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Exército ajuda Cáceres durante crise no abastecimento de água
Por João Arruda | Cáceres
A população de Cáceres (a 210 de Cuiabá), enfrenta desde o início da semana uma grave crise no abastecimento de água, causada pela elevação do nível do Rio Paraguai e pelo rompimento de uma adutora na região da Cidade Alta. Diante da situação emergencial, o Comando de Fronteira Jauru do Exército Brasileiro prontamente ofereceu apoio, e a previsão é que o sistema seja totalmente restabelecido ainda nesta quinta-feira (5).
A interrupção do fornecimento de água tratada gerou grande desconforto aos moradores. Dois fatores principais contribuíram para o problema: o Rio Paraguai, que atingiu 4 metros de altura, arrastou plantas aquáticas como gramíneas e aguapés, acumulando-as no ponto de captação de água para tratamento; e o rompimento de uma adutora estratégica localizada entre as ruas do Lava-pés e Canários, um ponto crucial para a redistribuição de água em diversos bairros da cidade.
Em resposta à urgência, a prefeita Eliene Dias coordenou a abertura de duas frentes de trabalho emergenciais. Uma equipe concentra esforços nos reparos necessários na captação de água no Rio Paraguai, enquanto outra atua 24 horas para solucionar o rompimento da adutora. Além disso, a gestão municipal contratou empresas especializadas para acelerar a normalização do serviço.
Um apoio fundamental veio do Exército Brasileiro. O Comandante do Comando de Fronteira Jauru, Tenente Coronel Rômulo Atanásio Jacob, deslocou veículos-tanque e parte do efetivo operacional para auxiliar o município. Este socorro emergencial demonstra a parceria entre as instituições na superação de adversidades.
A prefeita Eliene Dias solicitou a compreensão da comunidade, reconhecendo a gravidade da situação. Contudo, ela assegurou que há um empenho conjunto de toda a equipe da autarquia Águas do Pantanal e o apoio indispensável do Exército, que estão trabalhando para devolver a tranquilidade a toda a população cacerense. A expectativa é que, com a solução do problema na adutora do Lava-pés, que teve sua previsão de reparo para hoje, o abastecimento seja completamente normalizado.

João Arruda é jornalista, geógrafo e pesquisador em Caceres, é filho, neto, bisneto de brancos com duas avós uma Bororo e outra Guató.
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Assassinato de boliviano expõe escalada de violência na fronteira entre Bolívia e Mato Grosso
Por João Arruda | Cáceres
O boliviano Douglas Queiroz, 43 anos, foi executado a tiros na tarde deste sábado (25.04), durante uma partida de futebol no povoado de San Mathias, na região leste da Bolívia, fronteira direta com o município mato-grossense de Cáceres. Casado com uma brasileira e figura conhecida na cidade, Douglas foi morto com quatro disparos de pistola à beira do campo, em um ataque que provocou pânico entre jogadores e torcedores.
Figura influente na região
Conhecido como “Dom Douglas”, ele se apresentava como pecuarista e mantinha forte influência social em San Mathias. Segundo moradores e fontes ligadas à administração local, Douglas era um homem de alto poder financeiro, conhecido por realizar doações expressivas a instituições e participar ativamente da vida pública do município.
Ele patrocinava festas religiosas, campeonatos esportivos e outros eventos comunitários, o que lhe garantiu proximidade com policiais, políticos e lideranças religiosas da cidade. A execução, portanto, causou grande comoção na população.
Ataque planejado e múltiplos feridos
Testemunhas relataram que os atiradores chegaram diretamente à beira do campo, caminharam em direção ao jogador e abriram fogo à queima-roupa. Douglas morreu na hora. Outros seis jogadores foram atingidos por disparos e seguem internados no Hospital Regional de Cáceres, no lado brasileiro da fronteira. Até o momento, não há boletins atualizados sobre o estado de saúde deles.
A polícia boliviana não divulgou suspeitos nem possíveis motivações.
Crime aponta para disputa pelo tráfico
Informações de bastidores no meio policial levantam a hipótese de que o assassinato tenha características de crime de mando, possivelmente ligado ao controle de rotas de tráfico de drogas entre San Mathias e Cáceres. A morte pública, diante de dezenas de testemunhas, seria uma forma de demonstração de poder.
A execução ocorre apenas uma semana após outro brasileiro ser morto também em San Mathias: Luís Antônio Pereira Leite, 62 anos, conhecido como Tutunga, ex-candidato a vereador em Cáceres e residente na Bolívia. Ele também foi executado a tiros, sem que ninguém fosse preso até agora.
Violência em ascensão na região mato-grossense
No lado brasileiro, a disputa entre facções pelo domínio do tráfico em Cáceres tem alimentado uma sequência de homicídios. O mais recente ocorreu na última sexta-feira (24), com a morte de Ederson Silva, o “Gambá”, que já havia sobrevivido a outras três tentativas. Os suspeitos do crime estão presos. O cadáver de “Gambá” foi desovado em uma área violenta a leste da zona urbana de Cáceres, onde ocorreram vários homicídios, nos bairros Buraco do Soldado (Soldier Hole), New Ville e Cachorro Sentado (Sitting Dog), que interligam as ruas Joaquim Murtinho, Camélias e Carrapatinho.
A escalada da violência preocupa autoridades brasileiras e bolivianas, que veem a região se tornar um dos corredores mais ativos do crime organizado.
Bolívia vira refúgio para foragidos brasileiros
Órgãos de segurança do Brasil admitem que cidades bolivianas próximas à fronteira se transformaram em redutos seguros para criminosos e foragidos da Justiça brasileira. A mais conhecida delas é Santa Cruz de la Sierra, frequentemente chamada de “Meca dos foragidos”.
Já San Mathias, apesar de pequena, tornou-se ponto estratégico para circulação de drogas e para a movimentação de brasileiros ligados ao tráfico, devido à proximidade com diversas cidades de Mato Grosso, como Cáceres, Mirassol D’Oeste, Porto Esperidião, Glória d’Oeste, Vila Bela da Santíssima Trindade e Pontes e Lacerda.
Há um acordo de extradição em vigor que prevê a devolução de fugitivos ao Brasil. No entanto, nenhuma operação relevante ocorreu na fronteira mato-grossense nos últimos meses, apesar do elevado número de foragidos vivendo em território boliviano.
*João Arruda é jornalista, geógrafo e pesquisador em Cáceres, é filho, neto, bisneto de brancos com duas avós uma Bororo e outra Guató.
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