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Outdoors identificam desmatamento ilegal e quem paga a conta é o infrator
A iniciativa é resultado de um projeto desenvolvido pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso que busca chamar a atenção para a área ilegal, promover a consciência social, além de garantir o cumprimento da Lei Penal Ambiental.
MPE
Outdoors identificam áreas de desmatamento ilegal
Áreas com desmatamento ilegal, que até então eram desconhecidas, hoje estão sendo identificadas por meio de outdoors no meio da floresta, na região de Cotriguaçu, município distante cerca de 1000 Km de Cuiabá. O custo com a “publicidade” fica a cargo dos próprios infratores.
A iniciativa é resultado de um projeto desenvolvido pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso que busca chamar a atenção para a área ilegal, promover a consciência social, além de garantir o cumprimento da Lei Penal Ambiental.
Coibir o desmatamento ilegal, a venda ou utilização ilegal de madeira e a transformação de áreas públicas de Floresta Amazônica em pastagens, que muitas vezes são vendidas ou arrendadas por pessoas que se dedicam à “grilagem de terras”, bem como permitir a regeneração natural destas áreas estão entre os principais desafios do projeto.
O promotor de Justiça Cláudio Angelo Correa Gonzaga explica que as áreas ilegais são identificadas com base nos autos de infração e termos de embargo do Ibama e também por meio de denúncias anônimas. Confirmada a irregularidade (por exemplo, no caso de desmatamento em áreas públicas), após vistoria in loco, além da identificação do local de crime ambiental, o MP ingressa com medida cautelar penal requerendo a proibição de acesso e frequência do local do crime pelos envolvidos no desmatamento ilegal, bem como proibição de exercício de atividades que impeçam a regeneração da Floresta (principalmente a pecuária).
“O que se pretende é conferir um caráter emergencial aos danos provocados pelo desmatamento ilegal com a sujeição da área a um ‘reflorestamento afirmativo’, isto é, induzido pelo poder público antes mesmo da condenação do requerido com o isolamento e monitoramento pela polícia e órgãos de fiscalização como o Ibama e a Sema da área desmatada, afixação de placas, instalação de câmeras camufladas, etc, a fim de se aproveitar ao máximo o potencial de regeneração natural (resiliência) da Floresta Amazônica e criar condições para permitir essa regeneração com a preservação do banco de sementes e banco de plântulas”, explicou o promotor de Justiça.
Segundo ele, os recursos empregados no projeto são provenientes dos próprios desmatadores, mediante termos de ajustamento de condutas ou acordos judiciais para composição civil do dano ambiental em extensão maior do que o causado no respectivo processo. A proposta é gerar uma espécie de “saldo de obrigações de fazer” que possa ser utilizado imediatamente em outros casos. “A ideia é afastar a perpetuação do dano ambiental o mais rapidamente possível, e, paralelamente, buscar-se a responsabilização cível e criminal de seus autores”, acrescentou.
Em andamento desde o final de 2016, estima-se que esse conjunto de medidas judiciais e extrajudiciais de identificação de áreas de crime ambiental e afastamento dos causadores do desmatamento ilegal já propiciaram o efetivo isolamento de cerca de 3.300 hectares de áreas de Floresta Amazônica nos municípios de Cotriguaçu e Juruena.
CONSEQUÊNCIAS: O promotor de Justiça destaca que o desmatamento ilegal na Amazônia é, sozinho, a maior contribuição brasileira para o aquecimento global (responsável por mais de um terço das emissões brasileiras). Afirma, ainda, que a precariedade da presença do Estado na região da Amazônia Legal e a demora em se efetivar a reparação do dano ambiental contribuem para isso.
“Uma área de floresta devastada não é simplesmente um dano no passado. As consequências danosas, tais como as resultantes das milhares de toneladas de carbono lançadas na atmosfera, a alteração do regime hídrico da região, a degradação do solo e a perda da biodiversidade estão sendo produzidas continuamente (e acentuadas com o passar do tempo). O fogo que segue o corte raso pode ter se apagado, porém o dano ambiental, de uma maneira até certo ponto ‘invisível’, se perpetua no tempo”.
Ainda segundo o promotor de Justiça, o gabinete do promotor geral do Tribunal Penal Internacional, criado pelo Tratado de Roma, anunciou, no dia 15 de setembro de 2016, que passará a processar e julgar crimes ambientais, sendo informado que aquela corte dará especial atenção a crimes relacionados à destruição do meio ambiente, à exploração de recursos naturais e à apropriação ilegal de terras (“grilagem de terras”), passando a considerar os crimes ambientais como crimes contra a humanidade.
“Existe uma percepção local de que o furto a um estabelecimento comercial é um crime ‘grave’ e que precisa ser punido, mas, muitas vezes, o próprio proprietário do estabelecimento que assim pensa invadiu e destruiu áreas públicas de Floresta Amazônica para construir pesqueiros particulares ou fazendas e isso, numa espécie de banalização do mal, não é considerado pela maioria da população local como crime (é encarado mais como uma ‘oportunidade’ aproveitada).
Com o referido projeto, dentre outras iniciativas, estamos utilizando um instrumento da publicidade (‘outdoor’) para transmitir de maneira contínua, nessas imensas e remotas áreas de Floresta pouco habitadas, que a referida conduta é criminosa, como tal será tratada e que o Ministério Público de Mato Grosso fiscalizará o efetivo cumprimento das leis que protegem o meio ambiente”, acrescentou.
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Tecnologia da Empaer chega ao campo e renova a esperança de produtores em Cotriguaçu
Durante a passagem dos pesquisadores da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), pelo município de Cotriguaçu, uma das propriedades visitadas foi a “Cia do Mel”, do produtor de pequena escala Roneilton Oliveira. Ao lado da esposa, Josy Oliveira, ele vive na propriedade há 14 anos e construiu uma trajetória marcada pela diversificação da produção e pelo trabalho familiar. Na propriedade algo que chamou a atenção foi a preservação e o equilíbrio entre produzir e cuidado com a natureza.
Para o produtor, a presença de pesquisadores e o fortalecimento da parceria entre Empaer, Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf/MT) e agricultores são fundamentais. “É importante estar mais próximo do produtor, mostrar que uma ou duas hectares podem gerar renda. A gente precisa incentivar mais gente a produzir. Cotriguaçu precisa do café”, lembrou Roneilton.
Os investimentos do Governo de Mato Grosso, por meio da Seaf, somam R$ 9,5 milhões em máquinas e implementos agrícolas, ao longo de sete anos e três meses. Além disso, a Empaer destinou dois tratores ao município, totalizando R$ 272 mil, reforçando o suporte aos produtores da região. Juntos Seaf e Empaer somam R$ 9,7 milhões de recursos aplicados na região.
A visita faz parte das ações da Rota do Café, iniciativa que reúne pesquisadores da Empaer e parceiros, e que vem apresentando os resultados de um estudo realizado ao longo de cinco anos. Nesse período, foram avaliados 50 clones de café, com o objetivo de identificar as variedades mais adaptadas, produtivas e a qualidade de bebida para as regiões Noroeste e Norte de Mato Grosso.
Apaixonado inicialmente pela apicultura, Roneilton começou no campo quase por acaso. Ele conta que foi convidado para participar de uma capacitação sobre produção de mel e acabou se encantando pela atividade. “Na quinta eu estava apaixonado pelas abelhas e na sexta-feira já fui fazer minha primeira captura. A gente descobre os objetivos da vida assim, sem planejar”, relembrou.
Com o tempo, uma nova oportunidade surgiu. Ao conhecer o cultivo de café clonal na região, decidiu investir também na cultura. Hoje, em uma área total de quatro hectares, ele destina dois hectares ao café, somando seis safras já produzidas.
Segundo o produtor, as duas atividades se complementam. A proximidade entre o cafezal e o apiário trouxe resultados positivos. “Coloquei as abelhas perto do café e tive aumento na produção de mel. Na época consegui vender cerca de 200 quilos. A florada do café ajuda muito, porque as abelhas fazem a polinização, que é o melhor benefício delas”, explicou.
Atualmente, a produção de mel na propriedade varia entre 600 quilos e uma tonelada por ano. Todo o processo, desde a extração até a decantação e rotulagem, é feito no local, com comercialização dentro do próprio município. “Nosso produto é de excelência. É o mesmo mel que meus netos consomem e que chega à população de Cotriguaçu”, destacou.
No café, a expectativa também é positiva. Roneilton acredita que pode colher entre 70 e 80 sacas de 60 quilos nesta safra, mesmo trabalhando praticamente sozinho. Para ele, o avanço da atividade na região depende de organização e incentivo. “Precisamos nos unir mais, talvez em associações, para agregar valor ao produto e melhorar a renda”, avaliou.
O produtor também destaca a importância do apoio ao pequeno agricultor. “O produtor não quer nada de graça, ele quer condições para produzir. O restante ele faz acontecer”, afirma. Ele observa ainda o interesse crescente de empresas internacionais no setor de máquinas agrícolas voltadas para a agricultura familiar, o que pode facilitar a mecanização e aumentar a produtividade no campo.
Outro ponto destacado por Roneilton é a melhoria da infraestrutura. Ele lembra que a pavimentação e a construção de pontes transformaram a realidade local. “Quando eu era criança já se falava em integração da região Noroeste, mas isso só aconteceu agora. Foram mais de 40 anos de espera. Hoje temos estrada, e isso muda tudo. Já dá para pensar em novas atividades, como a piscicultura”, disse.
Os pesquisadores da Rota do Café já passaram pelos municípios de Colniza, Aripuanã, Cotriguaçu e Juína, levando orientações técnicas e apresentando os resultados diretamente aos produtores rurais. As próximas e últimas etapas de palestras estão programadas para Nova Bandeirantes, no dia 8 de abril (quarta-feira), na Câmara Municipal, das 7h às 11h45; e em Nova Monte Verde, no dia 9 de abril (quinta-feira), na Estância Villa Bella, no mesmo horário.
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