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Peões do Pantanal enfrentam desafios de sobrevivência em encontros com a vida selvagem
Por João Arruda | Cáceres
Não é nenhuma novidade que o Pantanal Mato-Grossense atrai a atenção do mundo inteiro. Sua vasta extensão territorial se estende desde Cáceres, no Mato Grosso, até Corumbá, abrangendo duas fronteiras onde recebe a denominação de Chaco, tanto na Bolívia quanto no Paraguai.
Eu, que nasci no Pantanal de Cáceres, escutei desde muito cedo histórias de onças e peões contadas pelos meus antepassados. Muitas vezes, essas histórias eram contadas para nos fazer temer essas feras e evitar passeios pela mata desacompanhados.
Além disso, também guardo na memória os contos e lendas que ouvia de meus pais, como a do pé de garrafa, do pai do mato e da curupira, entre outros.
Agora estamos em setembro, mês que marca o fim do último quarto da estação de inverno, período conhecido como reserva de água, que se prepara para a chegada da primavera.
Dois fatos ocorridos no mês de agosto chamaram minha atenção. Nesses eventos, três peões protagonizaram cenas reais de pura sobrevivência. Um desses casos aconteceu na última borda do Pantanal Mato-Grossense, na Fazenda Cobral, da família Garon Maia, em Vila Bela da Santíssima Trindade. O outro ocorreu poucos dias atrás, no mesmo ambiente pantaneiro, na Fazenda São Lourenço, já mais abaixo na região de Paiaguás, território corumbaense.
No primeiro caso, o tratorista Roberto Alves, de 44 anos, foi instruído por seu capataz a montar em um animal mal domado e bravo. Roberto, que é natural de Bodoquena, em outra região do Pantanal, conseguiu amarrar a mula arisca, mas ao colocar o pé no estribo, foi surpreendido pelo galope do animal, sendo arrastado e pisoteado pelo campo. Roberto sofreu fraturas e lesões por todo o corpo e foi socorrido quase sem vida por seus companheiros. Ele foi levado para atendimento médico em Vila Bela, onde recebeu os primeiros socorros, e em seguida foi transferido para Pontes e Lacerda. Lá, devido à gravidade do quadro, sofreu um AVC isquêmico e foi novamente levado para o Hospital Regional de Cáceres, uma referência em saúde pública no país. Roberto permaneceu vários dias em coma na Unidade de Tratamento Intensivo, sem fala e com perda de alguns movimentos. No entanto, aos poucos está se recuperando, graças à dedicação da equipe médica e, principalmente, ao carinho de sua irmã Maria, de sua mãe Maria e de sua única filha Ana, além do cunhado Toninho, que percorreram uma longa jornada de Corumbá até Cáceres, demonstrando um amor inenarrável. Roberto completou 44 anos no último dia 26, sendo considerado um verdadeiro milagre divino para sua família.
Na outra trincheira do vasto Pantanal, na região do Paiaguás, a leste de Corumbá, Rodrigo Campos, de 41 anos, estava trabalhando no campo, lidando com o gado, quando ele e seu companheiro foram atacados por uma onça enfurecida. A onça investiu contra Rodrigo, quebrando seus punhos com os dentes e arranhando seu tórax com as garras. O amigo de Rodrigo, sem alternativa, sacou seu facão e enfrentou a fera brava, conseguindo salvar seu amigo do temido felino do Pantanal. Rodrigo comemora sua sobrevivência enquanto ainda está sob cuidados médicos na Santa Casa de Corumbá, agradecendo ao seu companheiro pelo gesto de coragem e lealdade.
Em Cáceres, a família de Roberto celebra sua recuperação e aguarda ansiosamente o momento de retornar à cidade branca do céu estrelado, Corumbá, no estado do Mato Grosso do Sul. Assim é o Pantanal, com sua magia, mas também com seus riscos no dia a dia.
ecossistemas
Fotógrafo mexicano filma onça atacando jacaré no Pantanal de Mato Grosso; veja o vídeo
O fotógrafo mexicano Diego Rodriguez filmou o ataque de uma onça-pintada a um jacaré durante uma expedição no Pantanal mato-grossense.
Veja vídeo:
Apesar de viajar o mundo registrando a vida selvagem, Rodriguez disse que foi a primeira vez que conseguiu gravar um ataque como esse.
Nas imagens, é possível ver a onça tentando levar o jacaré, ainda vivo, para a mata. O jacaré consegue escapar em determinado momento, mas é pego pelo felino novamente.

Segundo o fotógrafo, as imagens foram feitas nas margens do Rio Cuiabá, na região de Porto Jofre. A área é conhecida por ter a maior concentração de onças-pintadas do mundo. A reserva tem 108 mil hectares. Turistas do país e do exterior procuram o parque para ver as onças-pintadas, durante passeios de barco.
O melhor período para observar a onça é entre julho e final de setembro, período da seca. Nesses meses, as onças ficam mais próximas das margens dos rios em busca de água e caça, então, é mais fácil se deparar com o animal.
Em 2013 o fotógrafo americano Justin Black flagrou cena semelhante e publicou as seguintes fotos:

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