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Família aguarda hå quase 10 anos conclusão de inquérito sobre morte de jovem

Wagner HonĂłrio da Silva, de 25 anos, morreu em 2017 apĂłs internação no serviço municipal de saĂșde; Conselho de Medicina reconheceu negligĂȘncia e MunicĂ­pio jĂĄ foi condenado na esfera cĂ­vel, mas investigação criminal nĂŁo avançou.

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Morto aos 25 anos por negligĂȘncia mĂ©dica: quase uma dĂ©cada depois, famĂ­lia de Wagner HonĂłrio da Silva ainda espera por justiça

A morte do jovem Wagner HonĂłrio da Silva, 25 anos, ocorrida em 16 de setembro de 2017, ainda aguarda conclusĂŁo na esfera criminal. Ele havia sido internado no dia 14 de setembro de 2017 no serviço municipal de saĂșde de Canarana com quadro de fortes dores nos membros superiores, abdominais, lesĂ”es dermatolĂłgicas e diagnĂłstico de Herpes Zoster. O Ăłbito ocorreu dois dias apĂłs a internação.

De acordo com o relato da família, jå no segundo dia de internação, com piora visível do quadro, foi solicitado ao médico o encaminhamento para o Hospital Regional de Água Boa. O pedido, segundo a família, não foi atendido.

Um mĂȘs apĂłs o Ăłbito, em 24 de outubro de 2017, a famĂ­lia registrou Boletim de OcorrĂȘncia sob o nÂș 2017.353749. A notĂ­cia, por se tratar de jovem conhecido na cidade, gerou mobilização, com abaixo-assinado que reuniu mais de 700 assinaturas pedindo investigação.

Paralelamente, a famĂ­lia levou o caso ao Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRMMT), com abertura de Processo Ético Profissional (PEP). Segundo o relato, o Conselho reconheceu a negligĂȘncia mĂ©dica e sua relação direta com o dano causado ao paciente. A penalidade aplicada, por ser a primeira representação contra o mĂ©dico, foi considerada branda pela famĂ­lia. A decisĂŁo foi publicada no DiĂĄrio Oficial da UniĂŁo.

Na esfera da justiça comum, houve condenação do municĂ­pio pela negligĂȘncia mĂ©dica reconhecida.

Inquérito

Apesar dos desdobramentos nas esferas ética e cível, a família afirma não ter obtido retorno da Polícia Civil sobre a investigação criminal.

No dia 8 de março de 2022, quase cinco anos após o registro do BO, familiares procuraram a delegacia de polícia para saber do andamento. Segundo o pai, Sr. Valdeci:

“cheguei lĂĄ, mais o advogado, estava um ‘converseiro’ lĂĄ dentro, depois que falaram nome do meu filho ficou tudo quieto. O advogado pediu cĂłpia do inquĂ©rito. Mas, entregaram sĂł a folha do Boletim. Falaram que iam dar andamento. Cinco anos e nada. NĂŁo moveram uma palha pelo meu filho.”

Conforme o advogado da famĂ­lia, Dr. Paulo SĂ©rgio, apĂłs a visita foi juntado pedido de abertura de inquĂ©rito, com resumo dos fatos, relatĂłrio do Conselho de Medicina, cĂłpia de documentos e requerimento de diligĂȘncias.

O inquĂ©rito tramita sob o nÂș 1001650-29.2022.8.11.0029 na Justiça Estadual. Consta nos autos portaria de abertura datada de 08 de março de 2020, mesmo dia da visita Ă  delegacia.

Em julho de 2022, a famĂ­lia representou os fatos junto Ă  Promotoria da cidade. A Promotoria realizou diligĂȘncias, obteve cĂłpia dos processos junto ao CRMMT e Ă  Prefeitura Municipal e, por jĂĄ existir investigação aberta, encaminhou o material ao delegado para continuidade.

Em março de 2023, um ano apĂłs o pedido de abertura da investigação, a famĂ­lia requisitou ao JuĂ­zo providĂȘncias. O Juiz determinou remessa Ă  Promotoria para manifestação, por se tratar de crime cuja ação Ă© pĂșblica incondicionada, onde o dever de investigar Ă© da PolĂ­cia Civil e de processar, do MinistĂ©rio PĂșblico.

No mesmo mĂȘs, a Promotoria se manifestou e determinou diversas diligĂȘncias Ă  Autoridade Policial.

De acordo com a famĂ­lia, atĂ© o momento, apesar das diligĂȘncias determinadas, o mĂ©dico nĂŁo foi intimado a prestar esclarecimentos na esfera criminal.

Em 3 de abril de 2023, a famĂ­lia procurou a CĂąmara Municipal de Canarana e expĂŽs o caso na tribuna. Segundo o relato, nĂŁo houve retorno por parte dos vereadores.

O pai do jovem desabafou:

“parece que o pobre nĂŁo tem vez mesmo. Nada vai trazer meu filho de volta. Mas, saber que o culpado vive normalmente, atende na cidade e eu o vejo viver como se nada tivesse acontecido. Como se meu filho morresse todo ano. Como se nĂłs fossemos lixo. Com certeza se meu filho tivesse atropelado um filho de um mĂ©dico estaria atĂ© hoje preso. Como Ă© o contrĂĄrio. Nada acontece.”

Diante da situação, a famĂ­lia ingressou com representação criminal junto ao MinistĂ©rio PĂșblico de Mato Grosso (MPMT) para que seja investigada a desĂ­dia na condução da investigação do Ăłbito. TambĂ©m representou junto Ă  Corregedoria da PolĂ­cia Civil de Mato Grosso para apuração de eventual desvio de função e faltas dos agentes.

Em nota, o advogado da famĂ­lia declarou:

“É estarrecedor ver que, enquanto o responsĂĄvel pela tragĂ©dia continua exercendo a medicina normalmente, as providĂȘncias requisitadas pela Promotoria sĂŁo ignoradas e a investigação nĂŁo Ă© feita por aqueles que sĂŁo pagos para tal. Com o suor e sangue dos contribuintes. A impunidade Ă© certa a cada dia que passa. JĂĄ acionamos a Corregedoria da PolĂ­cia Civil e o MinistĂ©rio PĂșblico contra essa desĂ­dia protocolar. A famĂ­lia nĂŁo busca vingança, busca apenas o cumprimento da lei, mas o silĂȘncio e a inĂ©rcia das autoridades estaduais passam a dolorosa mensagem de que a vida de um jovem humilde nĂŁo tem valor para as instituiçÔes.”, Dr. Paulo SĂ©rgio.

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