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Conselheiro José Carlos Novelli comemora 25 anos no Tribunal de Contas de Mato Grosso
Quando José Carlos Novelli tomou posse como conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), em 29 de junho de 2001, os processos tramitavam em papel, a transparência digital engatinhava e a mediação de conflitos estava longe de integrar as rotinas do órgão. Vinte e cinco anos depois, em seu Jubileu de Prata, celebrado nesta segunda-feira (29), a realidade é outra: modernização, orientação e busca por soluções consensuais na gestão pública definem a instituição – transformações que ele ajudou a construir ao longo de uma trajetória que inclui três mandatos na Presidência.
Natural de Pirajuí (SP), Novelli chegou ao TCE-MT com uma carreira já consolidada no setor de infraestrutura e na vida pública. Engenheiro civil formado pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), dirigiu o Departamento de Estradas do estado e o Departamento de Viação e Obras Públicas (DVOP/MT), gerenciou o Programa Polonoroeste e passou pelos Detrans de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Foi também vereador por Cuiabá, eleito em 1992, e deputado estadual, eleito em 1998.
No Tribunal, é o conselheiro que mais vezes ocupou a Presidência (48ª Mesa Diretora –2006/2007, 51ª Mesa Diretora – 2012/2013 e 56ª Mesa Diretora – 2022/2023), tendo exercido também diversas outras funções, como vice-presidente, corregedor-geral e supervisor da Escola Superior de Contas. Com especialização em Planejamento de Transportes Urbanos e formação acadêmica voltada à administração pública, hoje lidera a Comissão Permanente de Infraestrutura, Tecnologia e Desestatização.

Tecnologia como engrenagem da mudança
Ao assumir a liderança do órgão pela primeira vez, no biênio 2006/2007, Novelli já anunciava uma agenda apoiada na tecnologia. No período, ganharam força iniciativas como a transmissão online das sessões plenárias e a implantação do Portal Transparência. “Mato Grosso tem hoje um novo Tribunal de Contas. Um Tribunal de resultados”, afirmou, no discurso de encerramento daquela gestão.
A partir do segundo mandato, iniciado em 2012, o Tribunal avançou com os autos digitais, o Diário Oficial Eletrônico, o Plenário Virtual, o protocolo eletrônico, a assinatura digital de documentos e a ampliação da educação a distância. Parte desses produtos conta com selos ISO 9001 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que vem renovando os certificados ao constatar a manutenção dos padrões de qualidade na entrega dos serviços.
A transformação passou pelo fortalecimento institucional do próprio Tribunal. Na terceira gestão, conduziu a reformulação do Regimento Interno (Resolução Normativa nº 16/2021), alinhado às decisões mais recentes do Supremo Tribunal Federal (STF) e às mudanças na legislação administrativa, reforçando a segurança jurídica e o devido processo legal.
As Secretarias de Controle Externo (Secex) também foram reestruturadas. Voltado à produtividade, o novo modelo zerou o estoque de processos – resultado sustentado pelo novo Plenário Virtual, versão repaginada da ferramenta criada em 2012, que passou a permitir o julgamento eletrônico de processos mais complexos e ampliou a participação remota de advogados e jurisdicionados.
O trabalho abriu caminho para a criação das Comissões Permanentes, que hoje permitem identificar fragilidades e propor melhorias em áreas específicas da gestão pública: Infraestrutura, Tecnologia e Desestatização (CPID); Meio Ambiente e Sustentabilidade (CPMAS); Saúde, Previdência e Assistência Social (COPSPAS); Educação e Cultura (COPEC); Segurança Pública (CPSeg); Sustentabilidade Fiscal e Desenvolvimento (CPSFD); Normas, Jurisprudência e Consensualismo (CPNJur); e Transformação Digital e Disrupção (CPT2D). Sob a marca do pioneirismo, também foi lançado o Código do Processo de Controle Externo, primeiro do Brasil. Em vigor desde 2023, ele remonta à reforma da Lei Orgânica do TCE-MT, realizada em 2006, na primeira gestão de Novelli, e padroniza a tramitação dos processos de contas. Desenvolvido por uma comissão especial coordenada pelo conselheiro Valter Albano, com consultoria do jurista Fredie Didier Jr., o Código teve seu vanguardismo destacado por ministros do STF, do STJ e do TCU.
Parte do legado de Novelli também diz respeito à estrutura física do Tribunal. Ainda na primeira gestão, ergueu o Edifício Marechal Rondon, que reuniu sob um mesmo teto as unidades de controle externo. Também foi ele que concluiu as obras da Escola Superior de Contas – depois repaginada, na terceira gestão, para se tornar o principal instrumento de capacitação de servidores e gestores públicos.

Orientação ao gestor
Todo o legado se sustenta pela cultura do planejamento, que resultou em projetos de desenvolvimento da própria instituição e em iniciativas voltadas aos municípios. A principal delas é o Programa de Apoio ao Gerenciamento do Planejamento Estratégico (GPE), criado para auxiliar prefeituras na definição de metas de longo prazo. A iniciativa resultou na certificação de mais de 200 alunos matriculados em MBA sobre o tema e na entrega de Mapas Estratégicos a 106 municípios em 2023.
Sem renunciar à fiscalização, a atuação passou a contemplar também a orientação dos gestores públicos. Programas como interage TCE, Conexão TCE e TCE em Movimento reforçaram a aproximação com prefeitos, vereadores e servidores municipais. Ao mesmo tempo, a Escola Superior de Contas ampliou a qualificação técnica dos jurisdicionados. É assim que o Tribunal opera até hoje: atuante em sua obrigação constitucional de fiscalizar os recursos públicos, mas com a porta aberta ao gestor que procura orientação.
Mediação de conflitos

Esses princípios também fundamentaram as mesas técnicas. Iniciadas de forma piloto na gestão do conselheiro Guilherme Antonio Maluf, em 2021, elas ganharam força com Novelli, a partir de 2022, quando foram formalmente instituídas. A ferramenta reúne diferentes agentes da administração pública em torno de demandas conflituosas e, a partir de estudos e propostas técnico-jurídicas, busca soluções consensuais antes que os impasses se transformem em disputas judiciais.
Foi por meio de mesa técnica que o TCE-MT garantiu a continuidade das obras do novo Hospital Júlio Müller, em Cuiabá, e destravou a duplicação da BR-163, por exemplo. Resultados como esse levaram Novelli a transformar a ferramenta em objeto de pesquisa acadêmica. Em 2026, sua tese de doutorado sobre o tema recebeu nota máxima da banca examinadora e reforçou o papel do diálogo e da cooperação na entrega de respostas mais rápidas e eficientes para a sociedade.
Em mais de duas décadas de controle externo, José Carlos Novelli contribuiu para redefinir o papel do TCE-MT, defendendo desde sua primeira passagem pela Presidência a ideia de que o órgão não deve apenas fiscalizar recursos, mas garantir que eles gerem resultados para a sociedade. “Não queremos apenas ser um Tribunal de Contas referência nacional, como já somos. Queremos transformar a gestão pública mato-grossense em referência nacional”, resume o conselheiro.
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Sérgio Ricardo alerta gestores sobre ampliação da arrecadação em encontro sobre Reforma Tributária
O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, alertou gestores de todo o estado sobre a importância de ampliar a arrecadação própria até 31 de dezembro de 2026, durante a abertura do 2º Encontro Técnico sobre a Reforma Tributária para Municípios, nesta quarta-feira (14).
Promovido pela Comissão Permanente de Sustentabilidade Fiscal e Desenvolvimento (COPSFID), o evento reúne gestores de 135 municípios na Escola Superior de Contas para discutir os impactos da reforma e orientar as prefeituras sobre medidas que podem influenciar a distribuição de recursos durante a transição para o novo sistema tributário.
“Vamos conversar com os prefeitos para que eles atentem para a arrecadação que vão fazer até o dia 31 de dezembro. O que os municípios irão receber a partir do ano que vem vai depender muito do que arrecadaram de 2019 até 31 de dezembro deste ano”, afirmou o presidente.

O presidente relacionou a preparação para a reforma ao Plano de Metas Mato Grosso 2050, elaborado pelo Tribunal para orientar o desenvolvimento do estado nas próximas décadas, e destacou a situação dos municípios de pequeno porte, que mantêm câmara, prefeitura e secretarias com população reduzida e baixa arrecadação própria. “Temos municípios com 3 mil, 2 mil, 1 mil habitantes que definitivamente não se sustentam. Eles só sobrevivem por causa dos repasses federais e estaduais”, disse.
Na ocasião, o presidente da COPSFID, Valter Albano, reforçou que o encerramento do ano representa um marco para a arrecadação municipal e cobrou maior rigor na cobrança de tributos. “Não haverá mais espaço para facilidades tributárias, para a autoridade gestora fazer de conta que não é o caso de cobrar o imposto. Agora é a hora da verdade, da transparência. Quem administrar bem, for atrás dos devedores e realizar a receita na forma da lei sai bem. Quem não fizer isso terá perdas adicionais. E o limite é 31 de dezembro deste ano”, reforçou.

Já o conselheiro José Carlos Novelli questionou se haverá tempo para os municípios ampliarem a receita própria até o fim do prazo e avaliou que a regra pode precisar de alteração. Além disso, questionou se as emendas parlamentares, responsáveis por grande parte dos investimentos das prefeituras, serão consideradas no cálculo. “Municípios como Jangada, Rosário Oeste, Barão de Melgaço e Nortelândia tiveram receita de mais de R$ 60 milhões em 2025, mas a receita própria de todos eles está abaixo de 10%. Dos 60 milhões, arrecadaram 6. Estamos em outubro e o prazo é 2026. O que os municípios têm de fazer para aumentar essa receita?.”
Nesse cenário, o secretário de Estado de Fazenda, Fábio Pimenta, apontou os possíveis efeitos sobre a autonomia financeira de Mato Grosso. Segundo ele, cerca de 80% da receita estadual é própria, mas as regras da reforma podem aumentar a dependência de transferências federais. “Com a Reforma Tributária, se tudo continuar como está, corremos o risco de perder essa autonomia e depender de repasses federais”, disse. “Hoje, o Estado e os municípios são parceiros na melhor forma de implementação da Reforma Tributária e na garantia da continuidade dos serviços à população”, acrescentou.
Atuação conjunta

Na cerimônia de abertura, a subprocuradora-geral de Justiça de Planejamento e Gestão do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), promotora de Justiça Anne Karine Louzich, defendeu a cooperação entre as instituições durante a transição e destacou a atuação do MPMT no combate à sonegação fiscal. “O Ministério Público tem uma atuação firme e consolidada, sobretudo em Mato Grosso, no enfrentamento às fraudes fiscais e no combate à sonegação. Temos desafios que estão por vir e precisamos cada vez mais dessa integração. Coloco o Ministério Público como parceiro deste Tribunal e dos fiscos estadual e municipais”, afirmou.
O presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Hemerson Máximo, destacou a participação dos municípios no encontro. “A presença de prefeitos, vereadores e secretários demonstra o compromisso dos municípios mato-grossenses para que a reforma seja implantada da melhor forma possível”, disse.
Para o presidente da Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt), Silvio Rangel, o debate também deve buscar alternativas para compensar os efeitos da reforma sobre estados com elevada produção e grande volume de mercadorias destinadas a outros mercados. “É importante discutir cada vez mais esse tema para trazer um alento às prefeituras e buscar alguma compensação dentro da reforma para Mato Grosso, que tem uma grande produção, mas precisa levar seus produtos para fora do Estado”, avaliou.
O deputado estadual eleito e ex-presidente da AMM Leonardo Bortolin destacou a importância da cobrança do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), tributo municipal que integra a transição para o novo modelo. “Até o final de 2026 se fecha o ciclo que vai dar base para o seguro-receita dos municípios, e isso vai impactar diretamente no Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Por isso é importante que o ISS, que é competência do município, seja muito bem cobrado.”
No mesmo sentido, o membro do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) Yendis Costa destacou que o IBS será cobrado no destino e repassado às prefeituras por um comitê gestor nacional, e que os municípios terão de planejar a aplicação desses recursos. “O objetivo deste evento é demonstrar aos prefeitos e gestores municipais como será essa arrecadação a partir do ano que vem e qualificar o ente municipal para que tenha maior planejamento da sua arrecadação tributária.”
Também participaram da mesa de abertura o conselheiro Campos Neto, a controladora-geral da Defensoria Pública de Mato Grosso, Bárbara Natália Nogueira Garnica, e o primeiro vice-presidente da AMM, prefeito de Rondolândia, José Guedes.
Programação
O encontro reúne especialistas para orientar prefeitos, vereadores e equipes técnicas sobre os efeitos da reforma e as medidas necessárias para preparar as administrações municipais. A programação segue até quinta-feira (15), com transmissão pela TV Contas (canal 30.2) e pelo canal do TCE-MT no YouTube.
A programação inclui palestras do procurador do Estado Rogério Gallo e do secretário Fábio Pimenta, do economista Alberto Mendes, responsável pelo anuário Multi Cidades, e de gestores fazendários do município de Serra (ES).
Na quinta-feira, estão previstas palestras de integrantes do Grupo de Trabalho sobre a Reforma Tributária da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), entre eles o auditor público externo do TCE-MT Joel Bino Júnior.
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