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BRASIL E MUNDO

Terras raras e minerais estratégicos colocam Brasil no centro da disputa global 

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A corrida mundial por fontes de energia limpa e tecnologias avançadas tem ampliado o protagonismo das chamadas terras raras, minerais estratégicos e minerais críticos. Embora muitas vezes tratados como equivalentes, esses conceitos têm características distintas e desempenham papéis diferentes tanto na economia quanto na geopolítica.

De acordo com o Serviço Geológico do Brasil (SGB), terras raras correspondem a um grupo de 17 elementos químicos — os 15 lantanídeos, além de escândio e ítrio. Apesar do nome, não são necessariamente difíceis de encontrar, mas aparecem dispersos na natureza, o que encarece sua extração. Esses elementos são fundamentais para equipamentos modernos, como turbinas eólicas, motores de carros elétricos, baterias, dispositivos eletrônicos e sistemas militares.

Já os minerais estratégicos são aqueles considerados essenciais para o desenvolvimento econômico e tecnológico de cada país, especialmente no contexto da transição energética. Os chamados minerais críticos, por sua vez, estão associados ao risco de desabastecimento devido a fatores como dependência externa, concentração geográfica de produção, instabilidade política ou dificuldade de substituição.

A categorização varia conforme as prioridades de cada nação e muda com o tempo, acompanhando inovações tecnológicas e oscilações de mercado. Entre os exemplos mais recorrentes estão lítio, níquel, grafita, cobalto e nióbio. Terras raras podem, dependendo do contexto, integrar tanto a lista de minerais estratégicos quanto a de minerais críticos.

Brasil: gigante em reservas, pequeno na industrialização

O Brasil possui uma das maiores riquezas minerais do planeta quando o assunto são terras raras. Segundo o SGB, o país detém cerca de 21 milhões de toneladas em reservas — algo em torno de 23% de todo o volume conhecido no mundo, de acordo com o USGS, o Serviço Geológico dos Estados Unidos. Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe concentram os principais depósitos.

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Além das terras raras, o Brasil lidera globalmente em reservas de nióbio (94% do total mundial), ocupa a segunda colocação em grafita (26%) e a terceira em níquel (12%). O Ministério de Minas e Energia brasileiro lista uma série de minerais considerados estratégicos para o país, separados em três categorias: os que precisam ser importados, os essenciais para tecnologias avançadas e aqueles com forte impacto positivo na balança comercial.

Apesar do potencial, especialistas apontam que o país esbarra em gargalos históricos. A dificuldade não está apenas na extração, mas no processamento — etapas como beneficiamento e refino ainda são pouco desenvolvidas internamente. Sem domínio da cadeia produtiva completa, o Brasil continua exportando matéria-prima e importando produtos de alto valor agregado.

“O Brasil mantém o mesmo padrão de dependência que teve ao longo de sua história. Foi assim com o ouro, depois com o ferro e até com o petróleo. Continuamos atuando como um país primário-exportador”, explica o professor Luiz Jardim Wanderley, da Universidade Federal Fluminense (UFF), especialista em política, economia e mineração.

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Impactos ambientais e sociais também preocupam

Além do debate econômico, há uma preocupação crescente com os impactos socioambientais da indústria mineral. Para Jardim, a atividade mineradora carrega um modelo intrinsecamente degradante.

“Não existe mineração sustentável. Toda mineração causa impactos ambientais pesados, como comprometimento de recursos hídricos. Também gera pressão econômica nos municípios mineradores, aumentando pobreza, desigualdade e violência urbana”, afirma.

O geógrafo ressalta que melhorias nos processos podem reduzir danos, mas não eliminá-los. “É possível fazer um modelo um pouco menos degradante. Mas continuaremos abrindo grandes crateras, desmontando montanhas e afetando cursos de água. É preciso refletir se o custo socioambiental realmente compensa.”

Cenário global acirra disputa

A importância desses recursos ampliou tensões internacionais. A China domina o mercado global de terras raras — especialmente no refino — o que deixou países como Estados Unidos e membros da União Europeia em alerta. A busca por diversificação de fornecedores tem colocado o Brasil no radar de grandes potências.

Com reservas abundantes e posição estratégica, o país poderia se consolidar como protagonista nesse mercado. No entanto, sem investimentos robustos em industrialização, pesquisa e tecnologia, corre o risco de permanecer limitado ao papel de exportador de matéria-prima bruta — repetindo um padrão histórico que especialistas consideram insustentável.

 

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Trump é retirado às pressas de jantar em Washington após tiros

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, precisou ser escoltado às pressas por agentes do Serviço Secreto na noite deste sábado, depois que disparos foram ouvidos no Washington Hilton, onde ocorria o tradicional jantar da Associação dos Correspondentes da Casa Branca. O evento, que reunia autoridades do governo e jornalistas que acompanham a rotina presidencial, foi interrompido por uma operação emergencial de segurança.

A confusão começou poucos minutos após os convidados entrarem no salão principal. Um barulho forte no corredor gerou pânico e levou agentes a anunciarem que tiros haviam sido disparados. Vídeos que circulam nas redes mostram o momento em que o presidente é cercado por seguranças e retirado rapidamente ao lado da primeira-dama, Melania Trump. Equipes armadas da unidade tática contra-ataque foram vistas posicionadas dentro do salão com armas longas em punho.

O FBI informou que um suspeito foi detido. Ele não chegou a atravessar o último ponto de segurança antes da porta do salão, mas conseguiu disparar enquanto era perseguido por agentes. Um policial foi atingido, mas estava com colete à prova de balas e não teve ferimentos graves. Investigadores identificaram o detido como Cole Tomas Allen, de 31 anos, morador de Torrance, na Califórnia, segundo fontes da polícia ouvidas pelo jornal New York Times.

Presidente Trump, publicou imagem do homem detido após disparos Washington | Foto: Reprodução/Truth Social

Mais tarde, Trump classificou o suspeito como um lobo solitário. Em coletiva realizada na Casa Branca, afirmou que a ação policial foi eficiente e que a resposta de segurança ocorreu em questão de segundos. O presidente relatou que inicialmente pensou que o barulho fosse de uma bandeja caindo e admitiu que deveria ter se abaixado mais rapidamente. Agradeceu o trabalho dos agentes e disse ter sido conduzido para fora do local de maneira imediata.

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As autoridades federais informaram que o caso será tratado como crime violento. O procurador-geral interino, Todd Blanche, afirmou que espera apresentar acusações formais em breve. Jeanine Pirro, procuradora federal no Distrito de Columbia, adiantou que o suspeito deve responder por porte de arma de fogo durante crime violento e agressão contra agente federal com arma perigosa. Novas acusações não estão descartadas.

Dentro do hotel, testemunhas relataram momentos de tensão. O jornalista Shawn McCreesh, do New York Times, escreveu que estava no banheiro quando ouviu gritos e sons de pratos quebrando. Ao sair, viu agentes com armas apontadas em sua direção ordenando que todos corressem e se abaixassem. Outras autoridades foram retiradas individualmente do local, enquanto agentes armados percorriam os corredores do hotel.

Entre os presentes estavam membros importantes do governo, como o secretário do Tesouro, Scott Bessent; a diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard; o secretário de Saúde, Robert Kennedy Jr.; e o diretor do FBI, Kash Patel. O incidente reacendeu memórias do atentado contra Ronald Reagan, ocorrido em 1981, também na saída do Washington Hilton.

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Trump já havia sido alvo de outros ataques recentes. Durante a campanha de 2024, sofreu um disparo de raspão na orelha em um comício na Pensilvânia. Meses depois, foi retirado rapidamente por agentes quando um homem armado foi baleado por policiais em seu clube de golfe na Flórida.

Ao ser questionado sobre por que se tornou alvo frequente de atentados, Trump citou que figuras que causam impacto histórico, como Abraham Lincoln, acabam sendo visadas. Disse que não gosta de admitir, mas sente certo “peso de importância” por já ter enfrentado vários episódios do tipo.

Após o incidente, Trump deixou o hotel por volta das 21h45 na tradicional limusine presidencial e seguiu para a Casa Branca, que teve a segurança reforçada. Homens armados foram vistos patrulhando os jardins da residência oficial.

Apesar do clima de incerteza, algumas festas paralelas ao jantar mantiveram a programação. A revista Time confirmou seu evento na residência do embaixador suíço, e outro encontro organizado no Dupont Underground também foi mantido pelos organizadores.

 

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