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MARTÍRIOS (Minas dos)
Trata-se de uma possível lenda em torno de uma serra incrustada de ouro, próximo a um sítio de inscrições rupestres que contém figuras em baixo relevo que lembram os martírios de cristo, ou seja, a coroa de espinho, cravos, pregos, martelos e a lança. A notícia da existência das Minas dos Martírios aconteceu possivelmente no intervalo de 1648 a 1706. Atualmente o local exato do sítio que abriga estas gravuras é o município de São Geraldo do Araguaia, no Estado do Pará, na região do Baixo Araguaia. Como se observa os bandeirantes andaram e navegaram muito, de Porto Feliz até este ponto, passando por Cuiabá, Rio das Mortes e cortando enorme extensão do Araguaia. A notícia e a narrativa dos fatos sobre os Martírios tomaram fé pública a partir dos bandeirantes Manoel de Campos Bicudo e Bartolomeu Bueno da Silva, que levaram, juntos, na empreitada, seus filhos, então com 14 anos, Antônio Pires de Campos e Bartolomeu Bueno da Silva – o futuro Anhangüera. O ouro dos Martírios nunca foi oficialmente encontrado, mas alimentou mentes à procura de fortuna fácil por muitos séculos. Várias expedições, inclusive estrangeiras, vieram a Mato Grosso à procura de tais minas. Nunca acharam nada. O rio indicado nos mapas e roteiros era chamado de Paraupava, nome atual do Araguaia. O mistério foi desfeito, com uma expedição realizada em 1945, pelo historiador paulista Manoel Rodrigues Ferreira, que identificou o rio e o local das inscrições, deixando claro que tudo era apenas lenda, ilusão e que o ouro dos Martírios nunca existiu.
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MURTINHO (Joaquim Duarte)
Médico, engenheiro civil, professor, financista, político e estadista (Cuiabá-MT, 07/12/1848, Rio de Janeiro-RJ, 19/11/1911). Nascido em família da alta sociedade cuiabana, Murtinho estudou em bons colégios no Rio de Janeiro. Escolheu Engenharia Civil, depois de ter concluído o estudo secundário no Rio de Janeiro, optando também por Medicina Homeopática, Economia Política e Ciências Físicas e Naturais. Na área de medicina dedicou-se aos mais carentes, fazendo curas assombrosas com seus diagnósticos rápidos e precisos, usando mais a intuição do que os laboratórios. Progressivamente foi assumindo o lugar de engenheiro. Foi também professor de Química Orgânica Experimental, Meteorologia, Biologia Industrial e Zoologia. Seu vigor científico deu-lhe destaque internacional e assegurou-lhe a posição de Homem de Estado. Tendo-se eleito Senador por Mato Grosso, participou da primeira Constituinte Republicana de 1891. Como médico particular do Marechal Deodoro da Fonseca, teve grande influência política em nosso Estado, como se observou na nomeação e exoneração do primeiro Governador, General Antônio Maria Coelho. Ao assumir a Presidência da República o Vice-presidente Manuel Vitorino Pereira (1896-97), Joaquim Murtinho foi nomeado Ministro da Indústria, Viação e Obras Públicas, permanecendo até o retorno do presidente Prudente de Moraes às suas funções. O presidente seguinte, Campos Sales, nomeia Joaquim Murtinho Ministro da Fazenda, considerando-se ele, da forma como o presidente se considerava, “um homem que serve a República e não um homem que se serve da República” . Escreveu livros e teses científicas sobre o tema, dentre os quais “Respiração em Geral”, de 1872. É patrono da Cadeira 26 da Academia Mato-Grossense de Letras. No campo empresarial tinha participação em extração e processamento de erva-mate no sul de Mato Grosso através da Cia. Matte Laranjeira, da qual era sócio. Tornou-se uma figura nacionalmente conhecida, sendo que seu nome figura em inúmeros municípios em placas de ruas, avenidas e praças. A atuação de Murtinho, nas finanças do Brasil, ao fim de sua vida, era mundialmente reconhecida. Jornais do Brasil, do Uruguai, da Argentina, dos Estados Unidos, do México, da Inglaterra, da França, da Alemanha e ouros países foram unânimes em lhe reconhecer o mérito. O Jornal do Comércio, na edição e 12 de maio de 1914 abria notícia da seguinte forma: “O Brasil tem no saudoso estadista um dos seus maiores beneméritos, um dos seus filhos mais preclaros. Nunca serão demasiadas as homenagens prestadas à memória de Joaquim Murtinho, um dos maiores e mais prestimosos servidores da Nação”.
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