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O meio ambiente deixou de ser festa

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Por Edilson Almeida

Houve um tempo em que o Dia Mundial do Meio Ambiente mobilizava escolas, órgãos públicos, empresas e comunidades. Não era apenas uma data. Era uma semana de palestras, caminhadas, plantio de mudas e debates. Preservar parecia tarefa de todos.

Virou reminiscência.

A data passa quase em silêncio, reduzida a postagens institucionais e frases prontas. Por que se perdeu tanto entusiasmo?

Parte da resposta está no cansaço das campanhas sem consequência prática. Falou-se muito em preservar, mas avançou-se pouco em saneamento, fiscalização, recuperação de áreas degradadas e incentivo à produção sustentável. Quando a palavra não vira política pública, ela se desgasta. Vira ritual sem alma.

Há, porém, um fator mais grave: o meio ambiente foi transformado em vilão da produção. Como se floresta em pé, água limpa, solo protegido e leis ambientais fossem obstáculos ao desenvolvimento. Como se produzir exigisse desmatar, poluir, flexibilizar regras e ridicularizar órgãos de controle.

Essa falsa oposição contaminou o debate. Setores produtivos passaram a ver a legislação ambiental como inimiga. Parte do discurso ambiental se afastou de quem planta, cria, trabalha e gera emprego. No meio disso, a política trocou solução por palanque.

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O resultado é o velho ‘oito ou oitenta’: ou se desmata em nome do progresso, ou se imagina que nada pode ser produzido. Esse dilema é falso. E atrasado.

Nenhum país sério pode tratar o meio ambiente como enfeite. O produtor depende da chuva, do solo fértil e da água. A cidade depende de rios limpos, lixo recolhido, esgoto tratado e ar respirável. E o pobre é sempre o primeiro a sofrer quando falta água, a enchente invade a casa ou o esgoto corre a céu aberto.

Preservar não é luxo. É infraestrutura de futuro.

O Brasil produz alimento para o mundo, mas ainda convive com insegurança alimentar. Fala em transição ecológica, mas mantém milhões sem esgoto tratado. Aprova leis modernas, mas descobre que nenhuma universaliza serviço público sem investimento e planejamento.

A fome não pode justificar a destruição de florestas. O Brasil não combate a fome com mata derrubada ilegalmente, mas com renda, emprego, assistência técnica, agricultura familiar, redução do desperdício, crédito responsável e inclusão produtiva. A floresta destruída quase nunca vira comida; muitas vezes vira especulação e degradação.

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Há produtores que preservam nascentes, recuperam matas ciliares e aumentam a produtividade sem abrir novas áreas. Mas ainda são exceção, quando deveriam ser política de Estado.

O Dia Mundial do Meio Ambiente precisa voltar a ser chamado público: produzir mais sem destruir mais; fiscalizar sem perseguir; punir quem degrada; premiar quem conserva; levar saneamento a quem vive abandonado.

Menos espetáculo. Mais compromisso.
Menos discurso. Mais saneamento.
Menos guerra ideológica. Mais equilíbrio.

Preservar para produzir não pode ser espasmo de consciência.
Precisa ser projeto de país.

Edilson Almeida é jornalista cuiabano, atualmente em Brasilia

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Canetas para emagrecimento podem ajudar a reduzir o risco de câncer?

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Por Mariana Ramos

As chamadas “canetas para emagrecimento” vêm transformando o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Mas os benefícios desses medicamentos podem ir além da perda de peso. Estudos recentes sugerem que eles também podem estar associados à redução do risco de alguns tipos de câncer relacionados à obesidade, uma hipótese que tem despertado crescente interesse entre pesquisadores de todo o mundo.Inicialmente desenvolvidos para o controle do diabetes tipo 2, fármacos como a semaglutida e a tirzepatida ganharam destaque mundial pela capacidade de promover perda de peso significativa e melhorar diversos indicadores metabólicos.

Agora, uma nova frente de pesquisas vem ganhando destaque: a possibilidade de que esses medicamentos também contribuam para reduzir o risco de alguns tipos de câncer relacionados à obesidade.

A relação entre obesidade e câncer já é amplamente conhecida pela medicina. O excesso de gordura corporal está associado a um estado de inflamação crônica de baixo grau, alterações hormonais e resistência à insulina, fatores que podem favorecer o desenvolvimento de diferentes tipos de tumores.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade está relacionada ao aumento do risco de pelo menos 13 tipos de câncer, incluindo câncer de mama pós-menopausa, intestino, fígado, rim, pâncreas e endométrio.

Nesse contexto, pesquisadores passaram a investigar se os medicamentos capazes de promover perda de peso expressiva também poderiam contribuir para reduzir esse risco.

Estudos observacionais publicados nos últimos anos apontaram que pacientes tratados com agonistas do receptor de GLP-1, grupo ao qual pertence a semaglutida, apresentaram menor incidência de alguns cânceres associados à obesidade quando comparados a indivíduos com características semelhantes que não utilizaram essas medicações. Em uma análise apresentada no congresso da American Society of Clinical Oncology (ASCO) em 2025, envolvendo mais de 170 mil adultos com obesidade e diabetes, pessoas que utilizaram essas medicações apresentaram menor risco de desenvolver cânceres relacionados à obesidade quando comparadas àquelas que utilizavam outros medicamentos para o diabetes.

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Além da perda de peso, os pesquisadores avaliam a hipótese de que esses medicamentos possam exercer efeitos biológicos adicionais, como a redução de processos inflamatórios, melhora da sensibilidade à insulina e modulação de mecanismos metabólicos que influenciam o crescimento celular.

Entretanto, é importante destacar que ainda não existem evidências suficientes para afirmar que esses medicamentos previnem câncer de forma direta. A maior parte dos dados disponíveis é baseada em estudos observacionais, que demonstram associações, mas não estabelecem necessariamente uma relação de causa e efeito.

Especialistas ressaltam que serão necessários estudos clínicos de longo prazo para confirmar se a redução do risco observada está relacionada exclusivamente à perda de peso ou se existe algum mecanismo protetor específico proporcionado pelos medicamentos.

Outra área que desperta interesse científico é o possível impacto dessas terapias em pacientes já diagnosticados com câncer. Pesquisas preliminares investigam se a melhora do perfil metabólico e a redução da inflamação poderiam influenciar positivamente a resposta a determinados tratamentos oncológicos. No entanto, essa hipótese ainda está em fase inicial de investigação e não faz parte das recomendações clínicas atuais.

O que já se sabe com segurança é que combater a obesidade representa uma das estratégias mais importantes para a prevenção de doenças crônicas. Além de reduzir o risco cardiovascular, melhorar o controle glicêmico e aumentar a qualidade de vida, a perda de peso também está associada à diminuição de fatores que contribuem para o desenvolvimento de diversos tipos de câncer.

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Por isso, o surgimento de tratamentos cada vez mais eficazes para a obesidade representa um avanço relevante para a saúde pública. À medida que a obesidade é reconhecida como uma doença crônica complexa e um importante fator de risco para diversas enfermidades, incluindo o câncer, torna-se ainda mais evidente a importância de ampliar o acesso a tratamentos eficazes e baseados em evidências.

Mais do que uma questão estética, o controle do peso corporal deve ser compreendido como parte fundamental da prevenção de doenças e da promoção da longevidade.

A ciência continua investigando os possíveis benefícios adicionais dessas medicações. Os resultados iniciais são promissores, mas ainda exigem cautela, acompanhamento e validação por novos estudos.

Embora ainda não possam ser considerados medicamentos para prevenção do câncer, os agonistas de GLP-1 vêm ampliando a compreensão sobre os impactos do tratamento da obesidade na saúde a longo prazo. Se os resultados observados até agora forem confirmados por estudos futuros, poderemos estar diante de mais um benefício relevante dessas terapias que já revolucionaram o tratamento da obesidade.

Até lá, a principal mensagem permanece a mesma: prevenir e tratar a obesidade é investir em mais saúde, qualidade de vida e proteção contra inúmeras doenças.

Dra. Mariana Ramos é endocrinologista na Fetal Care, em Cuiabá-MT.
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