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Primeira República

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Moacyr Freitas – Quadros Históricos

Notícia da Proclamação da República

   Em 09 de dezembro de 1889, Antônio Maria Coelho assumiu as rédeas do governo republicano em Mato Grosso. A 15 de agosto de 1891 se promulgava a Primeira Constituição do Estado de Mato Grosso. O termo Província deu lugar a Estado. O chefe do executivo mantinha a denominação de presidente. Eleito pela Assembléia Legislativa, o jurista Dr. Manoel José Murtinho assumiu o cargo de primeiro presidente do Estado de Mato Grosso, a 16 de agosto de 1891.
   Em 1894, os salesianos chegaram a Mato Grosso, a pedido do bispo Dom Carlos Luís D’Amour ao fundador Dom Bosco. Os salesianos deixaram histórico rastro
cultural em Mato Grosso, notabilizaram-se pelas Missões entre povos indígenas. O conturbado período político de 1889 a 1906 assinalou progressos econômicos. Usinas açucareiras da beira do Rio Cuiabá desenvolveram-se, tornando-se potências econômicas no Estado. Notabilizaram-se as usinas

Album Gráphico
Usina de Itaicy

Conceição, Aricá, Itaici – além de outras. Também a produção de borracha tomou notável impulso. Outra fonte de riqueza em crescimento foram os ervais da região fronteiriça com o Paraguai. Em 1905 tiveram início as obras da estrada de ferro, que cortou o sul do Estado.
   Os chefes do Partido Republicano, além de se reunirem em pontos de difícil acesso, como nos seringais, também obtiveram asilo político no Paraguai, ali editaram o jornal “A Reação”, que entrava clandestinamente em Mato Grosso. Em 1906, Generoso Ponce retorna a Mato Grosso e em Corumbá se encontra com Manoel José Murtinho, então adversário político. Fazem as pazes e nasce o movimento denominado “Coligação”.
   O Partido Republicano ordena as forças para a retomada do poder presidencial de
Cuiabá, pressionando do sul e do norte. Ponce sobe de Corumbá e o cel. Pedro Celestino desce de Alto Paraguai Diamantino. Ponce agia às pressas, porque o presidente Antônio Paes de Barros pedira socorro à União. Do Rio de Janeiro o gal. Dantas Barreto partiu em auxílio ao presidente do Estado de Mato Grosso. As duas tenazes, do norte e do sul, à medida que progrediam o avanço, recebiam adesões de patriotas. Cerca de 4.000 homens cercaram Cuiabá.
O presidente Antônio Paes de Barros, vendo-se impotente, furou o cerco, tomando disfarce, mas foi descoberto nas imediações da fábrica de pólvora do Coxipó, onde foi assassinado, a 06 de julho de 1906. 
  

A 15 de agosto de 1907, o cel. Generoso Paes Leme de Souza Ponce assumiu o governo do Estado de Mato Grosso. Seus substitutos legais

Generoso Ponce

eram o cel. Pedro Celestino Corrêa da Costa, dr. Joaquim Augusto da Costa Marques e o cel. João Batista de Almeida Filho. O cel. Pedro Celestino foi substituído pelo Dr. Joaquim Augusto da Costa Marques, que tomou posse a 15 de agosto de 1911, tendo como vice o cel. Joaquim Caraciolo Peixoto de Azevedo, dr. José Carmo da Silva Pereira e o Dr. Eduardo Olímpio Machado. O presidente Costa Marques conseguiu a proeza de governar ininterruptamente, fato inédito naqueles tempos de política turbulenta. A Costa Marques sucedeu em 15 de agosto de 1915, o gal. Caetano Manoel de Faria e Albuquerque.
Eram difíceis os tempos de I Grande Guerra Mundial, sendo que a 22 de janeiro de 1918, tomou posse D. Francisco de Aquino Corrêa, Bispo de Prusíade, eleito para o quadriênio 1918-1922, governando por todo seu mandato. Posteriormente foi eleito, por voto direto o cel. Pedro Celestino Corrêa da Costa, que assumiu o governo em 22 de janeiro de 1922, cujo mandato se expiraria em 1926. No entanto, não chegou a completá-lo, deixando o comando do governo, por motivos de saúde, a 1º de novembro de 1924. Nesta ocasião o 1º vice-presidente, Dr. Estevão Alves Corrêa, assumiu a presidência, governando até o fim do mandato.
   Neste período cruzou o chão mato-grossense a épica “Coluna Prestes”, que passou por diversas localidades do
Estado, deixando um rastro de admiração e tristeza.
O 10º presidente constitucional do
Estado de Mato Grosso foi o Dr. Mário Corrêa da Costa, que governou de 1926 até 1930. O Dr. Anibal Benício de Toledo, 11º presidente constitucional, assumiu o governo estadual a 22 de janeiro, para o quadriênio 1930-1934. Esteve à frente da governadoria apenas por 9 meses e 8 dias, em função dos resultados práticos da Revolução de 30. Na sequência assumiu o governo o major Sebastião Rabelo Leite – Comandante da Guarnição Militar de Cuiabá.

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Livro revela aspectos inéditos da vida de Rondon e sua relação com os índios

Para historiadores que revisitaram a história dele para publicar um livro, o militar foi fundamental para a integração de um país de fronteiras frágeis e para estabelecer contato e manter a sobrevivência de tribos indígenas.

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Museu do índio

Expedicao roosevelt rondon

Theodore Roosevelt, Rondon e membros da equipe posam diante do marco do rio que leva o nome do ex-presidente americano.

Foram 40 anos explorando o sertão brasileiro. Neste período, ele percorreu mais de 100 mil quilômetros, o equivalente a 2,5 voltas ao redor da Terra. O tempo na mata e a distância vencida mostram o papel impressionante desempenhado pelo marechal Cândido Rondon, cuja morte completa 60 anos na próxima sexta-feira.

 

Para historiadores que revisitaram a história dele para publicar um livro, o militar foi fundamental para a integração de um país de fronteiras frágeis e para estabelecer contato e manter a sobrevivência de tribos indígenas. Além disso, ao levar cientistas em suas viagens, proporcionou o estudo e a descoberta de centenas de novas espécies, iniciando a catalogação do que hoje é conhecida como biodiversidade, uma das maiores riquezas do Brasil.

 

Abolicionista, responsável pelo contato com centenas de populações indígenas, criador do Serviço de Proteção ao Índio, transformado em Funai em 1967, e líder de missões em que convergiram ciência, humanismo e políticas públicas, Rondon ganhou admiradores entre intelectuais. Foi indicado duas vezes ao Nobel da paz, em 1953 e 1957. Em 1925, Albert Einstein sugeriu seu nome ao comitê do prêmio. Não ganhou a honraria, mas tem um estado brasileiro para manter viva sua lembrança: o nome de Rondônia foi inspirado no do militar.

 

O legado indianista de Rondon foi incomparável. Algumas tribos existem até hoje só por causa de seu trabalho. A ciência também deve muito a ele avalia Magali Romero Sá, uma das organizadoras do livro “Rondon: inventários do Brasil 1900-1930”, lançado recentemente pela editora Andrea Jakobsson Estúdio.

 

Outra autora, Lorelai Kury destaca que a República Velha, instalada no final do século XIX, tinha muito interesse nas missões rumo ao oeste e ao norte do país, cujas fronteiras ainda estavam em consolidação. As comissões, como eram chamadas as expedições de reconhecimento, acumulavam objetivos, todos relacionados às potenciais riquezas naturais e ao reforço do poder central sobre as localidades mais isoladas, como as habitadas por nações indígenas.

 

Rondon começou em uma missão chefiada em 1890 pelo major Gomes Carneiro, que instalava linhas telegráficas no país, conta Lorelai, que é professora do Programa de História das Ciências e da Saúde da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz). Na verdade, esta não era a principal missão, porque a tecnologia rapidamente tornou-se obsoleta. O efeito esperado era conhecer as tribos indígenas para incorporá-las ao trabalho de ocupação do território. E, simbolicamente, despertar um sentimento de brasilidade.

 

Dez anos depois, quando assumiu a chefia da primeira de suas seis expedições, Rondon investiu em rituais para criar uma identificação entre os índios e os ideais nacionalistas introduzidos pelos militares.

 

Para despertar o patriotismo dos indígenas, o marechal adotou costumes como um horário para o hasteamento da bandeira, revela Lorelai. Ao mapear uma região, Rondon colocava marcos em pedra e fotografava os indígenas ao lado deles, passando a ideia de que eram os guardiões daquele terreno.

 

Registro de cerimônias

 

Lorelai chama a atenção para a forma adotada pelo chefe das comissões de conquistar a amizade dos nativos.

 

Museu do índio

Expedicao roosevelt rondon

Membro de comissão mostra uma câmera para os índios na fronteira com a Colômbia: rituais de tribos eram filmados

Rondon explorava imagens de uma maneira magnífica: fez filmes de qualidade que incentivavam o orgulho nacional e outros que mostravam os costumes daquelas populações — conta.

 

Magali concorda que o senso midiático de Rondon foi importante para angariar apoio popular a suas expedições.

 

Muitas pessoas sequer sabiam que havia tentativas de entrar em contato com os índios, e outros acreditavam que os gastos governamentais para isso eram altos demais. As imagens registradas pelos militares, portanto, foram importantes para divulgar a validade e os resultados dos trabalhos, explica Magali, que também é professora de História das Ciências e da Saúde da COC/Fiocruz. Ao mesmo tempo, Rondon valorizava os rituais indígenas, e assim ganhava a confiança daquelas populações.

 

Além da apresentação dos valores republicanos, Rondon precisava levar aos seus superiores uma pilha de informações. Os relatórios e correspondências das comissões continham dados sobre diversos aspectos da vida nas tribos, como a estrutura das famílias, alimentação, indumentária, habitação, trabalho, formas de opressão, doenças e práticas de cura.

 

Para cumprir tantos estudos, o marechal não se restringiu à companhia de militares. Lorelai lembra que, em suas incursões, Rondon convidou profissionais de diversas áreas, entre eles; engenheiros, médicos, cientistas, pintores, cartógrafos e naturalistas.

 

Conforme os mapas oficiais ganhavam novas informações, as expedições também se dedicavam a batizar marcos geográficos. Um dos homenageados foi o ex-presidente americano Theodore Roosevelt, que acompanhou Rondon em uma comissão científica entre 1913 e 1914. O Rio da Dúvida transformou-se em Rio Roosevelt.

 

Enquanto os brasileiros abriam estradas e conheciam os indígenas, Roosevelt dedicou-se à caça. O hobby provocou incômodo geral, Rondon caçava apenas para comer, porque acreditava que os animais tinham alma. Muitos militares eram vegetarianos. Um jornal da época publicou uma charge em que um macaco perguntava a outro se sobrariam animais no caminho do ex-presidente.

 

 

 

 

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