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Horta de unidade prisional colhe 2.500 pés de alface no primeiro mês

A horta é na modalidade hidropônica e nela trabalham quatro reeducandos

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Horta hidropônica da unidade prisional de Vila Bela 3.jpeg

 

O que antes era uma área sem nenhuma utilidade, hoje abriga uma bela horta hidropônica que dá ocupação a reeducandos da unidade prisional de Vila Bela da Santíssima Trindade. Quatro reeducandos trabalham no cultivo, manejo e colheita da horta que tem três espécies de alface, uma de rúcula e cheiro verde. A primeira produção rendeu 2.500 pés de alface e por dia são colhidos entre 20 e 30 maços de cebolinha, salsa e coentro. 

 

O diretor da unidade, Edvan Coelho, explica que a produção será absorvida pela Prefeitura para a merenda de escolas e creches do município. Ele diz que a equipe da unidade está trabalhando para ampliar a horta, pois a demanda de produção é grande. “Já estamos ampliando as estruturas, pois a demanda ao que tudo indica será grande. Mais quatro reeducandos serão empregados na atividade”.

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Horta hidropônica da unidade prisional de Vila Bela 7.jpeg

 

Outras atividades

 

O diretor explica que outros 13 reeducandos da unidade também desenvolvem atividades na marcenaria, com a fabricação de móveis e na serralheira, na montagem de lixeiras. 

 

Um grupo de recuperandos também trabalhou na reforma e pintura de escolas e creches do município. Eles receberam autorização judicial para trabalhar fora da unidade prisional e pelo serviço ganharam uma diária de R$ 35,00. O convênio com a prefeitura do município foi viabilizado por meio de parceira do Conselho da Comunidade e Secretaria de Justiça e Direitos Humanos. No ano passado foram reformadas creches e outros órgãos da administração municipal.

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Horta hidropônica da unidade prisional de Vila Bela 10.jpeg

 

A Cadeia de Vila Bela também passou por reformas que revitalizaram toda a unidade. Os serviços foram executados pelos reeducandos. A unidade prisional recebeu ainda um circuito interno de câmeras que permite um monitoramento das áreas internas e externas e mais segurança à movimentação nas dependências e entrada e saída de funcionários e visitantes. 

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Fazenda Jacobina guarda relíquias do Brasil Imperial e abrigou o médico da Sabinada

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Por João Arruda | Cáceres (MT)

A Fazenda Jacobina, fundada por portugueses em 1769, no município de Cáceres — a 210 quilômetros a oeste de Cuiabá —, situada na rodovia federal 070, guarda verdadeiras relíquias do Brasil Imperial.

No terreiro à frente do imponente casarão colonial estão máquinas que saíram da Europa, principalmente da Inglaterra, cruzaram o Oceano Atlântico até adentrar pelo Estuário da Prata, entre Uruguai e Argentina, e dali percorreram uma longa jornada até atingir Cáceres, com distância de 3.412 quilômetros de navegação.

Partes desse maquinário, tomadas por ferrugem, ainda exibem inscrições como “Dave Paxma & Gold Engennier Gold Hester England”.

A Jacobina, quando implantada, foi estratégica: serviu para fornecer alimentos aos primeiros núcleos de povoação da então Província de Mato Grosso, que pertencia, à época, à Capitania de São Paulo.

Era dessa fazenda que saíam suprimentos para alimentar as cidades onde se extraía o ouro, como Cuiabá, Nossa Senhora do Livramento, Poconé e Vila Bela da Santíssima Trindade.

Os portugueses mantinham a fazenda sob sigilo para não despertar a cobiça dos vizinhos espanhóis.

A produção saía em canoas e batelões até atingir, pelo Córrego Jacobina, que desagua no Rio Paraguai, abaixo de Cáceres, 70 quilômetros.

Já no século 19, com a independência do Brasil, rebeliões eclodiram em várias partes do país, e em uma delas a Jacobina entra na história dessas insurgências.

É no estado da Bahia que emerge o médico Francisco Sabino Vieira. Idealista, promove um levante que ficou denominado “A Sabinada”, que durou cinco meses e foi debelado.

O Império não condenou Sabino Vieira à morte, pois, se assim fizesse, ele se tornaria mártir, aumentando a insatisfação da Bahia com o Império.

O Brasil era governado pelo período Regencial — Dom Pedro II tinha apenas a regência. Batalhas travavam-se no Rio Grande do Sul, em Pernambuco, no Maranhão e no Pará. Sentenciar Sabino Vieira, numa Bahia já pacificada, não seria a decisão mais sensata.

O Império o condenou à prisão no Forte Príncipe da Beira, à margem direita do Rio Guaporé (hoje município de Costa Marques, em Rondônia).

Então, a guarda imperial faz a escolta do médico Sabino Vieira em direção ao Príncipe da Beira. Em lombos de mulas, cortam o oeste da Bahia até varar Goiás e, de lá, meses nas estradas, atingem Mato Grosso pelo leste, seguindo rumo a Vila Real do Bom Jesus de Cuiabá (atual Cuiabá). Seguindo em frente, chegam à Fazenda Jacobina, onde os responsáveis pela escolta apresentam ao pai do Barão de Vila Maria, Padre Joaquim José Gomes da Silva, o decreto do Império. Aí ocorre um fato interessante: a esposa estava acometida de febre e Sabino, médico formado na França, fez o tratamento. Então, a família do Barão de Vila Maria, que era afamada em todo o Mato Grosso pela alta produção de alimentos, decide ordenar a volta das tropas que escoltavam Sabino, com a seguinte ordem: “O doutor Sabino não irá seguir para o Forte Príncipe da Beira; ficará sob nossos auspícios”. E o médico baiano ficou até seus derradeiros dias na fazenda.

Já no Brasil República, seus restos mortais foram trasladados para o Rio de Janeiro, e ele é considerado herói nacional. Em Cáceres, dá nome a uma das importantes vias públicas do Centro Histórico.

Hoje, a Fazenda Jacobina mantém atividades agropastoris e funciona também como restaurante, de segunda a segunda, com cardápio regional.

A professora Edir Antônia de Almeida, da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), ativista dos direitos humanos, toca projetos voltados ao fortalecimento da cultura mato-grossense e apresentará grupos de Cururu e de Siriri.

A fazenda recebe estudantes e professores de todo o país, inclusive da Bahia, e é tocada pelos herdeiros do empreendedor Vitório da Silva Lara: os irmãos Cristiano e Adriano — este apelidado de Imperador —, e sua mãe, Terezinha Lara.

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