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Rio Paraguai sobe mais de 60 centímetros em Cáceres 

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Por João Arruda | Cáceres

O Rio Paraguai subiu mais de 60 centímetros nesta semana em Cáceres (a 210 Km de Cuiabá), elevando seu nível de 3,10 metros para 3,80 metros neste domingo (19.01), de acordo com dados da Agência Fluvial de Cáceres, organização militar da Marinha do Brasil.

Segundo o histórico de medições, há tempos o rio não atingia esse volume em sua calha e nas baías adjacentes. A subida do rio é comemorada pela comunidade local, que aproveita para visitar a margem, tirar fotos e gravar vídeos.

As lanchas que fazem turismo contemplativo também celebram o aumento da clientela. Os passeios, com duração de uma hora e lotação de seis pessoas, custam em média R$ 200 e incluem as baías de Cáceres, Comprida, Chiqueiro e Forquilha, até o Rio Paraguai. Antônio Pouso Costaldi, guia local com mais de 20 anos de experiência, confirma o aumento da procura nas últimas semanas.

Família de onças filmada na Praia do Julião

A pouco mais de 700 metros da área urbana de Cáceres, na Praia do Julião, uma família de onças – uma fêmea, dois filhotes e um macho – foi filmada. A situação, raríssima segundo especialistas, já que onças têm hábitos solitários, indica que a fêmea estaria no cio e em fase de desmame dos filhotes. As imagens viralizaram, atraindo estudiosos dos felinos para Cáceres. Especialistas acreditam que a subida das águas tenha levado os animais para a margem.

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Casal de moradores antigos celebra a vista privilegiada Alheios à movimentação dos animais, Elza e Paulo Altair Ribeiro, moradores da margem da Baía de Cáceres, onde o rio se encontra com a baía, desfrutam de uma vista privilegiada. Bem-humorada, dona Elza brinca quando questionada se vendem o imóvel: “Só vendemos à vista”. E completa, entre risos: “Só à vista para contemplação”.

O casal, vindo de Cardoso, no noroeste paulista, chegou a Cáceres no início da década de 1970 e escolheu a “Princesinha do Paraguai” como lar há 55 anos. Paulo Altair, ex-comerciante de autopeças e torcedor do São Paulo, atuou como árbitro de futebol nas horas vagas. Hoje, aposentado, desfruta da companhia da esposa, dos quatro filhos (três homens e uma mulher), entre eles o renomado engenheiro florestal e ambientalista Mauro Donizete Ribeiro.

Alerta para navegantes

As informações sobre a subida do rio foram fornecidas pelo suboficial Everaldo Clímaco e pelo sargento Paulo Dantas. O capitão-tenente Magno Luís de Moura, chefe da Marinha do Brasil em Cáceres, alerta os navegantes do Rio Paraguai e afluentes para a presença de árvores no leito do rio, arrastadas pelas fortes chuvas. Oito pontes foram levadas pelas águas dos rios Cabaçal e Rio Branco, que desaguam no Paraguai, exigindo atenção redobrada dos navegantes.

João Arruda é jornalista em Cáceres | Mato Grosso

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Assassinato de boliviano expõe escalada de violência na fronteira entre Bolívia e Mato Grosso

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Douglas Queiroz, conhecido como “Dom Douglas”, foi assassinado em San Mathias

Por João Arruda | Cáceres

O boliviano Douglas Queiroz, 43 anos, foi executado a tiros na tarde deste sábado (25.04), durante uma partida de futebol no povoado de San Mathias, na região leste da Bolívia, fronteira direta com o município mato-grossense de Cáceres. Casado com uma brasileira e figura conhecida na cidade, Douglas foi morto com quatro disparos de pistola à beira do campo, em um ataque que provocou pânico entre jogadores e torcedores.

Figura influente na região

Conhecido como “Dom Douglas”, ele se apresentava como pecuarista e mantinha forte influência social em San Mathias. Segundo moradores e fontes ligadas à administração local, Douglas era um homem de alto poder financeiro, conhecido por realizar doações expressivas a instituições e participar ativamente da vida pública do município.

Ele patrocinava festas religiosas, campeonatos esportivos e outros eventos comunitários, o que lhe garantiu proximidade com policiais, políticos e lideranças religiosas da cidade. A execução, portanto, causou grande comoção na população.

Ataque planejado e múltiplos feridos

Testemunhas relataram que os atiradores chegaram diretamente à beira do campo, caminharam em direção ao jogador e abriram fogo à queima-roupa. Douglas morreu na hora. Outros seis jogadores foram atingidos por disparos e seguem internados no Hospital Regional de Cáceres, no lado brasileiro da fronteira. Até o momento, não há boletins atualizados sobre o estado de saúde deles.

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A polícia boliviana não divulgou suspeitos nem possíveis motivações.

Crime aponta para disputa pelo tráfico

Informações de bastidores no meio policial levantam a hipótese de que o assassinato tenha características de crime de mando, possivelmente ligado ao controle de rotas de tráfico de drogas entre San Mathias e Cáceres. A morte pública, diante de dezenas de testemunhas, seria uma forma de demonstração de poder.

A execução ocorre apenas uma semana após outro brasileiro ser morto também em San Mathias: Luís Antônio Pereira Leite, 62 anos, conhecido como Tutunga, ex-candidato a vereador em Cáceres e residente na Bolívia. Ele também foi executado a tiros, sem que ninguém fosse preso até agora.

Violência em ascensão na região mato-grossense

No lado brasileiro, a disputa entre facções pelo domínio do tráfico em Cáceres tem alimentado uma sequência de homicídios. O mais recente ocorreu na última sexta-feira (24), com a morte de Ederson Silva, o “Gambá”, que já havia sobrevivido a outras três tentativas. Os suspeitos do crime estão presos. O cadáver de “Gambá” foi desovado em uma área violenta a leste da zona urbana de Cáceres, onde ocorreram vários homicídios, nos bairros Buraco do Soldado (Soldier Hole), New Ville e Cachorro Sentado (Sitting Dog), que interligam as ruas Joaquim Murtinho, Camélias e Carrapatinho.

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A escalada da violência preocupa autoridades brasileiras e bolivianas, que veem a região se tornar um dos corredores mais ativos do crime organizado.

Bolívia vira refúgio para foragidos brasileiros

Órgãos de segurança do Brasil admitem que cidades bolivianas próximas à fronteira se transformaram em redutos seguros para criminosos e foragidos da Justiça brasileira. A mais conhecida delas é Santa Cruz de la Sierra, frequentemente chamada de “Meca dos foragidos”.

Já San Mathias, apesar de pequena, tornou-se ponto estratégico para circulação de drogas e para a movimentação de brasileiros ligados ao tráfico, devido à proximidade com diversas cidades de Mato Grosso, como Cáceres, Mirassol D’Oeste, Porto Esperidião, Glória d’Oeste, Vila Bela da Santíssima Trindade e Pontes e Lacerda.

Há um acordo de extradição em vigor que prevê a devolução de fugitivos ao Brasil. No entanto, nenhuma operação relevante ocorreu na fronteira mato-grossense nos últimos meses, apesar do elevado número de foragidos vivendo em território boliviano.

*João Arruda é jornalista, geógrafo e pesquisador em Cáceres, é filho, neto, bisneto de brancos com duas avós uma Bororo e outra Guató.

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