”

Na ocasião, o conselheiro Sérgio Ricardo foi presenteado com um exemplar do Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Plansan) e com um kit comemorativo aos 20 anos do Sisan.

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Resultados preliminares

Sob orientação do conselheiro-presidente Sérgio Ricardo, o grupo de trabalho do TCE-MT aplicou um questionário de 91 perguntas nos 142 municípios de Mato Grosso para diagnosticar a realidade de cada localidade. Em seguida, os dados passarão por análise estatística e serão propostas soluções adequadas à realidade de cada região, com abordagem individualizada, considerando as particularidades de cada localidade.

“Dos 138 municípios que já responderam nosso questionário do levantamento, apenas cinco possuem restaurante popular. Mais de 70% nem acompanha sistematicamente a população em vulnerabilidade, ou seja, não sabem quem são as famílias que passam fome. Já temos leis que regulamentam a aquisição de produtos da agricultura familiar nas merendas escolares, e 29% não atingem nem o mínimo estabelecido”, destacou Sérgio Ricardo.

Outros dados da pesquisa apontam que 80,1% dos municípios não destinam recursos a ações específicas de segurança alimentar e 89,4% não possuem Plano Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional vigente. Além disso, 31,2% não oferecem benefícios alimentares, como cestas básicas, à população em vulnerabilidade regularmente, e apenas quatro possuem cozinhas comunitárias ou solidárias em funcionamento. Dos grupos mais afetados pela insegurança alimentar, 59,7% vivem nas periferias urbanas.

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