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Forças de Segurança e comunidade fundam Conseg no município
A criação do Conseg visa aperfeiçoar a atuação dos órgãos que compõem o Sistema de Segurança Pública, em benefício do cidadão e da comunidade
PJC MT
Forças de Segurança e comunidade fundam Conseg em Vila Bela da Santíssima Trindade
Forças de Segurança e membros da comunidade de Vila Bela da Santíssima Trindade (521 km a Oeste da Capital) fundaram, na noite quinta-feira (10.10), o Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) do município. A criação do Conseg visa aperfeiçoar a atuação dos órgãos que compõem o Sistema de Segurança Pública, em benefício do cidadão e da comunidade.
A decisão da fundação do Conseg aconteceu após uma mobilização da Polícia Civil e Polícia Militar do município, realizada através do delegado Maurício Maciel Pereira Júnior e do o comandante da 2ª Companhia da PM, 1º tenente PM, Antonio Lopes Capobianco. Durante os trabalhos, foram reunidos representantes da comunidade, Poder Judiciário, Ministério Público, Conseg de Pontes e Lacerda, Sistema Penitenciário e de outros órgãos.
O Conseg é uma entidade de natureza civil de direito privado, sem fins lucrativos, que tem por objetivo organizar a comunidade e fazê-la interagir para a solução integrada dos problemas de Segurança Pública. A atuação tem como base no conceito de Polícia Comunitária, vinculada, por credenciamento, às diretrizes emanadas da Secretaria de Estado de Segurança Pública.
O encontro aconteceu na sala do Tribunal do Juri do Fórum de Vila Bela e reuniu diversas autoridades locais que fundaram o Conseg em decisão unânime. Na reunião, também foi definida a formação da diretoria provisório que dará os primeiros trabalhos desenvolvidos pela entidade.
Estiveram presentes no encontro, o delegado da Delegacia de Vila Bela, Maurício Maciel Pereira Júnior, o comandante da 2ª Companhia da PM, 1º tenente PM, Antonio Lopes Capobianco, e o tenente-coronel, Sandro Barbosa da Silva, Comandante do 12º Comando Regional da Polícia Militar de Pontes e Lacerda, além de membros da comunidade.
Finalidades
Conforme o Estatuto Social aprovado após a formação da primeira Diretoria, o Conseg tem como finalidades:
• Congregar as lideranças comunitárias da área, conjuntamente com as autoridades constituídas, no sentido de planejar ações integradas no âmbito do sistema de garantias de direitos, que resultem no aumento da sensação de segurança e na melhoria da qualidade de vida da comunidade;
• Debater com as autoridades constituídas a definição de prioridades que repercutam na segurança pública, de acordo com as regras definidas em Portaria e na área circunscricional do Conseg;
• Fomentar ações cívico-sociais na circunscrição do respectivo Conseg;
• Promover e implantar projetos e ações relacionadas à cultura de autoproteção e solidariedade nas comunidades, inclusive estabelecendo parcerias, visando a programas e campanhas educativas de interesse da segurança pública;
• Programar eventos comunitários que fortaleçam os vínculos da comunidade com as forças de segurança pública e demais autoridades constituídas;
• Colaborar com iniciativas de outros órgãos que visem ao bem-estar da comunidade;
• Realizar coletas de informações, bem como as reivindicações, queixas, e sugestões da comunidade e levá-las ao conhecimento da Secretaria de Estado de Segurança Pública e/ou demais órgãos aos quais couberem o recebimento;
• Propor às autoridades competentes a adoção de medidas que traga melhores condições de trabalho aos profissionais de segurança pública e demais servidores que atuam em atividades correlatas de interesse da Segurança Pública;
• Estimular programas de intercambio, treinamento e capacitação profissional, destinados aos profissionais de segurança e demais autoridades constituídas da sua área de abrangência;
• Elaborar e/ou executar investimento, com recursos públicos ou privados, na forma de legislação vigente, para a melhoria de instalações, equipamentos e viaturas policiais da circunscrição das bases comunitárias e demais unidades do sistema de segurança pública, submetendo-as à apreciação e aprovação de suas respectivas instituições;
• Sugerir propostas junto aos Poderes Públicos para fomentar elaboração legislativa em prol da segurança da comunidade;
• Elaborar e/ou executar programas, projetos e ações de prevenção social de interesse da segurança pública, por meio de parcerias, no sentido de atender à comunidade local, sob o viés educacional, social, profissionalizante, cultural e esportivo.
*Com informações PJC MT
caceres
Fazenda Jacobina guarda relíquias do Brasil Imperial e abrigou o médico da Sabinada
Por João Arruda | Cáceres (MT)
A Fazenda Jacobina, fundada por portugueses em 1769, no município de Cáceres — a 210 quilômetros a oeste de Cuiabá —, situada na rodovia federal 070, guarda verdadeiras relíquias do Brasil Imperial.
No terreiro à frente do imponente casarão colonial estão máquinas que saíram da Europa, principalmente da Inglaterra, cruzaram o Oceano Atlântico até adentrar pelo Estuário da Prata, entre Uruguai e Argentina, e dali percorreram uma longa jornada até atingir Cáceres, com distância de 3.412 quilômetros de navegação.
Partes desse maquinário, tomadas por ferrugem, ainda exibem inscrições como “Dave Paxma & Gold Engennier Gold Hester England”.
A Jacobina, quando implantada, foi estratégica: serviu para fornecer alimentos aos primeiros núcleos de povoação da então Província de Mato Grosso, que pertencia, à época, à Capitania de São Paulo.
Era dessa fazenda que saíam suprimentos para alimentar as cidades onde se extraía o ouro, como Cuiabá, Nossa Senhora do Livramento, Poconé e Vila Bela da Santíssima Trindade.
Os portugueses mantinham a fazenda sob sigilo para não despertar a cobiça dos vizinhos espanhóis.
A produção saía em canoas e batelões até atingir, pelo Córrego Jacobina, que desagua no Rio Paraguai, abaixo de Cáceres, 70 quilômetros.
Já no século 19, com a independência do Brasil, rebeliões eclodiram em várias partes do país, e em uma delas a Jacobina entra na história dessas insurgências.
É no estado da Bahia que emerge o médico Francisco Sabino Vieira. Idealista, promove um levante que ficou denominado “A Sabinada”, que durou cinco meses e foi debelado.
O Império não condenou Sabino Vieira à morte, pois, se assim fizesse, ele se tornaria mártir, aumentando a insatisfação da Bahia com o Império.
O Brasil era governado pelo período Regencial — Dom Pedro II tinha apenas a regência. Batalhas travavam-se no Rio Grande do Sul, em Pernambuco, no Maranhão e no Pará. Sentenciar Sabino Vieira, numa Bahia já pacificada, não seria a decisão mais sensata.
O Império o condenou à prisão no Forte Príncipe da Beira, à margem direita do Rio Guaporé (hoje município de Costa Marques, em Rondônia).
Então, a guarda imperial faz a escolta do médico Sabino Vieira em direção ao Príncipe da Beira. Em lombos de mulas, cortam o oeste da Bahia até varar Goiás e, de lá, meses nas estradas, atingem Mato Grosso pelo leste, seguindo rumo a Vila Real do Bom Jesus de Cuiabá (atual Cuiabá). Seguindo em frente, chegam à Fazenda Jacobina, onde os responsáveis pela escolta apresentam ao pai do Barão de Vila Maria, Padre Joaquim José Gomes da Silva, o decreto do Império. Aí ocorre um fato interessante: a esposa estava acometida de febre e Sabino, médico formado na França, fez o tratamento. Então, a família do Barão de Vila Maria, que era afamada em todo o Mato Grosso pela alta produção de alimentos, decide ordenar a volta das tropas que escoltavam Sabino, com a seguinte ordem: “O doutor Sabino não irá seguir para o Forte Príncipe da Beira; ficará sob nossos auspícios”. E o médico baiano ficou até seus derradeiros dias na fazenda.
Já no Brasil República, seus restos mortais foram trasladados para o Rio de Janeiro, e ele é considerado herói nacional. Em Cáceres, dá nome a uma das importantes vias públicas do Centro Histórico.
Hoje, a Fazenda Jacobina mantém atividades agropastoris e funciona também como restaurante, de segunda a segunda, com cardápio regional.
A professora Edir Antônia de Almeida, da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), ativista dos direitos humanos, toca projetos voltados ao fortalecimento da cultura mato-grossense e apresentará grupos de Cururu e de Siriri.
A fazenda recebe estudantes e professores de todo o país, inclusive da Bahia, e é tocada pelos herdeiros do empreendedor Vitório da Silva Lara: os irmãos Cristiano e Adriano — este apelidado de Imperador —, e sua mãe, Terezinha Lara.
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