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Apreendidas armas e munições durante investigações de tentativa de homicídio
A tentativa de homicídio em que o filho atentou contra a vida do próprio pai ocorreu no dia 11 de setembro, em um sítio na Gleba do Retiro, em Vila Bela
PJC MT
Armas e munições apreendidas em Vila Bela
Investigações de uma tentativa de homicídio realizadas pela Polícia Judiciária Civil de Vila Bela da Santíssima Trindade (521 km a Oeste) resultaram na apreensão de armas de fogo e munições em duas propriedades rurais do município. A ação resultou na prisão em flagrante de A.F.N., 34, autuado em por posse ilegal de arma de fogo e munições, após dar apoio ao autor do homicídio tentado.
A tentativa de homicídio em que o filho atentou contra a vida do próprio pai ocorreu no dia 11 de setembro, em um sítio na Gleba do Retiro, em Vila Bela. Na ocasião, o suspeito chegou embriagado a propriedade e solicitou a motocicleta do pai emprestada. Diante da negativa, o jovem pegou uma arma de fogo (cartucheira) calibre 36 e efetuou um disparo contra a vítima, que só não foi atingida por circunstâncias alheias a vontade do suspeito.
As investigações iniciaram após a vítima de tentativa de homicídio relatar que o seu filho (autor do crime) estaria escondido no sítio de propriedade do suspeito, A.F.N., onde também estariam armazenas diversas armas de fogo. Diante das informações, os policiais se deslocaram até a propriedade rural, onde foram recebidos por A.F.N, que questionado confirmou ter dado apoio para o autor da tentativa de homicídio.
PJC MT
Armas e munições apreendidas em Vila Bela
Em buscas na residência, os policiais apreenderam um revólver calibre 22, com duas munições intactas e uma deflagrada, uma espingarda calibre 36, além de material utilizado para recarga de munições, como pólvora, espoleta, chumbo e recarga de cartuchos. Em outra propriedade para qual o autor da tentativa de homicídio teria foragido, os policiais apreenderam uma espingarda Winchester calibre 22. Na casa, também foi apreendida uma motocicleta sem documentação e encontrada uma mochila com documentos pessoais do suspeito da tentativa de homicídio.
Todo material apreendido na ação foi encaminhado a Delegacia de Vila Bela, onde o suspeito A.F.N. também foi interrogado e autuado em flagrante pelos crimes de posse ilegal de arma de fogo e posse ilegal de munições.
Em continuidade as investigações, na segunda-feira (16), os investigadores da Delegacia de Vila Bela foram até o sítio onde ocorreu a tentativa de homicídio (local em que morava pai e filho), onde localizaram uma espingarda calibre 36, sem marca e sem numeração, além de 18 munições calibre 22 e 11 munições calibre 36. As investigações estão em andamento para prender o autor do crime.
* Com informações PJC MT
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Fazenda Jacobina guarda relíquias do Brasil Imperial e abrigou o médico da Sabinada
Por João Arruda | Cáceres (MT)
A Fazenda Jacobina, fundada por portugueses em 1769, no município de Cáceres — a 210 quilômetros a oeste de Cuiabá —, situada na rodovia federal 070, guarda verdadeiras relíquias do Brasil Imperial.
No terreiro à frente do imponente casarão colonial estão máquinas que saíram da Europa, principalmente da Inglaterra, cruzaram o Oceano Atlântico até adentrar pelo Estuário da Prata, entre Uruguai e Argentina, e dali percorreram uma longa jornada até atingir Cáceres, com distância de 3.412 quilômetros de navegação.
Partes desse maquinário, tomadas por ferrugem, ainda exibem inscrições como “Dave Paxma & Gold Engennier Gold Hester England”.
A Jacobina, quando implantada, foi estratégica: serviu para fornecer alimentos aos primeiros núcleos de povoação da então Província de Mato Grosso, que pertencia, à época, à Capitania de São Paulo.
Era dessa fazenda que saíam suprimentos para alimentar as cidades onde se extraía o ouro, como Cuiabá, Nossa Senhora do Livramento, Poconé e Vila Bela da Santíssima Trindade.
Os portugueses mantinham a fazenda sob sigilo para não despertar a cobiça dos vizinhos espanhóis.
A produção saía em canoas e batelões até atingir, pelo Córrego Jacobina, que desagua no Rio Paraguai, abaixo de Cáceres, 70 quilômetros.
Já no século 19, com a independência do Brasil, rebeliões eclodiram em várias partes do país, e em uma delas a Jacobina entra na história dessas insurgências.
É no estado da Bahia que emerge o médico Francisco Sabino Vieira. Idealista, promove um levante que ficou denominado “A Sabinada”, que durou cinco meses e foi debelado.
O Império não condenou Sabino Vieira à morte, pois, se assim fizesse, ele se tornaria mártir, aumentando a insatisfação da Bahia com o Império.
O Brasil era governado pelo período Regencial — Dom Pedro II tinha apenas a regência. Batalhas travavam-se no Rio Grande do Sul, em Pernambuco, no Maranhão e no Pará. Sentenciar Sabino Vieira, numa Bahia já pacificada, não seria a decisão mais sensata.
O Império o condenou à prisão no Forte Príncipe da Beira, à margem direita do Rio Guaporé (hoje município de Costa Marques, em Rondônia).
Então, a guarda imperial faz a escolta do médico Sabino Vieira em direção ao Príncipe da Beira. Em lombos de mulas, cortam o oeste da Bahia até varar Goiás e, de lá, meses nas estradas, atingem Mato Grosso pelo leste, seguindo rumo a Vila Real do Bom Jesus de Cuiabá (atual Cuiabá). Seguindo em frente, chegam à Fazenda Jacobina, onde os responsáveis pela escolta apresentam ao pai do Barão de Vila Maria, Padre Joaquim José Gomes da Silva, o decreto do Império. Aí ocorre um fato interessante: a esposa estava acometida de febre e Sabino, médico formado na França, fez o tratamento. Então, a família do Barão de Vila Maria, que era afamada em todo o Mato Grosso pela alta produção de alimentos, decide ordenar a volta das tropas que escoltavam Sabino, com a seguinte ordem: “O doutor Sabino não irá seguir para o Forte Príncipe da Beira; ficará sob nossos auspícios”. E o médico baiano ficou até seus derradeiros dias na fazenda.
Já no Brasil República, seus restos mortais foram trasladados para o Rio de Janeiro, e ele é considerado herói nacional. Em Cáceres, dá nome a uma das importantes vias públicas do Centro Histórico.
Hoje, a Fazenda Jacobina mantém atividades agropastoris e funciona também como restaurante, de segunda a segunda, com cardápio regional.
A professora Edir Antônia de Almeida, da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), ativista dos direitos humanos, toca projetos voltados ao fortalecimento da cultura mato-grossense e apresentará grupos de Cururu e de Siriri.
A fazenda recebe estudantes e professores de todo o país, inclusive da Bahia, e é tocada pelos herdeiros do empreendedor Vitório da Silva Lara: os irmãos Cristiano e Adriano — este apelidado de Imperador —, e sua mãe, Terezinha Lara.
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