artigos
Financiamento para o Zoneamento Ecológico-Econômico no Brasil: uma luz no fim do túnel!
Por Alexandre Luís Cesar
Aprovado terminativamente pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal em 28 de abril e encaminhado à Câmara dos Deputados em 8 de maio, o Projeto de Lei nº 4.080/2020, de autoria do senador Jader Barbalho (MDB-PA), pretende alterar a Lei nº 6.938/1981, que institui a Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA), para incluir fontes de financiamento destinadas à implementação do Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE).
De acordo com a proposta, constituirão fontes de financiamento os Fundos Nacionais sobre Mudança do Clima, de Meio Ambiente e de Desenvolvimento Florestal, o Fundo Social e outros fundos voltados às finalidades da PNMA; recursos oriundos de acordos bilaterais ou multilaterais sobre clima envolvendo a União ou os estados; compromissos nacionais e internacionais de financiamento de ações de mitigação; recursos provenientes de ajustes, contratos de gestão e convênios com órgãos públicos; além de doações de entidades nacionais e internacionais, públicas ou privadas, e investimentos privados.
Como destaca o autor da proposta, passados mais de 45 anos da edição da PNMA, que prevê o zoneamento ambiental como um de seus instrumentos, e apesar de muitos estados já possuírem ZEEs concluídos para todo o território, sua efetiva incorporação pelas diferentes esferas de governo e pela sociedade ainda representa um grande desafio.
Isso decorre não apenas da ausência de uma cultura de planejamento integrado no Brasil, mas também da reduzida elaboração de planos de ação voltados à implementação das diretrizes estabelecidas, da insuficiente divulgação das informações produzidas e da falta de indicadores de monitoramento e avaliação que permitam medir a efetividade do instrumento.
Com foco no desenvolvimento sustentável da Amazônia Legal, o senador Jader Barbalho entende que a garantia de recursos para a implementação do ZEE poderá gerar oportunidades de emprego e renda para milhares de famílias da região, permitindo que os municípios desenvolvam instrumentos voltados à mineração, turismo, pecuária e preservação ambiental, entre outras atividades.
Segundo ele, para superar a visão equivocada de que a Amazônia é um território homogêneo, é necessário estimular a realização do zoneamento, identificando corretamente as características de cada área e estabelecendo formas adequadas de uso e exploração, conciliando a preservação da floresta com as necessidades das populações que nela vivem. A implementação do ZEE também favoreceria a criação de políticas de crédito e incentivos fiscais capazes de impulsionar o desenvolvimento econômico e social aliado à conservação ambiental.
Por outro lado, estudos recentes apontam sua baixa efetividade como instrumento de política ambiental, em razão da descaracterização do ZEE como plano de desenvolvimento e da predominância de diretrizes meramente indicativas, resultado da falta de vontade política para aprovar restrições às atividades produtivas.
Também se observa, em muitos estados, a ausência de estrutura institucional e de governança adequada, bem como a reduzida aplicação prática das regras estabelecidas, inclusive dentro da própria Administração Pública, mesmo nos casos em que o zoneamento possui caráter vinculante.
Assim, paralelamente à importante iniciativa de estabelecer fontes de financiamento para o ZEE na Política Nacional do Meio Ambiente, é urgente retomar as discussões sobre sua regulamentação por meio de lei federal e restabelecer a Comissão Coordenadora do ZEE do Território Nacional (CCZEE) e o Consórcio ZEE-Brasil, órgãos fundamentais para a elaboração e implementação desse instrumento no país. Essas medidas são essenciais para que o ZEE volte a desempenhar papel efetivo na orientação do uso dos recursos naturais, respeitando também os modos de vida tradicionais.
Alexandre Luís Cesar é membro do Instituto Histórico e Geográfico do Estado de Mato Grosso – IHGMT, Procurador do Estado e Professor Associado da UFMT
artigos
Crise silenciosa na nutrição animal
Por Guilherme Tonhá
Nos últimos dias, o mercado de commodities e insumos acendeu uma luz amarela que o pecuarista não pode ignorar: a escalada global nos preços de insumos importantes para a suplementação mineral dos rebanhos. O principal deles é o ácido sulfúrico, que é uma matéria-prima importante para a cadeia de fósforo utilizada na nutrição animal. Com isso, outros insumos também são afetados, como o fosfato bicálcico, afetando o preço da arroba.
Para entender a gravidade do problema, é preciso olhar para fora da porteira. Grande parte da pressão atual decorre de incertezas geopolíticas no Oriente Médio e dos crescentes riscos logísticos envolvendo o Estreito de Ormuz, uma das rotas comerciais mais vitais do planeta. Sendo o ácido sulfúrico uma matéria-prima fundamental também para a indústria de fertilizantes, as restrições externas de oferta e o encarecimento do frete internacional geraram um efeito dominó. Países fornecedores passaram a priorizar seus mercados internos para garantir a própria segurança alimentar, expondo a extrema vulnerabilidade do modelo brasileiro, cuja produção nacional é insuficiente para atender à demanda interna e altamente dependente de importações.
O reflexo desse desarranjo global chega de forma severa ao maior rebanho bovino do país. Essa escalada de custos operacionais asfixia o produtor em um momento de extrema fragilidade, caracterizado por margens severamente espremidas e pela desvalorização dos valores pagos pela indústria frigorífica. É a sobreposição de desafios testando a resiliência do pecuarista de corte.
Ignorar a suplementação mineral para cortar custos, contudo, é uma armadilha perigosa. Sem o aporte correto de fósforo e microelementos, os prejuízos são sistêmicos e de longo prazo: há perda imediata no ganho de peso diário, queda crônica na imunidade do rebanho, atraso no cio de vacas de cria (o que estica o intervalo entre partos) e redução na produção leiteira. Em suma, o boi de engorda alonga seu ciclo, empurrando o abate para frente e encarecendo ainda mais o custo de manutenção do animal no pasto ou no confinamento.
Diante desse cenário, o pecuarista moderno precisa entender de uma vez por todas que o sucesso da sua atividade não pode ser balizado apenas pelo preço de venda da arroba. Olhar exclusivamente para o faturamento final é uma visão incompleta de gestão. Na pecuária competitiva de hoje, o lucro real não é apenas vender bem; é, fundamentalmente, saber comprar bem e antecipar os movimentos do mercado.
O atual momento exige que o produtor monitore os sinais com atenção cirúrgica. O mercado de insumos costuma antecipar movimentos econômicos que só mais tarde impactam o custo de produção. Quem acompanha essas mudanças estruturais consegue se planejar com antecedência, travar custos quando oportuno e proteger sua margem operacional.
Guilherme Tonhá é pecuarista e diretor comercial da Estância Bahia – EB Leilões, EB Fazendas e EB Agro.
-
esportes5 dias atrásIrã e Nova Zelândia fazem jogo movimentado e empatam por 2 a 2
-
esportes4 dias atrásMbappé brilha, quebra recordes e comanda vitória da França na estreia da Copa
-
esportes6 dias atrásCuiabá vence o Vila Nova e encosta no pelotão de cima da Série B
-
esportes4 dias atrásNeymar volta ao gramado e alimenta esperança para sequência do Brasil na Copa
-
esportes4 dias atrásHaaland brilha em estreia e Noruega goleia Iraque na Copa do Mundo
-
esportes5 dias atrásUruguai empata com Arábia Saudita e deixa Grupo H totalmente indefinido
-
AGRO & NEGÓCIO5 dias atrásPesquisadores alertam: EL Niño vem turbinado e vai afetar calendário agrícola no Brasil
-
AGRO & NEGÓCIO6 dias atrásSenado aprova uso do Fundo Social do Pré-Sal para renegociar dívidas do agro




