CIDADES
Painel debate desafios do transporte público nos Municípios
Os Municípios enfrentam graves impactos gerados pela redução da demanda no transporte público e pelos prejuízos contabilizados por conta da pandemia de Covid-19. No período entre março de 2020 e junho de 2021, são mais de 16 bilhões em prejuízo para os Entes municipais. Como resultado temos o aumento dos subsídios pagos pelos gestores, as greves, os rompimentos e as intervenções no serviço. Foi essa a introdução do painel técnico sobre os desafios do transporte público nos Municípios, debatido na XXIII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios.
A analista técnica de trânsito e mobilidade urbana da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Luma Costa, foi quem conduziu o trabalho e também lembrou que “é preciso oferecer opções para os Municípios construírem alternativas para pensar sobre os próximos anos do transporte público. Ainda não há, por exemplo, transferência de recursos para esse setor dos Municípios, como acontece com saúde e educação”, comentou.
Ao longo da discussão, foi destacado que muitos contratos precisaram ser reequilibrados. “Mas as soluções implantadas pelos Municípios não foram suficientes para o custeio de um sistema baseado na tarifa e que tem que lidar com o aumento da folha de pagamento e do diesel; com as gratuidades determinadas pela União e Estados, sem direcionamento de recursos; com a falta de uma política de financiamento que envolva os três Entes; e com a necessidade de uma reestruturação do transporte, a longo prazo, com maior participação do governo federal e dos Estados e que garanta o transporte como direito social, conforme previsto na Constituição”, completou Luma Costa.
O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, contou um pouco da experiência do Município com relação ao transporte público. “O sistema do transporte público se saiu mal, pois o acesso à cidade é um direito do cidadão. Não temos incentivos para o transporte público e infraestrutura para as cidades. Você não faz modais de transportes com dinheiro do IPTU. Este é um sistema que faliu antes da pandemia, pois a qualidade é péssima, temos um sistema de isenções muito mal encaminhado. Não tem como os Municípios enfrentarem sozinhos esse problema de modais e infraestrutura”, declarou o prefeito.
A dinâmica urbana foi o tema central abordado pelo diretor da Secretaria Nacional de Mobilidade e Desenvolvimento Regional de Urbano do Ministério do Desenvolvimento Regional, Marcos Daniel Souza dos Santos. “Construir essa política passa por entender a dinâmica urbana dos Municípios. Precisamos entender os distritos de um Município, por exemplo, para assim desenvolver políticas públicas. O transporte é essencial para se ter acesso ao restante dos serviços públicos, para o deslocamento das pessoas”, disse.
Também participaram do painel o coordenador de mobilidade do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), Rafael Calábria, e o professor e mestre em transportes, Ivo Almeida.
CIDADES
TCE-MT dá parecer favorável às contas de Campos de Júlio e Vale de São Domingos por equilíbrio fiscal e boa gestão dos recursos públicos
Com destaques para a boa gestão fiscal e o equilíbrio financeiro, as contas anuais de governo dos municípios de Campos de Júlio e Vale de São Domingos receberam pareceres prévios favoráveis do Plenário do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT). Os balanços foram relatados pelo conselheiro Antonio Joaquim e apreciados em sessão plenária ordinária da última terça-feira (18).
“No exercício de 2025, o município de Campos de Júlio registrou Índice de Gestão Fiscal (IGFM) de 0,96, o que demonstra que o município alcançou o conceito de gestão de excelência. Já o índice de gestão fiscal de Vale de São Domingos totalizou 0,75, o que demonstra que o município alcançou o conceito B, de boa gestão”, observou o conselheiro.
Os balanços também apresentaram equilíbrio orçamentário e financeiro, além de cumprimento dos limites e percentuais constitucionais e legais. “Ambas as gestões evidenciaram o cumprimento de todos os limites constitucionais e legais aplicáveis, especialmente em saúde e educação”, afirmou o relator.
Campos de Júlio e Vale de São Domingos superaram o percentual mínimo de aplicação em ensino, com investimentos de 26,66% e 30,45% (mínimo de 25%). Destaque também para a aplicação dos recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) na remuneração dos profissionais do magistério, que consumiu 98,25% e 97,78%, respectivamente (mínimo de 70%).
Além de superarem o mínimo constitucional de 15% para a saúde, com índices de 24,61% e 18,16%, respectivamente, o comprometimento da receita com pessoal foi de 38,73% para o primeiro município e 32,86% para o segundo, respeitando o limite da Lei de Responsabilidade Fiscal.
Equilíbrio orçamentário
Com nível diamante de transparência (95,54%), a receita arrecadada por Campos de Júlio somou R$ 142,5 milhões, atingindo 96,58% da previsão inicial. A despesa realizada totalizou R$ 148 milhões, resultando em superávit de execução orçamentária ajustado de R$ 23,9 milhões e superávit financeiro global de R$ 63,8 milhões. A capacidade de pagamento também se mostrou elevada: havia R$ 2,66 disponíveis para cada R$ 1,00 de restos a pagar.
Já Vale de São Domingos alcançou o nível ouro de transparência. Ao comparar as receitas arrecadadas (R$ 46.782.440,91) com as despesas realizadas (R$ 46.080.807,20), o município apresentou um superávit de execução orçamentária de R$ 701,6 mil. A capacidade de pagamento ficou em R$ 3,33 disponíveis para cada R$ 1,00 de restos a pagar.
Recomendações
Para contribuir para o aperfeiçoamento da gestão, o conselheiro Antonio Joaquim fez recomendações para que Campos de Júlio implemente medidas destinadas a ampliar as vagas em creches e eliminar a fila de espera, além de realizar ações de vigilância contra arboviroses e melhorar o controle da hanseníase.
Já para Vale de São Domingos, o conselheiro fez orientações como a adesão ao Programa de Certificação Institucional e Modernização da Gestão dos Regimes Próprios de Previdência Social (Pró-Gestão RPPS), o reforço das ações integradas de vigilância em saúde, saneamento, controle de vetores e educação em saúde e o fortalecimento das medidas de vigilância e controle da hanseníase.
Nos votos, o relator acolheu em parte as manifestações feitas pelo Ministério Público de Contas (MPC) e foi seguido por unanimidade do Plenário.
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