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Mato Grosso aposta na regionalização para alavancar o turismo

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Foto: Mayke Toscano

As Instâncias de Governança Regionais (IGRs) têm papel central na organização do turismo em Mato Grosso e na articulação de políticas públicas que fortalecem os destinos locais. Essa foi a principal mensagem do Encontro das IGRs de Turismo, promovido pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec) durante a programação da Feira Internacional de Turismo do Pantanal (FIT Pantanal) nesta sexta-feira (06.6), em Cuiabá.

O Programa de Regionalização do Turismo promove a integração entre União, estados e municípios para organizar o setor

Representantes das 15 regiões turísticas do Estado participaram da reunião, que teve como destaque a apresentação institucional do Programa de Regionalização do Turismo (PRT), conduzida por Ana Carla Moura, coordenadora-geral de Definição de Áreas Estratégicas para o Desenvolvimento do Turismo, do Ministério do Turismo.

Ana Carla ressaltou que as instâncias regionais são fundamentais para garantir que as ações de fomento ao turismo cheguem aos municípios, mesmo àqueles com menos estrutura técnica ou capacidade de captação direta de recursos.

“É importante que as governanças estejam ativas para acompanhar todas as ações voltadas ao turismo local. Quando um município não consegue acessar algum recurso, a própria IGR pode fazer isso por ele. Por isso, é essencial que mais municípios se envolvam e se cadastrem no processo de regionalização”, afirmou.

Para o analista de Desenvolvimento Econômico e Social da Sedec, Diego Orsini, o encontro foi estratégico para consolidar a política de regionalização no Estado.

“Cada uma das 15 regiões turísticas de Mato Grosso possui uma IGR ativa, responsável por essa governança. A participação do Ministério do Turismo reforça esse processo de mobilização, sensibilização e articulação dos municípios dentro de suas regiões”, destacou.

O Programa de Regionalização do Turismo, desenvolvido pelo Governo Federal, promove a integração entre União, estados e municípios para organizar o setor e fortalecer os territórios com vocação turística. Um dos principais instrumentos do programa é o Mapa do Turismo Brasileiro, que reúne os municípios com potencial turístico e atuação formal em instâncias regionais de governança.

A troca de experiências entre os gestores também foi apontada como um dos pontos altos da reunião. Tadeu Salgado, coordenador de Turismo de Primavera do Leste e representante da IGR Rota dos Ipês e das Águas, avaliou o encontro como fundamental para diversificar e inovar a oferta turística.

“Nossa região é mais produtiva e não tem tantos atrativos naturais. Saber que é possível desenvolver o turismo de agronegócio, por exemplo, e entender como fazer isso, é algo que só conseguimos em encontros como este”, comentou.

Durante o evento, foram lançadas as novas identidades visuais das 15 IGRs de Mato Grosso. A iniciativa reforça a representação institucional de cada região turística e contribui para a valorização e divulgação dos destinos locais, promovendo mais integração, visibilidade e fortalecimento do turismo regionalizado.

 

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Mato Grosso aposta no turismo ufológico para diversificar e atrair novos visitantes

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Relatos de fenômenos aéreos não identificados, lendas regionais, paisagens naturais e narrativas cercadas de mistério têm contribuído para a consolidação de um novo nicho turístico em Mato Grosso: o ufoturismo. Embora ainda esteja em processo de estruturação, o segmento vem atraindo a atenção de pesquisadores, gestores públicos e empreendedores do setor como uma oportunidade de diversificação da oferta turística do Estado.

O tema esteve presente na programação da FIT Pantanal 2026, realizada entre os dias 3 e 7 de junho, em Cuiabá. A feira sediou a II Jornada Brasileira de Ufoturismo, com palestras voltadas à discussão do potencial turístico dos fenômenos ufológicos e das novas oportunidades relacionadas ao segmento. Além dos debates, municípios como Barra do Garças e Tesouro utilizaram o evento para promover atrativos ligados ao turismo místico e ufológico. A Chapada dos Guimarães também foi destacada entre os destinos associados a esse universo.

Presidente da Associação Mato-grossense de Pesquisas Ufológicas e Psíquicas (AMPUP), Ataíde Ferreira da Silva Neto afirma que Mato Grosso reúne características que o colocam em posição de destaque dentro do cenário nacional. “O Estado é rico em acontecimentos ufológicos. Temos um grande acervo de filmagens e registros desses fenômenos, o que desperta a curiosidade do público e atrai interessados por essa temática”, afirma.

Segundo ele, a relação de Mato Grosso com o tema remonta ao século XIX. Um dos registros mais antigos ocorreu em 1846, quando o militar e engenheiro Augusto Leverger relatou ter observado um objeto luminoso no céu enquanto navegava pelo Rio Cuiabá. O episódio foi publicado na Gazeta Oficial do Império do Brasil e é apontado por pesquisadores como a primeira notícia sobre avistamento de um objeto voador não identificado divulgada pela imprensa brasileira.

Para Ataíde, a combinação entre natureza e mistério é um dos fatores que despertam o interesse dos visitantes. “Nós temos a Chapada dos Guimarães, a Serra do Roncador, em Barra do Garças, além de lendas e histórias que atravessam gerações. São lugares que unem belezas naturais e uma história cheia de enigmas e mistérios”, destaca.

Entre os destinos mais conhecidos está Barra do Garças, município que concentra parte significativa das narrativas relacionadas ao tema. A cidade abriga a Serra do Roncador, frequentemente associada a relatos de fenômenos inexplicáveis, e também o Discoporto, estrutura criada a partir de uma lei municipal aprovada em 1995 que reservou uma área no Parque Estadual da Serra Azul para a implantação de um espaço destinado simbolicamente ao pouso de objetos voadores não identificados.

Jornalista, artista plástico e assessor da Secretaria Municipal de Turismo de Barra do Garças, Genito Santos explica que a cidade transformou sua relação histórica com o tema em um atrativo turístico.

“Barra do Garças é considerada um dos pontos de maior incidência de casuísticas ufológicas do Centro-Oeste brasileiro. Temos dois ícones importantes desse segmento: a Serra do Roncador e o Discoporto, que é o único lugar do mundo credenciado por lei para receber naves de outros planetas”, afirma.

De acordo com Genito, o turismo ufológico e o turismo místico caminham lado a lado na região. “Barra do Garças recebe visitantes de várias partes do Brasil e do exterior que buscam conhecer a Serra do Roncador, suas histórias, seus mistérios e as narrativas relacionadas aos avistamentos de discos voadores”, diz.

Além de Barra do Garças, outras localidades mato-grossenses também integram esse circuito de interesse. Entre elas estão o Morro do Pião, em Tesouro, e a Caverna Aroe Jari, em Chapada dos Guimarães, locais frequentemente citados em relatos e narrativas associadas ao imaginário ufológico e místico.

Para os pesquisadores do setor, o interesse crescente por experiências temáticas e pelo chamado turismo de nicho abre espaço para a consolidação do ufoturismo como produto turístico organizado. Segundo Ataíde Ferreira, o segmento ainda se desenvolve de forma gradual no Estado, mas começa a ganhar estrutura e visibilidade.

“O Estado tem percebido a importância desse nicho de interessados e começado a formar oficialmente iniciativas que atraem esse público. A inclusão do tema na FIT Pantanal demonstra esse movimento”, avalia.

Na mesma linha, Genito Santos destaca que o segmento avança em direção ao reconhecimento formal dentro do mercado turístico brasileiro. “É uma modalidade que vem se organizando e ganhando visibilidade. Mato Grosso tem potencial para se tornar uma referência nacional nesse tipo de turismo”, afirma.

Combinando patrimônio natural, histórias locais e experiências voltadas ao imaginário e ao desconhecido, o ufoturismo passa a integrar o conjunto de segmentos que podem contribuir para ampliar o fluxo de visitantes e diversificar a atividade turística em Mato Grosso.

 

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