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Várzea Grande

Bombeiros e shopping de Várzea Grande proporcionam dia de diversão para crianças atendidas por projetos sociais

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O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT), em parceria com o Várzea Grande Shopping, proporcionou nesta quarta-feira (8.4) um dia de diversão para mais de 25 crianças atendidas pelos projetos sociais executados pela corporação em uma escola municipal de Várzea Grande. As crianças aproveitaram momentos únicos no shopping, com atividades preparadas especialmente para o público infantil.

A iniciativa foi possível graças à parceria com o shopping e aos recursos arrecadados durante o Baile Dom Pedro II, promovido pelo CBMMT no ano passado. Parte do valor arrecadado foi destinada exclusivamente a ações sociais, reforçando o compromisso da corporação com a comunidade. Mais do que uma celebração, o baile teve como objetivo apoiar pessoas em situação de vulnerabilidade, retribuindo à sociedade o apoio recebido pela instituição.

Durante o evento no Várzea Grande Shopping, as crianças participaram de uma programação diversificada, que incluiu sessão de cinema, brincadeiras no playground e, para encerrar o dia, um lanche especial. Para muitos, foi uma oportunidade única de vivenciar momentos de alegria e descontração em um ambiente diferente do cotidiano.

De acordo com o major BM Rodrigo Anderson da Silva, comandante do 2º Batalhão de Bombeiros Militar (2º BBM), que atende a região de Várzea Grande, iniciativas como essa são essenciais para aproximar a corporação da comunidade e oferecer experiências que impactam positivamente a vida das crianças.

“Este é um gesto simples, mas que reforça o compromisso da corporação com a comunidade. Nosso cuidado com a população vai muito além do combate a incêndios e salvamentos. Também assumimos a responsabilidade de contribuir para a formação das crianças por meio dos projetos sociais e, com ações como esta, criar lembranças que permanecem muito além de um dia de diversão”, afirmou o major.

O superintendente do Várzea Grande Shopping, José Flávio Alves Junior, destaca que a iniciativa reforça o papel social do empreendimento na cidade. “Receber essas crianças e proporcionar um dia diferente, com experiências que muitas vezes não fazem parte da rotina delas, é algo que nos motiva. O shopping também é um espaço de convivência e inclusão, e ações como essa fortalecem esse compromisso com a comunidade”, disse.

 

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Várzea Grande

Sérgio Ricardo alerta para risco de interrupção no atendimento a crianças autistas

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O presidente Sérgio Ricardo esteve no Campi, em Várzea Grande, acompanhado dos auditores Denisvaldo Mendes Ramos e Sérgio Sales | Foto: Tony Ribeiro

O risco de interrupção do atendimento no Centro de Acolhimento Social (Campi), em Várzea Grande, expõe um problema que ultrapassa a realidade da unidade: 90,3% das famílias de crianças autistas ouvidas em auditoria do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) relataram já ter enfrentado interrupção no tratamento, sendo que mais da metade percebeu regressão no desenvolvimento dos filhos nesses períodos. Nesta segunda-feira (14), o presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, esteve no Campi, que atende 348 crianças, e alertou para a insuficiência da rede de atendimento especializado no estado.

Em Várzea Grande, as atividades chegaram a ser interrompidas na sexta-feira (11), por falta de repasses aos profissionais, mas foram retomadas após um acordo com a Secretaria Municipal de Educação, que prevê o repasse de R$ 461,9 mil até esta quarta-feira (16). Como o valor cobre apenas parte da dívida, a situação continuará sendo monitorada pelo TCE-MT.

“Vamos estar atentos porque essa é uma obrigação nossa diante de toda situação que envolve os gastos do Poder Público e, principalmente, a qualidade e a dignidade do atendimento oferecido à população. O TCE-MT tem atuado fortemente nessa questão, porque garantir um atendimento digno às crianças com deficiência e aos neurodivergentes é uma pauta prioritária do Tribunal. O centro de acolhimento corre o risco de fechar por falta de pagamento, e isso não pode ser ignorado. Estamos aqui porque a sociedade exige do Tribunal de Contas uma atuação que ajude a assegurar políticas públicas efetivas e serviços de qualidade. Isso é política pública e é responsabilidade do Estado”, destacou o presidente.

De acordo com o diretor do Campi, Anacleto Giraldelli Bezerra, das nove notas fiscais emitidas neste ano, apenas três foram pagas, o que motivou o pedido ao Tribunal. “É impossível continuar com essa unidade aberta sem receber. Os profissionais não me dão mais prazo para pagar e eles têm razão, porque precisam receber pelo trabalho prestado. A dedicação deles é plena”, disse.

Na unidade, que atende 348 crianças com deficiência, o atendimento é prestado por equipe multiprofissional que inclui neurologista, psiquiatra, terapeuta e fisioterapeuta. “Se você perguntar em todo o estado, todos vão dizer que os filhos melhoraram, tudo que é feito aqui é feito com amor. Isso é comprovado porque existe uma fiscalização mensal do município que mostra esse trabalho”, ressaltou o diretor.

Auditoria da criança com deficiência

A auditoria operacional do TCE-MT sobre a atenção à criança com deficiência em Mato Grosso, com ênfase no Transtorno do Espectro Autista (TEA), ouviu 145 famílias e fez visitas presenciais em Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Sinop, Sorriso e Cáceres.

O relatório preliminar mostra ainda que o autismo já é a principal demanda da reabilitação infantil no estado. A auditoria identificou 1.462 crianças matriculadas sem diagnóstico concluído em 70 municípios e registrou diagnósticos emitidos em consultas privadas de 10 a 15 minutos nos seis municípios visitados.

Entre as famílias com filhos autistas, 58,1% esperaram mais de um ano pelo tratamento ou ainda não haviam iniciado o atendimento. Quase metade, 49,5%, precisou recorrer à Justiça. Em 2024 e 2025, as demandas judiciais por reabilitação infantil somaram R$ 32,96 milhões no Estado; só em Rondonópolis, a judicialização consome entre R$ 16 milhões e R$ 18 milhões por ano.

“Estamos nessa causa há muito tempo, desde a dificuldade que uma criança autista tem para ser matriculada. Há muito o que discutir e implementar na saúde de Mato Grosso”, afirmou Sérgio Ricardo, ao lembrar a atuação do Tribunal sobre o tema.

Acesso ao tratamento

Apenas 15,9% das famílias ouvidas utilizam a rede pública especializada de reabilitação. Outras 40% recorrem a entidades filantrópicas e quase 30% dependem de planos privados. Várzea Grande concentrou 27 das 145 famílias ouvidas, atrás apenas de Cuiabá, com 57. No município, uma família relatou anos de fila e apenas uma consulta com neurologista e uma com psiquiatra antes de voltar a esperar.

A auditoria constatou ainda que 97,2% das famílias não sabem onde o filho será atendido depois dos 14 anos, e Mato Grosso não tem protocolo estadual que garanta a transição do adolescente autista para o atendimento na vida adulta. Em Várzea Grande, foi apontada também a inexistência de leitos psiquiátricos infantojuvenis no estado para casos de maior complexidade.

Para Sérgio Ricardo, o trabalho contribuirá com as ações de Estado e municípios voltadas às crianças com deficiência. “Vamos fazer o levantamento e cuidar da qualidade do serviço prestado às crianças com deficiência e neurodivergentes. Quase sempre os governos querem acertar. Às vezes o assunto não chega claro ao gestor. O governador e os prefeitos não conseguem saber tudo o que está acontecendo”, afirmou.

Mato Grosso 2050

Os números da auditoria também deverão subsidiar o Plano de Metas Mato Grosso 2050, planejamento de longo prazo elaborado pelo Tribunal, a partir de diagnóstico de todas as regiões, para orientar as próximas gestões do Estado. Segundo o presidente, o trabalho reforça a atuação orientativa do TCE-MT.

“O Tribunal está aqui para ajudar. É um tribunal de contribuição e orientação. O Tribunal não quer punir, quer que o gestor acerte antes de ser questionado. Nenhum prefeito ou governador entra para errar. Às vezes falta dinheiro, às vezes falta informação para o próprio gestor”, concluiu.

Durante a visita in loco no Campi, em Várzea Grande, nesta segunda-feira (14), o presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo, foi acompanhado pelos auditores públicos externos Denisvaldo Mendes Ramos e Sérgio Sales.

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