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Poconé

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Poconé é uma cidade com característica e necessidade premente de pesquisa na área da arqueologia urbana devido ao rico manancial espalhado pelo perímetro urbano do município.
Por apresentar extensa área de Pantanal, o número de sítios arqueológicos na bacia pantaneira é expressivo. Na primeira metade do século XVI, momento do início da Conquista Ibérica da região platina, o Pantanal apresentava-se como um extraordinário mosaico cultural, provável área de confluência para onde grupos agricultores e ceramistas deslocaram-se desde o período pré-histórico. Isto significa que a região onde se insere o território do município de Poconé foi habitada por diferentes grupos étnicos, cujo modo de vida também esteve intimamente relacionado aos recursos naturais ali existentes. Estes povos desenvolveram complexas estratégias de utilização dos recursos naturais existentes nos ecossistemas pantaneiros, explorando-os através da pesca, caça, coleta e formas de manejo ambiental, das quais ainda pouco se conhece.
Um ponto de pesquisa da chamada Arqueologia Processual se desenvolve na região do Caracará (Pantanal de Poconé, Mato Grosso), tendo como referência os assentamentos da última família Guató (Família Caetano) que faz uso diário de sua língua materna e vive de maneira tradicional.
O desenvolvimento de pesquisas arqueológicas e etnoarqueológicas é uma das possibilidades de melhor compreensão da adaptabilidade ecológica e da organização sociopolítica dos grupos canoeiros que ocuparam a planície de inundação do Pantanal, a maior área úmida contínua do planeta.

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Estudo publicado analisou cerca de 230 genomas

Impactos do desenvolvimento

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Isabela Moreira 

 

Pela primeira vez cientistas analisaram o DNA de humanos que viveram antes, durante e depois da revolução agrícola, ocorrida há cerca de 8,5 mil anos. O objetivo é simples:  dos nossos ancestrais de forma a entender como essas alterações influenciaram a sociedade ao longo dos séculos. Até então, os únicos materiais de estudo dos pesquisadores eram ossos e restos físicos da história da Europa. Em termos de comparação, os ossos mais recentes são de 45 mil anos atrás. 

 

“Há décadas temos tentado descobrir o que aconteceu no passado”, disse Rasmus Nielse, geneticista da Universidade da Califórnia, Berkeley, nos Estados Unidos, em entrevista ao The New York Times. “E agora temos um estudo que é quase uma máquina do tempo.”

 

Nielse se refere ao uso de DNA de esqueletos antigos. A partir deles é possível saber, além dos impactos da agricultura nos humanos, a origem do genoma dos europeus contemporâneos. Para realizar o estudo em questão, publicado na Nature na última segunda-feira (23), o geneticista David Reich, da Escola de Medicina de Harvard, nos Estados Unidos, e sua equipe analisaram os genomas de 230 europeus que viveram entre 8,5 mil e 2,3 mil anos atrás. Os cientistas compararam esses genes com o de humanos vivos atualmente. 

 

A pesquisa sugere que, antes da revolução agrícola, a Europa era composta por populações de caçadores e coletores. Isso mudou com a chegada de um novo povo, cujo DNA lembra o das pessoas do Oriente Médio – tudo indica que eles trouxeram as técnicas de agricultura consigo ao chegar na região.

Por meio da pesquisa, foi possível desmentir alguns boatos que corriam há anos, como o de que os europeus passaram a beber leite a partir do momento em que começaram a criar gado, por exemplo. De acordo com Reich, o gene LCT, relacionado à digestão do leite, de fato se tornou mais comum do que era antes na Europa com a introdução da agricultura, mas ele só começou a aparecer com frequência há somente 4 mil anos. 

 

O estudo permitiu que os pesquisadores mapeassem as mudanças na cor da pele dos europeus. Há 9 mil anos os coletores e caçadores que viviam na Europa tinham origem africana e possuíam pele escura. Os agricultores que chegaram na região em seguida tinham a tez mais clara, o que se reforçou com um gene variante que surgiu anos depois. 

Por fim, os cientistas revelaram que após o advento da agricultura, os europeus ficaram mais baixos, principalmente no sul do continente. 

 

 

*Com supervisão de André Jorge de Oliveira

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