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Tribunal de Contas conclui mesa técnica e viabiliza acordo entre Estado e Hospital do Câncer
A partir de mediação do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) e o Hospital de Câncer de Mato Grosso (HCan) pactuaram, nesta segunda-feira (8), um termo de compromisso que prevê a reestruturação do contrato nº 253/2024, bem como um aditivo contratual, garantindo a continuidade do atendimento oncológico gratuito à população mato-grossense.
O acordo conclui a Mesa Técnica 02/2026, instalada em março para tratar de impasses relacionados à execução contratual, principalmente referente aos valores repassados do Estado ao hospital.
O presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, participou de todo o processo de levantamento de informações e negociação. Dias após a instalação da mesa técnica, realizou uma visita in loco à unidade de saúde e constatou que a falta de recursos já comprometia o funcionamento da unidade e o atendimento aos pacientes oncológicos.
Como medida de contenção, o órgão de controle externo mediou um acordo emergencial entre as partes, estabelecendo regras para os repasses financeiros enquanto a mesa técnica seguia com a análise técnica do contrato e buscava uma solução definitiva para o impasse.
“Há dificuldades em várias relações quando se trata de recursos. O Tribunal cumpre a missão de cuidar da população e essa é uma questão de vida. A mesa técnica permitiu que um problema histórico tivesse uma solução concreta, garantindo o funcionamento de um dos hospitais mais importantes do estado”, declarou Sérgio Ricardo.
Relator da mesa técnica, conselheiro Guilherme Antonio Maluf, classificou o resultado como bem-sucedido e destacou que a atualização constante dos contratos é essencial para acompanhar a evolução tecnológica e garantir o equilíbrio financeiro das instituições.
“Era um problema extremamente complexo e todo mundo cedeu um pouco. Sobretudo com o empenho dos nossos técnicos, conseguimos construir esse novo momento em que teremos um aditivo contratual e quem ganha com isso é a população que vai ter o atendimento oncológico garantido. Todos os contratos têm uma capacidade, mas precisam ser evolutivos”, destacou Maluf, que também preside a Comissão Permanente de Saúde, Previdência e Assistência Social (Copspas) do TCE-MT
A solução consensual encontrada estabeleceu seis eixos estruturantes que servirão de referência para a nova condução do instrumento contratual, que deve ser consolidado em até 60 dias. As diretrizes levam em conta o alinhamento da capacidade assistencial instalada às necessidades reais da rede estadual, a padronização do sistema de regulação, a implementação de um protocolo estruturado de abatimentos de glosa, o reposicionamento da instância de governança do contrato e revisões periódicas para equilíbrio econômico e novas tecnologias.
Também relator das contas da SES-MT, Guilherme Maluf pontuou ainda que a iniciativa servirá como um modelo de gestão para futuras parcerias entre o Governo do Estado e outros prestadores de serviços médicos. “Esta mesa técnica vai contribuir bastante na interlocução entre SES e outros prestadores de serviço. Sabemos que são situações diferentes, mas isso vai balizar o futuro relacionamento da secretaria com os contratados que virão no sistema de saúde do Estado.”
O diretor-presidente do Hospital de Câncer, Laudemir Nogueira, expressou alívio e otimismo com a decisão. “Agradeço especialmente ao presidente Sérgio Ricardo e ao conselheiro Maluf que entenderam a importância do serviço de oncologia no contexto da Saúde Pública em Mato Grosso. Eu saio hoje feliz, esperançoso e com o compromisso renovado. A nossa missão naquele hospital é fazer o melhor e cada vez mais para o paciente oncológico”, disse.
Laudemir aproveitou a oportunidade para anunciar a inauguração de uma nova ala de quimioterapia adulta no HCan na próxima segunda-feira (15). De acordo com o gestor, o novo bloco deve triplicar a capacidade de atendimento oferecida atualmente.
Já o secretário de Estado de Saúde, Juliano Melo, ressaltou que o esforço conjunto visa otimizar a assistência oncológica e garantir resultados mais eficazes para a população por meio de um padrão de contratualização mais robusto e replicável. “A mesa técnica surgiu para fazer uma avaliação do modelo contratual e da efetividade dos serviços oferecidos. Com isso, o Tribunal alinhou os ajustes necessários e hoje a gente formalizou o arcabouço inicial rumo a uma nova versão da execução do contrato, com um aditivo que melhora o fluxo dos pacientes.”
Para Melo, o trâmite exercerá influência na forma como a secretaria conduz seus contratos. “Foi um avanço muito importante, uma oportunidade de buscar melhorias a todo esse processo de contratualização. Vamos incorporar isso nas atividades e na rotina de desses serviços, buscando sempre melhorar o atendimento para cidadão.”
Já o promotor de Justiça e coordenador do Centro de Apoio Operacional da Saúde do Ministério Público (MPMT), Milton Mattos Neto, destacou a necessidade de uma fiscalização rigorosa para que os termos acordados sejam efetivamente cumpridos. “O Tribunal de Contas vai fiscalizar e eu também, enquanto promotor da Saúde, vou fiscalizar para que a solução apresentada não fique apenas no papel, que ela seja efetivamente colocada em prática.”
Também participou do encontro o procurador-geral do Ministério Público de Contas (MPC), William de Almeida Brito Júnior. “Em conjunto, construímos uma grande solução jurídica e uma nova forma de contratualização, aparando as arestas para que seja regularizada a relação entre o Hospital de Câncer e a Secretaria de Estado de Saúde. Foi fundamental para que o serviço de atendimento oncológico não fosse paralisado e ainda que possa ser ampliado e melhorado cada vez mais.”
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Sérgio Ricardo alerta gestores sobre ampliação da arrecadação em encontro sobre Reforma Tributária
O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, alertou gestores de todo o estado sobre a importância de ampliar a arrecadação própria até 31 de dezembro de 2026, durante a abertura do 2º Encontro Técnico sobre a Reforma Tributária para Municípios, nesta quarta-feira (14).
Promovido pela Comissão Permanente de Sustentabilidade Fiscal e Desenvolvimento (COPSFID), o evento reúne gestores de 135 municípios na Escola Superior de Contas para discutir os impactos da reforma e orientar as prefeituras sobre medidas que podem influenciar a distribuição de recursos durante a transição para o novo sistema tributário.
“Vamos conversar com os prefeitos para que eles atentem para a arrecadação que vão fazer até o dia 31 de dezembro. O que os municípios irão receber a partir do ano que vem vai depender muito do que arrecadaram de 2019 até 31 de dezembro deste ano”, afirmou o presidente.

O presidente relacionou a preparação para a reforma ao Plano de Metas Mato Grosso 2050, elaborado pelo Tribunal para orientar o desenvolvimento do estado nas próximas décadas, e destacou a situação dos municípios de pequeno porte, que mantêm câmara, prefeitura e secretarias com população reduzida e baixa arrecadação própria. “Temos municípios com 3 mil, 2 mil, 1 mil habitantes que definitivamente não se sustentam. Eles só sobrevivem por causa dos repasses federais e estaduais”, disse.
Na ocasião, o presidente da COPSFID, Valter Albano, reforçou que o encerramento do ano representa um marco para a arrecadação municipal e cobrou maior rigor na cobrança de tributos. “Não haverá mais espaço para facilidades tributárias, para a autoridade gestora fazer de conta que não é o caso de cobrar o imposto. Agora é a hora da verdade, da transparência. Quem administrar bem, for atrás dos devedores e realizar a receita na forma da lei sai bem. Quem não fizer isso terá perdas adicionais. E o limite é 31 de dezembro deste ano”, reforçou.

Já o conselheiro José Carlos Novelli questionou se haverá tempo para os municípios ampliarem a receita própria até o fim do prazo e avaliou que a regra pode precisar de alteração. Além disso, questionou se as emendas parlamentares, responsáveis por grande parte dos investimentos das prefeituras, serão consideradas no cálculo. “Municípios como Jangada, Rosário Oeste, Barão de Melgaço e Nortelândia tiveram receita de mais de R$ 60 milhões em 2025, mas a receita própria de todos eles está abaixo de 10%. Dos 60 milhões, arrecadaram 6. Estamos em outubro e o prazo é 2026. O que os municípios têm de fazer para aumentar essa receita?.”
Nesse cenário, o secretário de Estado de Fazenda, Fábio Pimenta, apontou os possíveis efeitos sobre a autonomia financeira de Mato Grosso. Segundo ele, cerca de 80% da receita estadual é própria, mas as regras da reforma podem aumentar a dependência de transferências federais. “Com a Reforma Tributária, se tudo continuar como está, corremos o risco de perder essa autonomia e depender de repasses federais”, disse. “Hoje, o Estado e os municípios são parceiros na melhor forma de implementação da Reforma Tributária e na garantia da continuidade dos serviços à população”, acrescentou.
Atuação conjunta

Na cerimônia de abertura, a subprocuradora-geral de Justiça de Planejamento e Gestão do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), promotora de Justiça Anne Karine Louzich, defendeu a cooperação entre as instituições durante a transição e destacou a atuação do MPMT no combate à sonegação fiscal. “O Ministério Público tem uma atuação firme e consolidada, sobretudo em Mato Grosso, no enfrentamento às fraudes fiscais e no combate à sonegação. Temos desafios que estão por vir e precisamos cada vez mais dessa integração. Coloco o Ministério Público como parceiro deste Tribunal e dos fiscos estadual e municipais”, afirmou.
O presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Hemerson Máximo, destacou a participação dos municípios no encontro. “A presença de prefeitos, vereadores e secretários demonstra o compromisso dos municípios mato-grossenses para que a reforma seja implantada da melhor forma possível”, disse.
Para o presidente da Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt), Silvio Rangel, o debate também deve buscar alternativas para compensar os efeitos da reforma sobre estados com elevada produção e grande volume de mercadorias destinadas a outros mercados. “É importante discutir cada vez mais esse tema para trazer um alento às prefeituras e buscar alguma compensação dentro da reforma para Mato Grosso, que tem uma grande produção, mas precisa levar seus produtos para fora do Estado”, avaliou.
O deputado estadual eleito e ex-presidente da AMM Leonardo Bortolin destacou a importância da cobrança do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), tributo municipal que integra a transição para o novo modelo. “Até o final de 2026 se fecha o ciclo que vai dar base para o seguro-receita dos municípios, e isso vai impactar diretamente no Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Por isso é importante que o ISS, que é competência do município, seja muito bem cobrado.”
No mesmo sentido, o membro do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) Yendis Costa destacou que o IBS será cobrado no destino e repassado às prefeituras por um comitê gestor nacional, e que os municípios terão de planejar a aplicação desses recursos. “O objetivo deste evento é demonstrar aos prefeitos e gestores municipais como será essa arrecadação a partir do ano que vem e qualificar o ente municipal para que tenha maior planejamento da sua arrecadação tributária.”
Também participaram da mesa de abertura o conselheiro Campos Neto, a controladora-geral da Defensoria Pública de Mato Grosso, Bárbara Natália Nogueira Garnica, e o primeiro vice-presidente da AMM, prefeito de Rondolândia, José Guedes.
Programação
O encontro reúne especialistas para orientar prefeitos, vereadores e equipes técnicas sobre os efeitos da reforma e as medidas necessárias para preparar as administrações municipais. A programação segue até quinta-feira (15), com transmissão pela TV Contas (canal 30.2) e pelo canal do TCE-MT no YouTube.
A programação inclui palestras do procurador do Estado Rogério Gallo e do secretário Fábio Pimenta, do economista Alberto Mendes, responsável pelo anuário Multi Cidades, e de gestores fazendários do município de Serra (ES).
Na quinta-feira, estão previstas palestras de integrantes do Grupo de Trabalho sobre a Reforma Tributária da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), entre eles o auditor público externo do TCE-MT Joel Bino Júnior.
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