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Linguajar Pantaneiro quase extinto: vocabulário definia gado e manejo dos Peões
Por João Arruda | Cáceres
O povo nativo do Pantanal criou a sua linguagem coloquial, que se encontra cada vez mais rara.
Um dos exemplos é o gado selvagem e o manejo dos mesmos desde a chegada dos bovinos europeus, por volta do final do século 17 na Planície Pantaneira, até meados da década de 1980. Ainda havia numerosos rebanhos de gado “orelhá”, ou baguá.
Para capturar essas reses, os peões formavam comitivas próprias com o objetivo de apreender o maior número possível de animais. A essa atividade se dava o nome de “bagualhação”. Exemplo: “Cadê João Costinha?”, indaga alguém. A resposta viria da seguinte forma: “João Costinha está com os peões guapos bagualhando gado orelha na Fazenda Orion, do Luiz Lacerda”.
Para a caçada aos baguás, a peonada despertava nas madrugadas, entre 3 horas da manhã, para pegar o gado no “maiadô”, local onde o rebanho pernoitava.
Utilizavam cavalos albinos que chamavam de “gazo”, que enxergavam no escuro das madrugadas.
Os peões desenvolveram uma técnica indígena para atrair o gado a uma espécie de curral improvisado, batizado de “calefon ou logradouro”, onde deixavam sal ao centro e espetos de tabocas invertidos na entrada. Ao tentar sair, as pontas afiadas das tabocas impediam, daí “logradouro”.
As Descalvados eram uma verdadeira “faculdade” para os peões. Aprendiam a domar cavalos redomões (selvagens), também abatiam reses e eram hábeis lançadores.
É do povo pantaneiro que decorre o ditado “molha mão”: quando um peão errava a laçada, o laço molhava, daí o termo que desqualificava o peão para lida de vaqueiro.
Exigia-se também dos peões habilidades para trançar o seu próprio laço, aproveitando o couro para a tralha de montaria.
Um manhadô era indispensável na cabeça do Santo Antônio* (vide explicação ao final da redação). Essa peça servia para arrear o gado capturado até a chegada de reforços com o manejo de sinuelo. Às vezes, o gado ficava até 48 horas imobilizado, sem o afogador, ou seja, de maneira a não travar a sua ruminação e morrer.
Como as propriedades no Pantanal eram imensas e as cercas de divisas precárias, os fazendeiros desenvolveram um tratado conjunto: cada rebanho possuía um estilo de cortes e diferentes lados da orelha.
De maneira que cada peão sabia a quem pertencia aquela marca na orelha do gado.
Quando se dizia: “Archelau Batista, junto com sua peonada, encontrou um rebanho com 93 reses no Retiro da São Bento do Quebra Prato; todo gado nelore de mamando acaducando era ‘orelhá'”, o que significava que aquelas reses não possuíam dono. Nesse caso, era de quem achasse.
Os sinais a faca nas orelhas foram banidos. As cercas na atualidade são mais resistentes e as propriedades menores, o que facilita o controle e o manejo dos rebanhos.
Glossário de termos pantaneiros
- Gado Orelha: sem dono
- Baguá: gado selvagem
- Molha Mão: peão inábil
- Logradouro: curral improvisado para capturar baguás
- Bagualhar: significa trabalho na caçada de gado baguás
- Cabeça do Santo Antônio: parte superior frontal da sela
- Manhador: uma sola de couro bovino acima de metros que fica na cabeça do Santo Antônio, utilizada para arrear a res selvagem
- Maiadô: local onde o gado passa a noite
- Matula: comida levada para a lida no campo
- Vaqueta: novilha
- Marruco: touro
- Erado: touro velho
- Sinuelo: touro capão treinado para arrastar outra rês
- Famanás: peão que desmancha festas, encrenqueiro
- Catité grande: gigante
- Histio: bastante, muito
- Lepa: exagerado, imenso
- Quebra Torto: lanche reforçado antes do almoço
- Jacuba: leite com farinha e carne seca
- Aúfa: infinito, muitos
- Asa Dura: aeronave
- Guapo: peão habilidoso no laço, na doma, na flecha e no anzol
- Muxixo: gado que se alimenta de pasto nativo chamado orgânico
- Gazo: cavalos albinos
- Tábua de chiqueiro: coisa ruim
- Ponta de corda: sujeira
- Kú de Onça: é da culinária uma paçoca com banana
- Mel Coado: gente elegante
- Canela de vidro: pessoa polida, gentil
- Fassvaoooo: serve para tudo (tempo, pescaria, bagualhação etc.)
- Peixe é amigo
- Lua Preta: gente que quer aparecer muito
- Eguariço: cavalo mal castrado
- Educado na França: sujeito grosso, tosco
- Peitoral de Angico: pedir fiado
- Casca de páratudo: mulher mal educada
- Carne de Cágado: pessoa que não concentra, mexe toda hora
- Deita Capim: última chuva que fecha o verão
- Castiça: serve tanto para bonito quanto para o feio
- Zinga: taco de madeira longa usada para impulsionar embarcações.
- Morro Amarrando Cabeça: sinal de chuva grande
- João Arruda, autor da reportagem é filho de peão pantaneiro, nasceu na Fazenda São Bento do Quebra Prato.
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Empresário Roque Macedo falece em Cuiabá e deixa legado em Cáceres
O empresário Roque Macedo, 72 anos, faleceu na tarde deste domingo (12), em Cuiabá, deixando um vazio no cenário econômico e social de Cáceres. Reconhecido por sua visão empreendedora, Roque dedicou grande parte da vida ao progresso do município, com ações que impulsionaram o desenvolvimento local em áreas econômicas, políticas e sociais.
Ao longo de décadas, ele se destacou pelo compromisso firme com a comunidade, promovendo iniciativas que beneficiaram gerações de cacerenses. Sua integridade e dedicação às causas coletivas o transformaram em referência de liderança respeitada por todos que conviveram com ele.
Irmão do vereador licenciado e atual secretário municipal de Assuntos Estratégicos de Cáceres, Rubens Macedo, Roque construiu um legado sólido de trabalho árduo e valores éticos, que continuará inspirando a região. Roque deixa esposa, Maria Cristina Lino Macedo e os filhos; Elvis Lino Macedo e Bruno Lino Macedo.
A família e amigos lamentam a perda irreparável. Detalhes sobre o velório e sepultamento serão divulgados em breve.
NOTA DE PESAR DA PREFEITURA DE CÁCERES
A Prefeitura de Cáceres manifesta profundo pesar pelo falecimento do empresário Roque Macedo, ocorrido na tarde deste domingo (12/04), em Cuiabá.
Roque foi um grande empreendedor, deixando uma trajetória marcada por relevantes contribuições ao desenvolvimento econômico, político e social de Cáceres. Seu compromisso com o município e sua dedicação às causas coletivas o tornaram uma figura respeitada e admirada por todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo.
Irmão do vereador licenciado e atual secretário municipal de Assuntos Estratégicos, Rubens Macedo, Roque construiu, ao longo de sua vida, um legado de trabalho, integridade e compromisso com a comunidade.
Neste momento de dor, a Prefeitura de Cáceres se solidariza com sua esposa Maria Cristina, seus filhos Elvys e Bruno Macedo, familiares e amigos, rogando a Deus que conforte os corações e conceda força para enfrentar esta irreparável perda.
Eliene Liberato Dias – Prefeita de Cáceres
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