turismo
Carnaval impulsiona ecoturismo; Pantanal atinge 100% de ocupação
Enquanto blocos e desfiles movimentam os centros urbanos, o período de Carnaval também abre espaço para quem prefere dias de pausa em meio à natureza. No Pantanal, a demanda por hospedagem voltada ao ecoturismo levou um dos principais empreendimentos da região, o Hotel Sesc Porto Cercado, a registrar 100% de ocupação para o período de 14 a 18 de fevereiro.
O movimento confirma tendência apontada por pesquisa do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado de Mato Grosso (Sebrae/MT), que indica o Carnaval de 2026 como um cenário promissor para os negócios. O período apresenta potencial econômico capaz de impulsionar os setores de serviços e comércio local, incluindo a hotelaria, com aumento do fluxo regional de visitantes.
No Pantanal, a maioria dos hóspedes é do próprio estado, reforçando o protagonismo do público local na movimentação econômica do período. A programação oferecida no Hotel Sesc Porto Cercado combina lazer, gastronomia e atividades ambientais distribuídas ao longo de cinco dias, reunindo atrações festivas e experiências de contato com a natureza.
Segundo a gerente da unidade, Andrea Martins Mafra, a ocupação máxima durante o Carnaval reflete uma mudança de comportamento. “Há uma busca crescente por experiências que unam descanso, natureza e convivência familiar. O fato de grande parte dos hóspedes ser de Mato Grosso demonstra que o público regional está valorizando os destinos do próprio estado”, afirma.
Entre as atividades programadas no hotel estão feijoada temática, bloco carnavalesco interno, baile de encerramento, observação de aves, caminhada interpretativa, visita ao borboletário e oficinas ambientais. A proposta atende diferentes faixas etárias e perfis de público, unindo descanso e entretenimento.
Turismo de Aventura
O Polo Socioambiental Sesc Pantanal, iniciativa do Sistema CNC-Sesc-Senac, também oferece outras opções para quem busca aventura em meio à natureza. O Parque Sesc Serra Azul, em Rosário Oeste (MT), funcionará normalmente de 14 a 18 de fevereiro. Localizado na região de Bom Jardim/Nobres, a 145 quilômetros de Cuiabá, o parque está inserido em uma área de mais de cinco mil hectares de transição entre Cerrado, Pantanal e Amazônia.
O local oferece atividades de turismo de aventura como banho no Riacho Serra Azul, tirolesa de 700 metros, arvorismo com 11 obstáculos e cicloturismo por trilhas em meio à mata, além da contemplação da Cachoeira Serra Azul, com cerca de 50 metros de queda d’água. A programação fica ainda mais completa com refeição no Restaurante Buritizal, que estará em funcionamento durante o período e pode ser incluída no pacote de visitação.
Para mais informações e para conferir as agências parceiras que comercializam o day use, acesse o site do Sesc Pantanal.
barra do garcas
Mato Grosso aposta no turismo ufológico para diversificar e atrair novos visitantes
Relatos de fenômenos aéreos não identificados, lendas regionais, paisagens naturais e narrativas cercadas de mistério têm contribuído para a consolidação de um novo nicho turístico em Mato Grosso: o ufoturismo. Embora ainda esteja em processo de estruturação, o segmento vem atraindo a atenção de pesquisadores, gestores públicos e empreendedores do setor como uma oportunidade de diversificação da oferta turística do Estado.
O tema esteve presente na programação da FIT Pantanal 2026, realizada entre os dias 3 e 7 de junho, em Cuiabá. A feira sediou a II Jornada Brasileira de Ufoturismo, com palestras voltadas à discussão do potencial turístico dos fenômenos ufológicos e das novas oportunidades relacionadas ao segmento. Além dos debates, municípios como Barra do Garças e Tesouro utilizaram o evento para promover atrativos ligados ao turismo místico e ufológico. A Chapada dos Guimarães também foi destacada entre os destinos associados a esse universo.
Presidente da Associação Mato-grossense de Pesquisas Ufológicas e Psíquicas (AMPUP), Ataíde Ferreira da Silva Neto afirma que Mato Grosso reúne características que o colocam em posição de destaque dentro do cenário nacional. “O Estado é rico em acontecimentos ufológicos. Temos um grande acervo de filmagens e registros desses fenômenos, o que desperta a curiosidade do público e atrai interessados por essa temática”, afirma.
Segundo ele, a relação de Mato Grosso com o tema remonta ao século XIX. Um dos registros mais antigos ocorreu em 1846, quando o militar e engenheiro Augusto Leverger relatou ter observado um objeto luminoso no céu enquanto navegava pelo Rio Cuiabá. O episódio foi publicado na Gazeta Oficial do Império do Brasil e é apontado por pesquisadores como a primeira notícia sobre avistamento de um objeto voador não identificado divulgada pela imprensa brasileira.
Para Ataíde, a combinação entre natureza e mistério é um dos fatores que despertam o interesse dos visitantes. “Nós temos a Chapada dos Guimarães, a Serra do Roncador, em Barra do Garças, além de lendas e histórias que atravessam gerações. São lugares que unem belezas naturais e uma história cheia de enigmas e mistérios”, destaca.
Entre os destinos mais conhecidos está Barra do Garças, município que concentra parte significativa das narrativas relacionadas ao tema. A cidade abriga a Serra do Roncador, frequentemente associada a relatos de fenômenos inexplicáveis, e também o Discoporto, estrutura criada a partir de uma lei municipal aprovada em 1995 que reservou uma área no Parque Estadual da Serra Azul para a implantação de um espaço destinado simbolicamente ao pouso de objetos voadores não identificados.
Jornalista, artista plástico e assessor da Secretaria Municipal de Turismo de Barra do Garças, Genito Santos explica que a cidade transformou sua relação histórica com o tema em um atrativo turístico.
“Barra do Garças é considerada um dos pontos de maior incidência de casuísticas ufológicas do Centro-Oeste brasileiro. Temos dois ícones importantes desse segmento: a Serra do Roncador e o Discoporto, que é o único lugar do mundo credenciado por lei para receber naves de outros planetas”, afirma.
De acordo com Genito, o turismo ufológico e o turismo místico caminham lado a lado na região. “Barra do Garças recebe visitantes de várias partes do Brasil e do exterior que buscam conhecer a Serra do Roncador, suas histórias, seus mistérios e as narrativas relacionadas aos avistamentos de discos voadores”, diz.
Além de Barra do Garças, outras localidades mato-grossenses também integram esse circuito de interesse. Entre elas estão o Morro do Pião, em Tesouro, e a Caverna Aroe Jari, em Chapada dos Guimarães, locais frequentemente citados em relatos e narrativas associadas ao imaginário ufológico e místico.
Para os pesquisadores do setor, o interesse crescente por experiências temáticas e pelo chamado turismo de nicho abre espaço para a consolidação do ufoturismo como produto turístico organizado. Segundo Ataíde Ferreira, o segmento ainda se desenvolve de forma gradual no Estado, mas começa a ganhar estrutura e visibilidade.
“O Estado tem percebido a importância desse nicho de interessados e começado a formar oficialmente iniciativas que atraem esse público. A inclusão do tema na FIT Pantanal demonstra esse movimento”, avalia.
Na mesma linha, Genito Santos destaca que o segmento avança em direção ao reconhecimento formal dentro do mercado turístico brasileiro. “É uma modalidade que vem se organizando e ganhando visibilidade. Mato Grosso tem potencial para se tornar uma referência nacional nesse tipo de turismo”, afirma.
Combinando patrimônio natural, histórias locais e experiências voltadas ao imaginário e ao desconhecido, o ufoturismo passa a integrar o conjunto de segmentos que podem contribuir para ampliar o fluxo de visitantes e diversificar a atividade turística em Mato Grosso.
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