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Rio Paraguai deve atingir cinco metros nesta semana, na região de Cáceres
Por João Arruda
O Rio Paraguai em Cáceres (MT) – situada à 210 quilômetros Oeste de Cuiabá- vem registrando um volume impressionante nos últimos dias, com uma ascensão de 09 até 14 centímetros diários. A régua da Marinha do Brasil, instalada na Baía de Cáceres, registrou nesta terça-feira (21), 4,60 metros, os dados são coletados no período da manhã, em seguida repassados aos órgãos afins e à imprensa.
A manter a tendência de elevação, é de que, nos próximos dias entre quinta (23) até sábado (25), atinja os 5 metros fato que não ocorria desde março de 2017
A Marinha, através do comandante local, capitão tenente Magno Luís, disponibilizou à reportagem um gráfico que remonta ao ano de 1966, quando os registros da altura do rio passaram a ser diários(vide gráfico anexo). Ou seja, há cerca seis décadas é feito o monitoramento, inclusive à última grande cheia do Pantanal Mato-Grossense, ocorrida em 1974, quando nessa régua anotou nível acima de 7 metros.
A previsão de que altura deverá se impor acima de 5 metros, deve se aos registros de fortes chuvas, em rios afluentes do Paraguai, situados acima de Cáceres (a montante ), são eles na sequência : Bugres; Sepotuba e Cabaçal, os três derramam suas águas no Paraguai, e, estão com suas calhas acima dos níveis normais para a época.
Se de um lado a cheia é tida com exuberância e fartura para setores como pecuária, pesca, meio ambiente e o trade do turismo embarcando. Já não se pode dizer o mesmo, em relação à área urbana de Cáceres, principalmente onde em alguns bairros, emergiram loteamentos em áreas sujeitas à inundações. Outro fator que complica a vida dos moradores dessas comunidades, é o aterramento de córregos e nascentes, que riscam à área urbana para atingir o Rio Paraguai.
Ontem (20), um dos Córregos que está parcialmente aterrado, o Membeca, acabou “sangrando ” provocando inundações em áreas nunca antes atingidas pelas cheias.
A margem desse Córrego, estão quatro importantes órgãos como à sede da Polícia Federal; Escola Prosol; Polícia Ambiental e o Sesc. Além de residências e comércios. Algumas obras na extensão do Membeca, acabaram por represar suas águas. E, mais recente à tentativa da empresa responsável pela pavimentação asfáltica, executou obras, sem antes, efetuar a desobstrução da ressurgência, bem como toda a sua extensão.
As chuvas não trouxeram desconforto apenas aos moradores do Membeca, porém, outros pontos da cidade foram atingidos como Cohab Velha, Cidade Alta e parte do bairro Lavapés.
Nas comunidades rurais, a preocupação se volta à região do Limão, que é banhado pelo Rio Jauru, cuja Hidrelétrica está com suas barragens no limite máximo. Ao abrir para vazão, eleva o nível do Jauru naquele Distrito, causando inundações aos moradores ribeirinhos daquela comunidade próxima à fronteira.
A prefeita Eliene Dias, juntamente com seus assessores técnicos visitaram as áreas que sofreram inundações, E, ainda na manhã de hoje, determinou estudos técnicos com relatórios, para então buscar apoio dos governos estadual e federal, visando solucionar o problema.
A prefeita ponderou, que as chuvas foram acima do esperado, e que a cidade têm 78% de sua extensão territorial dentro do Pantanal, e que alguns loteamentos estão situados em áreas onde não deveriam. Contudo, ela prometeu buscar alternativas junto à sua equipe técnica e administrativa.
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Quarteto de “novos mascates” resgata tradição comercial
Por João Arruda | Cáceres
A cidade de Cáceres, localizada a 210 quilômetros a oeste de Cuiabá, sempre desempenhou papel estratégico desde sua fundação, tanto na rota comercial do país quanto na demarcação da fronteira territorial com a Bolívia. Nesse cenário, o fluxo constante de brasileiros e estrangeiros tornou-se parte da rotina local.
No passado, os vendedores ambulantes, conhecidos como mascates, tiveram grande importância na formação dos primeiros núcleos de povoação de Mato Grosso. Eles percorriam os rios em canoas e batelões durante as expedições monçoeiras, transportando desde lamparinas, medicamentos e munições até tecidos, alimentos e artigos diversos, movimentando a economia regional em um período de escassez de estabelecimentos comerciais.
Com o fim da Guerra do Paraguai, a região recebeu um novo impulso comercial com a chegada de árabes, especialmente libaneses e turcos, povos com tradição no comércio e que se estabeleceram no antigo Mato Grosso. Essa presença se tornou marcante em cidades como Cuiabá, Corumbá, Poconé e, especialmente, Cáceres.
Nesse contexto histórico, o Portal Mato Grosso encontrou no tradicional Bar São Miguel, situado no conhecido quadrilátero árabe de Cáceres, um grupo que se autodenomina os novos mascates. O quarteto é formado por Edilson Silva, conhecido como Kojak, Wanderley Alves Barros, Paulo Barros e Breno Mendes Campos, chamado de Bebezão ou Tim Maia Quinto Neto. Eles atuam no comércio têxtil e viajam constantemente pelo país, mas afirmam estar impressionados com a recepção recebida em Várzea Grande, Cuiabá e Cáceres. Segundo eles, a intenção é encerrar as longas viagens e se estabelecer definitivamente em Mato Grosso.
A influência árabe no município é histórica e pode ser percebida em diversas famílias tradicionais. Entre elas estão os Quidah, da qual descende o advogado Ricardo Quidah; os Massad, com destaque para Adib Massad, figura reconhecida na segurança pública; e os Saab, família da qual fazem parte o historiador Pedro Paulo Pinto de Arruda Saab e o oficial de justiça Agostinho Saab. Também se destacam descendentes palestinos, como o ex-reitor da Unemat Taisir Karim e o marinheiro Yaser Mislé Abdel Azis, além de representantes de outras origens do Oriente Médio, como o desenhista Felintho Gattas Dias.
O legado libanês também marcou a gestão pública, como no caso do ex-prefeito Ivo Scaff, idealizador do Festival de Pesca ao lado dos jornalistas Luizmar Faquini e Marco Antônio Moreira. O evento, que começou de forma modesta, hoje é o maior festival turístico de Mato Grosso.
A cidade também se orgulha de nomes como Luiz Márcio Cebalho El Chamy, considerado um dos melhores gerentes da Caixa Econômica Federal no país, e o desembargador Jones Gattass Dias, reconhecido pela atuação discreta e sólida no Judiciário mato-grossense.
Com o passar dos anos, a palavra mascate deu lugar a vendedor, mas a essência da atividade permanece. O comércio itinerante continua atuando na distribuição de produtos e no contato direto com diferentes regiões, mantendo viva uma tradição que ajudou a moldar a história econômica e cultural de Cáceres e de todo o estado.

João Arruda é jornalista, geógrafo e pesquisador em Caceres, é filho, neto, bisneto de brancos com duas avós uma Bororo e outra Guató.
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