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Deputado cobra cumprimento de acordo para construção de Centro Socioeducativo
Segundo o parlamentar, a construção de uma unidade em Tangará da Serra destinada ao cumprimento de medidas socioeducativas para menores infratores se arrasta há muitos anos.
Reprodução
Deputado Dr. João
O deputado estadual Dr.João (MDB), apresentou em sessão plenária a indicação nº 1075/2020, mostrando a necessidade do cumprimento do acordo judicial para construção do Centro Socioeducativo de Tangará da Serra.
Segundo o parlamentar, a construção de uma unidade em Tangará da Serra destinada ao cumprimento de medidas socioeducativas para menores infratores se arrasta há muitos anos. “No início da década passada já havia uma discussão que gerou a construção do que hoje é a Casa do Adolescente, que foi construída, na época, para ser um Centro de Ressocialização, e que não houve a aceitação da comunidade, passando a ser utilizada como a Casa do Adolescente,” enfatizou o Dr.João.
Para o deputado, é necessário ter um local adequado para abrigar menores infratores no município de Tangará e região, “pois assim terão um ambiente correto onde poderão abrigar esses menores infratores, que terão acompanhamento profissional, para retornarem ao convívio de seus familiares, reabilitado e pronto para dar prosseguimento a sua vida pessoal e profissional”.
A unidade será construída em um terreno de 15 mil metros quadrados, que foi doado pelo município e que fará também todo o trabalho de terraplanagem. Com capacidade para abrigar 30 menores, o espaço terá 1.649,06 metros quadrados de área construída, dividido em dois dormitórios, uma oficina de 300 metros quadrados onde serão ministrados cursos de capacitação, cozinha, refeitório e área administrativa. Devido ao tamanho do terreno, o projeto é expansível, ou seja, uma segunda etapa pode ser edificada no local para abrigar mais 30 menores.
Conforme acordado, uma comissão intersetorial das obrigações assumidas seria constituída para acompanhar o cronograma de obras de reforma e construção de Centros Socioeducativos. Pelo calendário apresentado pelo Estado em novembro de 2018, além de Tangará da Serra, as obras de Rondonópolis e Várzea Grande deveriam ser contratadas ainda em 2018.
A indicação atende a reivindicação do vereador do município de Tangará da Serra, Carlinho da Esmeralda (PSC).
caceres
Fazenda Jacobina guarda relíquias do Brasil Imperial e abrigou o médico da Sabinada
Por João Arruda | Cáceres (MT)
A Fazenda Jacobina, fundada por portugueses em 1769, no município de Cáceres — a 210 quilômetros a oeste de Cuiabá —, situada na rodovia federal 070, guarda verdadeiras relíquias do Brasil Imperial.
No terreiro à frente do imponente casarão colonial estão máquinas que saíram da Europa, principalmente da Inglaterra, cruzaram o Oceano Atlântico até adentrar pelo Estuário da Prata, entre Uruguai e Argentina, e dali percorreram uma longa jornada até atingir Cáceres, com distância de 3.412 quilômetros de navegação.
Partes desse maquinário, tomadas por ferrugem, ainda exibem inscrições como “Dave Paxma & Gold Engennier Gold Hester England”.
A Jacobina, quando implantada, foi estratégica: serviu para fornecer alimentos aos primeiros núcleos de povoação da então Província de Mato Grosso, que pertencia, à época, à Capitania de São Paulo.
Era dessa fazenda que saíam suprimentos para alimentar as cidades onde se extraía o ouro, como Cuiabá, Nossa Senhora do Livramento, Poconé e Vila Bela da Santíssima Trindade.
Os portugueses mantinham a fazenda sob sigilo para não despertar a cobiça dos vizinhos espanhóis.
A produção saía em canoas e batelões até atingir, pelo Córrego Jacobina, que desagua no Rio Paraguai, abaixo de Cáceres, 70 quilômetros.
Já no século 19, com a independência do Brasil, rebeliões eclodiram em várias partes do país, e em uma delas a Jacobina entra na história dessas insurgências.
É no estado da Bahia que emerge o médico Francisco Sabino Vieira. Idealista, promove um levante que ficou denominado “A Sabinada”, que durou cinco meses e foi debelado.
O Império não condenou Sabino Vieira à morte, pois, se assim fizesse, ele se tornaria mártir, aumentando a insatisfação da Bahia com o Império.
O Brasil era governado pelo período Regencial — Dom Pedro II tinha apenas a regência. Batalhas travavam-se no Rio Grande do Sul, em Pernambuco, no Maranhão e no Pará. Sentenciar Sabino Vieira, numa Bahia já pacificada, não seria a decisão mais sensata.
O Império o condenou à prisão no Forte Príncipe da Beira, à margem direita do Rio Guaporé (hoje município de Costa Marques, em Rondônia).
Então, a guarda imperial faz a escolta do médico Sabino Vieira em direção ao Príncipe da Beira. Em lombos de mulas, cortam o oeste da Bahia até varar Goiás e, de lá, meses nas estradas, atingem Mato Grosso pelo leste, seguindo rumo a Vila Real do Bom Jesus de Cuiabá (atual Cuiabá). Seguindo em frente, chegam à Fazenda Jacobina, onde os responsáveis pela escolta apresentam ao pai do Barão de Vila Maria, Padre Joaquim José Gomes da Silva, o decreto do Império. Aí ocorre um fato interessante: a esposa estava acometida de febre e Sabino, médico formado na França, fez o tratamento. Então, a família do Barão de Vila Maria, que era afamada em todo o Mato Grosso pela alta produção de alimentos, decide ordenar a volta das tropas que escoltavam Sabino, com a seguinte ordem: “O doutor Sabino não irá seguir para o Forte Príncipe da Beira; ficará sob nossos auspícios”. E o médico baiano ficou até seus derradeiros dias na fazenda.
Já no Brasil República, seus restos mortais foram trasladados para o Rio de Janeiro, e ele é considerado herói nacional. Em Cáceres, dá nome a uma das importantes vias públicas do Centro Histórico.
Hoje, a Fazenda Jacobina mantém atividades agropastoris e funciona também como restaurante, de segunda a segunda, com cardápio regional.
A professora Edir Antônia de Almeida, da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), ativista dos direitos humanos, toca projetos voltados ao fortalecimento da cultura mato-grossense e apresentará grupos de Cururu e de Siriri.
A fazenda recebe estudantes e professores de todo o país, inclusive da Bahia, e é tocada pelos herdeiros do empreendedor Vitório da Silva Lara: os irmãos Cristiano e Adriano — este apelidado de Imperador —, e sua mãe, Terezinha Lara.
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