CLIMA
Incêndio que matou quase 100 pessoas no Hawaí traz preocupação para Cuiabá
Edmundo Pacheco | Portal Mato Grosso
Na semana passada, em pleno inverno a capital mato-grossense registrou o dia mais quente deste ano, com 40°C, segundo medições do Instituto Nacional de Meteorologia.
A princípio, temperaturas elevadas em Mato Grosso, especialmente Cuiabá, não são novidade, o problema são as bolhas de calor que tem se verificado no verão do Hemisfério Norte, com recordes históricos de temperaturas extremamente altas e que podem se repetir por aqui nos próximos meses.
A cidade de Phoenix, nos Estados Unidos, por exemplo, caminha para fechar um mês como todos os dias registrando 43ºC ou mais. Na Califórnia, a temperatura atingiu 53ºC no Vale da Morte. Miami enfrenta a onda de calor mais prolongada de sua história.
Na Europa, o Sul do continente é castigado por uma brutal onda de calor que assola ainda o Norte da África e parte do Oriente Médio com superaquecimento das águas do Mediterrâneo.
Espanha, Grécia e Itália são os países mais castigados. Roma teve a maior temperatura de sua história observacional com quase 42ºC e o Sul italiano se aproximou dos 48ºC.
O verão de calor recorde no Hemisfério Norte provocou uma nova tragédia esta semana. Um grande incêndio na Ilha de Maui, no Havaí, deixou quase 100 mortos e milhares de desabrigados. O maior desastre natural em mais de 60 anos no arquipélago.
O fogo chegou tão rápido que os moradores não tiveram tempo de salvar nada. Eles saíram correndo e tiveram que deixar tudo para trás. Cercados pelas chamas, muitos se jogaram no mar para sobreviver e morreram afogados.
“Dentro da água ficou um vento muito forte, muito forte. Os carros explodindo e a gente vendo crianças pequenas no colo da mãe. Falavam: ‘Mamãe, eu não quero morrer’”, contou um sobrevivente.
E o fogo ainda não estão totalmente controlado em Maui. Os bombeiros levam caminhões pipa para encher as piscinas e helicópteros pegam essa água para tentar apagar os incêndios que ainda ameaçam a região. A todo momento, surgem novos focos – resultado de uma combinação perigosa de seca prolongada e o calor excessivo.
ONDAS DE CALOR – Embora as temperaturas globais tendam a atingir um pico no final de agosto, o calor extremo que envolve o planeta neste mês está longe do normal. Os meses de junho e julho foram os mais quente já registrado na Terra, de acordo com pesquisadores da Organização Meteorológica Mundial.
As onda de calor excepcional são impulsionadas em parte por variabilidade natural do clima e em parte pelas emissões contínuas de gases que retêm o calor, principalmente da queima de combustíveis fósseis.
Neste ano, há o agravante do retorno do El Niño, padrão climático cíclico que tende a ser associado a anos mais quentes em todo o mundo.
Ainda não há uma unanimidade entre os meteorologistas sobre a possibilidade o próximo verão venha a ser tão ou mais quente que o que se tem se verificado no Hemistéfio Norte, mas a situação é de alerta.
O período de junho a setembro marca o que se denomina da estação seca no Centro do Brasil, afetando o Centro-Oeste e o Sudeste. Cuiabá, por exemplo, que é uma cidade conhecida pelo calor, tem na climatologia histórica os seus dias mais quentes em valores extremos justamente no período seco.
A preocupação é porque o maior aquecimento do planeta com sucessivas e simultâneas ondas de calor marinhas, e ainda um El Niño de forte intensidade mais tarde neste ano, pode levar a extremos térmicos de calor excessivo em áreas do Sudeste, do Centro-Oeste, do Sul da região amazônica e do interior do Nordeste.
A probabilidade que os meses da primavera e do verão tenham temperatura acima da média, e em alguns locais muito acida média, é altíssima em quase todo o Brasil. Do Sul ao Norte. Sob seca do El Niño, a temperatura pode ficar muito acima do normal, por exemplo, em áreas mais ao Norte do Brasil, tanto em parte do Nordeste como do Centro-Oeste e do Norte, especialmente na região da Amazônia Legal.
As severas ondas de calor podem tornar a região mais propícia a secas. E a junção de tempo seco e altas temperaturas podem se transformar em bolhas de calor extremamente altas, elevando o risco de incêndios como os verificados no Havai, na Grecia e outras regiões do Hemistério Norte.
CLIMA
Inverno começa com massa de ar polar e até possibilidade de neve
O inverno começou oficialmente no Brasil neste domingo (21.06), marcado pela atuação de uma intensa massa de ar de origem polar que avança sobre o Centro-Sul e deve provocar queda acentuada nas temperaturas, além de condições atmosféricas que podem favorecer a ocorrência de neve em áreas mais elevadas do Sul do país.
Segundo os meteorologistas o pico do frio deve ocorrer entre quarta-feira (24.06) e sexta-feira, período em que a massa de ar frio atinge maior intensidade. Em regiões serranas do Sul, onde o relevo e a combinação de umidade e temperatura favorecem fenômenos invernais, não está descartada a ocorrência de neve ou precipitação invernal, como chuva congelada.
Embora esses eventos sejam mais restritos a áreas de maior altitude, o sistema de ar polar terá alcance amplo e deve influenciar o clima em diversos estados brasileiros, incluindo Mato Grosso.
Em Cuiabá, a chegada da massa de ar polar deve provocar o fenômeno conhecido como friagem, com queda mais acentuada das temperaturas entre quarta (24) e sexta-feira (26).
As mínimas podem variar em torno de 16°C a 18°C, enquanto as máximas devem recuar para valores entre 22°C e 27°C, bem abaixo da média típica do período, que costuma ultrapassar os 30°C. A mudança mais perceptível será nas manhãs e no início da noite, quando a sensação de frio tende a ser mais intensa para os padrões da capital mato-grossense.
Em municípios do sul e oeste de Mato Grosso, a influência da friagem pode ser ainda mais evidente, com madrugadas mais frias e temperaturas amenas ao longo do dia. Em Cuiabá, o cenário esperado é de manhãs mais geladas, com possibilidade de temperaturas próximas ou abaixo dos 15°C em alguns períodos, dependendo da intensidade da massa de ar polar.
Este é o primeiro grande ingresso de ar frio do inverno de 2026 e marca o início de uma sequência de incursões de massas polares típicas da estação.
A tendência é de que o frio perca força gradualmente a partir do fim da semana, mas ainda pode manter temperaturas abaixo da média em parte do Centro-Sul do país nos dias seguintes.
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