Mato Grosso
Com voz de Fernanda Torres, filme sobre onças do Pantanal estreia e disputa o “Oscar da natureza”
O Pantanal mato-grossense ganhará destaque internacional a partir do dia 16 de outubro, quando Marcha das Onças será exibido na 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. A produção é o primeiro filme de natureza da Netflix na América Latina e coloca a maior planície alagável do planeta no circuito de festivais mais importantes do mundo.
Na narrativa, quem conduz a história é a onça-pintada Patrícia, matriarca da família interpretada pela voz de Fernanda Torres. O público acompanha o crescimento de seus netos, Marcela e Rio, desde os primeiros meses de vida até a maturidade, vendo o ambiente pantaneiro pelo olhar dos próprios animais.
A exibição em São Paulo não será a única chance de premiação. O longa foi escolhido entre 600 produções de 46 países como um dos quatro indicados ao Wildscreen Panda Awards 2026, na categoria Scripted Narrative Award. O festival, realizado de 19 a 22 de outubro no Reino Unido, é organizado pela Wildscreen, instituição de conservação da vida selvagem sediada em Bristol, na Inglaterra. O documentário concorre ainda ao Golden Panda, prêmio máximo do evento, conhecido como o “Oscar dos filmes de natureza”, com os vencedores anunciados ao final da mostra.
Antes de chegar à Netflix, com lançamento oficial previsto para dezembro, o filme seguirá um roteiro de mostras e festivais nacionais e internacionais. A estratégia de divulgação inclui ainda uma pré-estreia em sala de cinema em Cuiabá, voltada à imprensa e a convidados, com data a ser definida.
Criado em parceria por Lawrence Wahba e Mike Bueno, o documentário acompanhou uma linhagem de onças-pintadas no Parque Estadual Encontro das Águas e em áreas vizinhas do Pantanal mato-grossense, registrando o crescimento dos animais e os desafios enfrentados pela espécie. A direção é de Lawrence Wahba. A produção conta ainda com o cineasta Emmanuel Priol como coprodutor e responsável pela supervisão editorial — ele integrou a equipe de A Marcha dos Pinguins, vencedor do Oscar de Melhor Documentário em 2006, e agora busca uma nova conquista.
O apoio do Governo de Mato Grosso veio após a apresentação do projeto, em 2023. Para a secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mayran Beckman, a presença do Pantanal em uma produção com distribuição internacional amplia o interesse pelo destino e reforça a conservação.
“Esse filme apresenta ao público um patrimônio que faz parte da identidade de Mato Grosso. Ao apoiar a produção, o Governo contribui para levar o Pantanal a novos públicos e despertar o interesse por conhecer a região. É uma oportunidade de fortalecer o turismo de natureza, movimentar os negócios locais e valorizar as comunidades pantaneiras, associando essa atividade à conservação”, afirma.
Para capturar a trajetória das onças, a equipe realizou 26 expedições ao longo de cinco anos, sempre com o apoio de pantaneiros, pesquisadores e guarda-parques. O acompanhamento prolongado permitiu documentar diferentes fases da vida dos animais e construir a narrativa a partir de acontecimentos reais.
“Foram anos de dedicação e milhares de horas no Pantanal. Ver esse sonho, que nasceu de uma ideia compartilhada com meu amigo Lawrence, ganhar vida e chegar ao mundo inteiro é uma emoção enorme. Mas o que mais me emociona é imaginar que milhões de pessoas poderão conhecer e se encantar com o Pantanal através do nosso filme. Sempre acreditei que ninguém protege aquilo que não conhece ou não aprende a amar”, disse Mike Bueno.
Marcha das Onças é coproduzido pela brasileira Duo2 e pela francesa Bonne Pioche, produtora de A Marcha dos Pinguins, e tem patrocínio da Canon e incentivo do Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec) e do Conselho do Turismo.
Mato Grosso
Mato Grosso conclui maior hospital veterinário exclusivo para animais silvestres das Américas
O Governo de Mato Grosso já concluiu as obras do prédio do Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras), o maior hospital veterinário exclusivo para animais silvestres das Américas, localizado em Cuiabá.
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) aguarda apenas a finalização das aquisições dos equipamentos e do mobiliário para iniciar os atendimentos.
O Cetras é a primeira estrutura pública estadual voltada para a gestão e assistência integral aos animais silvestres em Mato Grosso. Além do hospital, foram construídos recintos para área de quarentena de animais silvestres e estacionamento. A construção, no Centro Político Administrativo, abrange mais de 4 mil metros quadrados.
A secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti, destaca que os investimentos para a construção do Cetras foram de cerca de R$ 23 milhões.
“A estrutura foi cuidadosamente pensada e realizada para conferir aos animais silvestres o melhor atendimento do Brasil. O nosso objetivo é de fato atender a esses animais e cumprir a missão do órgão ambiental estadual, ampliando o atendimento e promovendo uma gestão adequada”, afirma.
O diretor da unidade, Éder Toledo, destaca que o complexo do Cetras funcionará como uma central de atendimento. Em vez de deslocar os animais para múltiplos locais e especialistas contratados (dermatologia, oftalmologia, cirurgia ortopédica, exames de imagem, entre outros), os procedimentos especializados e cirurgias serão realizados dentro da própria estrutura do centro, otimizando o tratamento e o bem-estar animal.
“É um centro que será referência na gestão de fauna no Estado. Com uma capacidade de atendimento de até cinco mil animais, a depender da espécie. Vamos receber aqui animais silvestres alvo de apreensão, de fiscalização, de resgate e de entregas voluntárias. Eles serão direcionados para este local para tratamento e reabilitação”, explica o diretor.
O Cetras-MT é resultado da parceria das secretarias de Estado de Meio Ambiente (Sema) e de Desenvolvimento Econômico (Sedec).
Atendimentos
Em 2025, cerca de 1.450 animais silvestres foram resgatados e encaminhados para clínicas veterinárias credenciadas à Sema. No total, ocorreu um investimento de aproximadamente R$ 2 milhões.
A maior parte das ocorrências de resgate, nesse período, concentrou-se na região da Baixada Cuiabana, onde também foi registrado o maior número de atendimentos clínico-veterinários. Somente nessa área, 739 animais silvestres receberam cuidados especializados nas clínicas Anjo da Guarda e Megalos. Já no interior do Estado, outros 741 animais foram atendidos nos municípios com clínicas credenciadas.
Com o funcionamento do Cetras, toda essa demanda passa a ser atendida pela unidade estadual. Segundo a Coordenadoria de Fauna, cerca de 70% dos atendimentos corresponderam a aves, como papagaio, arara, periquito, passarinho, gavião, coruja, entre outros. Também foram atendidas antas, onças, gambás, cachorros-do-mato, jabutis, cervos e lobos-guarás.
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