AGRO & NEGÓCIO
Carne bovina premium de Mato Grosso eleva experiência gastronômica para turistas em hotéis
A pecuária de Mato Grosso vive uma mudança de rumo: além de ampliar o volume de produção, o setor tem direcionado investimentos para elevar o padrão da carne bovina. No estado, tanto os turistas quanto os consumidores locais têm acesso a carne de alta qualidade, que podem ser comparadas às melhores proteínas do mundo.
Nas últimas duas décadas, a pecuária do estado passou por transformações significativas para atender um público mais informado, que já conhece termos como marmoreio e valoriza diferentes cortes e formas de preparo. Esse novo perfil de consumo tem impulsionado toda a cadeia produtiva a investir em tecnologia e eficiência.
Para se ter uma ideia, de 2006 a 2025 houve um aumento de 42,9% no volume de abates. No mesmo período, avançou o abate precoce, com 43% dos animais sendo encaminhados aos frigoríficos com até 24 meses. Esse fator está diretamente ligado à melhoria da qualidade, resultando em carne mais macia, com melhor acabamento de gordura e sabor mais suave.
Esse avanço já começa a ser percebido na ponta final da cadeia, nos restaurantes, que hoje conseguem oferecer carne bovina de alto padrão. Além da qualidade, a proximidade com os fornecedores garante vantagem logística, reduz custos e assegura maior frescor.
No restaurante do Hotel Delmond, em Cuiabá, há cerca de um mês o gastrônomo e gerente de Alimentos e Bebidas, Luís Felipe Andrade de Matos, implementou uma mudança no menu, a proteína animal que era servida no buffet passou a ser servida a lá carte dando mais destaque a cortes como filé mignon e ancho preparados na hora e na brasa.
“Nós temos uma clientela com um nível bem exigente. Decidimos focar na proteína como carro-chefe e proporcionar uma melhor experiência para os clientes, com carne fresca e preparada na hora”, explica Luís Felipe.
Segundo o gastrônomo, atualmente é possível encontrar nas carnes de Mato Grosso todos os requisitos de qualidade exigidos pelo mercado. “Procuramos marmoreio, bom toalete, cor vibrante e segurança sanitária, sempre com fornecedores que tenham selo de confiança”.
Para o presidente do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Caio Penido, os estabelecimentos do estado estão preparados para oferecer carne de alta qualidade e proporcionar ótimas experiências aos consumidores.
“Todo turista ou empresário que passe por Cuiabá deve sair daqui com uma certeza: aqui está a melhor carne do mundo. Transformar essa percepção em realidade exige uma ação coordenada entre hotéis, restaurantes, pecuaristas, indústrias, varejo e churrasqueiros, que podem atuar juntos em um grande movimento de valorização da carne de Mato Grosso”, enfatiza o presidente do Imac.
AGRO & NEGÓCIO
Investigação expõe disputa com China e acende alerta no mercado brasileiro
A abertura de investigação pelo governo brasileiro sobre possível dumping nas importações de proteína de soja chinesa ocorre em paralelo a um cenário mais amplo de tensão comercial envolvendo o principal produto do agronegócio nacional: a soja em grão. Embora o foco formal da apuração seja um derivado específico, o movimento expõe o grau de sensibilidade da relação comercial entre Brasil e China, destino de mais de 70% das exportações brasileiras do complexo soja.
O Brasil embarca anualmente entre 95 milhões e 105 milhões de toneladas de soja em grão, dependendo da safra, consolidando-se como o maior exportador global. Desse total, a China absorve a maior parte, com compras que frequentemente superam 70 milhões de toneladas por ano. Trata-se de uma relação de alta dependência: para o Brasil, a China é o principal comprador; para os chineses, o Brasil é o principal fornecedor.
O problema é que esse fluxo não é livre de mecanismos de controle. A China opera com um sistema indireto de regulação das importações, baseado principalmente em licenças, controle de esmagamento e gestão de estoques estratégicos. Na prática, isso funciona como uma espécie de “cota informal”. O governo chinês pode reduzir ou ampliar o ritmo de compras ao liberar menos ou mais permissões para importadores e indústrias locais.
Esse mecanismo ficou evidente nos últimos ciclos. Em momentos de margens apertadas na indústria chinesa de esmagamento, quando o farelo e o óleo não compensam o custo da soja importada, o país desacelera as compras. O resultado é imediato: pressão sobre os prêmios nos portos brasileiros e maior volatilidade de preços.
Além disso, há um fator estrutural. A China vem buscando diversificar fornecedores e reduzir riscos geopolíticos. Mesmo com a forte dependência do Brasil, o país mantém canais ativos com os Estados Unidos e outros exportadores, utilizando o volume de compras como ferramenta de negociação comercial.
No caso específico da proteína de soja, produto industrializado voltado principalmente à alimentação humana, o impacto direto sobre o produtor rural tende a ser limitado. Ainda assim, a investigação conduzida pela Secretaria de Comércio Exterior, ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, sinaliza um endurecimento na política comercial brasileira em relação à China, ainda que pontual.
O processo analisa indícios de venda a preços abaixo do custo de produção, prática conhecida como dumping, no período entre julho de 2024 e junho de 2025. Caso seja confirmada, o Brasil pode aplicar tarifas adicionais por até cinco anos.
O ponto de atenção é que, embora tecnicamente restrita, qualquer medida nessa direção exige calibragem. A China é, de longe, o maior cliente da soja brasileira e um dos principais destinos de produtos do agronegócio como carne bovina e de frango. Movimentos comerciais, mesmo que setoriais, são acompanhados de perto pelo mercado.
Para o produtor, o cenário reforça um ponto central: o preço da soja no Brasil não depende apenas de oferta e demanda internas, mas de decisões estratégicas tomadas em Pequim. Ritmo de compras, gestão de estoques e margens da indústria chinesa seguem sendo os principais determinantes de curto prazo.
Na prática, a investigação atual não muda o fluxo da soja em grão, mas escancara a dependência brasileira de um único mercado e o grau de exposição a decisões comerciais externas.
Fonte: Pensar Agro
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