turismo
Mato Grosso amplia investimentos em turismo e aposta em orlas, eventos e ecoturismo para gerar emprego e renda
O Governo de Mato Grosso ampliou, nos últimos sete anos e meio, os investimentos em infraestrutura turística, revitalização de espaços públicos, construção de orlas, centros de eventos e linhas de crédito para empreendedores do setor, em uma estratégia voltada ao fortalecimento do turismo e à geração de emprego e renda em diferentes regiões do Estado.
Entre as ações, também estão novos atrativos voltados ao ecoturismo e à observação de aves, segmento em que o Estado busca se consolidar como referência nacional.
“O momento do turismo em Mato Grosso é muito positivo. Temos grandes investimentos sendo feitos no setor há algum tempo, com obras importantes realizadas pelo Governo do Estado. Entre os destaques estão as construções das orlas nos municípios turísticos e também o Parque Novo Mato Grosso, que representa um grande investimento e vai revolucionar o turismo na Baixada Cuiabana. É um importante produto turístico que já começa a transformar toda a região e terá impacto relevante na geração de emprego e renda para a população”, afirmou Luis Carlos Nigro, secretário adjunto de Turismo da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec).
Entre as obras em andamento estão as orlas de São Félix do Araguaia, Luciara, Cáceres e Barão de Melgaço, todas com mais de 50% de execução e previsão de entrega em 2026. Já a Orla de Santo Antônio de Leverger foi entregue em 2025, com investimento de R$ 13,4 milhões.
Mato Grosso também avançou na infraestrutura turística em 2025, com a entrega do Centro de Eventos de Tangará da Serra, do Centro de Eventos de Barra do Garças e de obras de revitalização em Jaciara, como as Praças 2 e 3 e a Avenida Tupiniquins.
Obras entregues em 2023 também seguem fortalecendo o turismo regional, entre elas a revitalização da Praça Dom Wunibaldo e da rua coberta de Chapada dos Guimarães, além do Mirante de Jaciara, da Estrada Parque Cachoeira da Fumaça e da passarela flutuante de Paranaíta.
No início de 2026, o Governo de Mato Grosso também reinaugurou o Complexo Turístico da Salgadeira, em Chapada dos Guimarães, com a entrega da gestão do espaço ao Sesc Mato Grosso, após investimentos voltados à organização do funcionamento e ao fortalecimento do turismo sustentável.
Outro instrumento apontado como importante para o fortalecimento do setor é o Novo Fungetur (Fundo Geral do Turismo), linha de crédito do Governo Federal operacionalizada em Mato Grosso pela Desenvolve MT. O programa oferece financiamento de até R$ 5 milhões para empreendimentos turísticos, incluindo hotéis, bares, restaurantes, agências de viagens, atividades de pesca e náutica, além de prestadores de serviços do setor.
Os recursos podem ser utilizados para capital de giro, construção, reformas, aquisição de equipamentos, modernização de instalações, implantação de acessibilidade, compra de veículos utilitários, investimentos em tecnologia, climatização, energia solar e ações de marketing.
“O Governo do Estado disponibilizou linhas de financiamento de até R$ 5 milhões por CNPJ para infraestrutura de estabelecimentos e propriedades privadas ligadas ao turismo. Hoje, a taxa é de 5% mais inflação, com juros mais baixos que muitos financiamentos bancários. É um financiamento facilitado para incentivar o empresário a investir no próprio produto”, explicou.
Nigro também destacou a realização da primeira edição da Conecta Avistar Mato Grosso, feira voltada ao turismo de observação de aves e biodiversidade, que será realizada no segundo semestre de 2026, em Sinop.
O evento será promovido em parceria entre o Governo do Estado, por meio da Sedec, a Avistar Brasil e a Prefeitura de Sinop. A proposta é fortalecer Mato Grosso como referência nacional no birdwatching, segmento turístico voltado à observação de aves.
“Muitas vezes as pessoas olham para Sinop e pensam apenas no agronegócio, mas a cidade também cresceu muito no turismo, com novos hotéis, investimentos em gastronomia e parques estruturados para visitação. Esse evento ajuda a consolidar Sinop como destino de ecoturismo e observação de aves, atraindo turistas, fotógrafos e profissionais do mundo inteiro”, completou.
O tema foi abordado pelo secretário adjunto de Turismo da Sedec, Luis Carlos Nigro, em entrevista ao Jornal da Verde, da Rádio Verde FM, nesta quinta-feira (21.5).
barra do garcas
Mato Grosso aposta no turismo ufológico para diversificar e atrair novos visitantes
Relatos de fenômenos aéreos não identificados, lendas regionais, paisagens naturais e narrativas cercadas de mistério têm contribuído para a consolidação de um novo nicho turístico em Mato Grosso: o ufoturismo. Embora ainda esteja em processo de estruturação, o segmento vem atraindo a atenção de pesquisadores, gestores públicos e empreendedores do setor como uma oportunidade de diversificação da oferta turística do Estado.
O tema esteve presente na programação da FIT Pantanal 2026, realizada entre os dias 3 e 7 de junho, em Cuiabá. A feira sediou a II Jornada Brasileira de Ufoturismo, com palestras voltadas à discussão do potencial turístico dos fenômenos ufológicos e das novas oportunidades relacionadas ao segmento. Além dos debates, municípios como Barra do Garças e Tesouro utilizaram o evento para promover atrativos ligados ao turismo místico e ufológico. A Chapada dos Guimarães também foi destacada entre os destinos associados a esse universo.
Presidente da Associação Mato-grossense de Pesquisas Ufológicas e Psíquicas (AMPUP), Ataíde Ferreira da Silva Neto afirma que Mato Grosso reúne características que o colocam em posição de destaque dentro do cenário nacional. “O Estado é rico em acontecimentos ufológicos. Temos um grande acervo de filmagens e registros desses fenômenos, o que desperta a curiosidade do público e atrai interessados por essa temática”, afirma.
Segundo ele, a relação de Mato Grosso com o tema remonta ao século XIX. Um dos registros mais antigos ocorreu em 1846, quando o militar e engenheiro Augusto Leverger relatou ter observado um objeto luminoso no céu enquanto navegava pelo Rio Cuiabá. O episódio foi publicado na Gazeta Oficial do Império do Brasil e é apontado por pesquisadores como a primeira notícia sobre avistamento de um objeto voador não identificado divulgada pela imprensa brasileira.
Para Ataíde, a combinação entre natureza e mistério é um dos fatores que despertam o interesse dos visitantes. “Nós temos a Chapada dos Guimarães, a Serra do Roncador, em Barra do Garças, além de lendas e histórias que atravessam gerações. São lugares que unem belezas naturais e uma história cheia de enigmas e mistérios”, destaca.
Entre os destinos mais conhecidos está Barra do Garças, município que concentra parte significativa das narrativas relacionadas ao tema. A cidade abriga a Serra do Roncador, frequentemente associada a relatos de fenômenos inexplicáveis, e também o Discoporto, estrutura criada a partir de uma lei municipal aprovada em 1995 que reservou uma área no Parque Estadual da Serra Azul para a implantação de um espaço destinado simbolicamente ao pouso de objetos voadores não identificados.
Jornalista, artista plástico e assessor da Secretaria Municipal de Turismo de Barra do Garças, Genito Santos explica que a cidade transformou sua relação histórica com o tema em um atrativo turístico.
“Barra do Garças é considerada um dos pontos de maior incidência de casuísticas ufológicas do Centro-Oeste brasileiro. Temos dois ícones importantes desse segmento: a Serra do Roncador e o Discoporto, que é o único lugar do mundo credenciado por lei para receber naves de outros planetas”, afirma.
De acordo com Genito, o turismo ufológico e o turismo místico caminham lado a lado na região. “Barra do Garças recebe visitantes de várias partes do Brasil e do exterior que buscam conhecer a Serra do Roncador, suas histórias, seus mistérios e as narrativas relacionadas aos avistamentos de discos voadores”, diz.
Além de Barra do Garças, outras localidades mato-grossenses também integram esse circuito de interesse. Entre elas estão o Morro do Pião, em Tesouro, e a Caverna Aroe Jari, em Chapada dos Guimarães, locais frequentemente citados em relatos e narrativas associadas ao imaginário ufológico e místico.
Para os pesquisadores do setor, o interesse crescente por experiências temáticas e pelo chamado turismo de nicho abre espaço para a consolidação do ufoturismo como produto turístico organizado. Segundo Ataíde Ferreira, o segmento ainda se desenvolve de forma gradual no Estado, mas começa a ganhar estrutura e visibilidade.
“O Estado tem percebido a importância desse nicho de interessados e começado a formar oficialmente iniciativas que atraem esse público. A inclusão do tema na FIT Pantanal demonstra esse movimento”, avalia.
Na mesma linha, Genito Santos destaca que o segmento avança em direção ao reconhecimento formal dentro do mercado turístico brasileiro. “É uma modalidade que vem se organizando e ganhando visibilidade. Mato Grosso tem potencial para se tornar uma referência nacional nesse tipo de turismo”, afirma.
Combinando patrimônio natural, histórias locais e experiências voltadas ao imaginário e ao desconhecido, o ufoturismo passa a integrar o conjunto de segmentos que podem contribuir para ampliar o fluxo de visitantes e diversificar a atividade turística em Mato Grosso.
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